Perma-horta de varanda

•Abril 10, 2013 • 2 comentários

Há que tempos que ando a estudar Permacultura, com o desejo de começar a praticar. Já fiz duas pequenas experiências, e agora gostava de começar a sério, mesmo para começar a produzir alguma comida comida biológica para consumo da família.

E como já tenho uma “varandinha” com espaço, resolvi criar aqui uma horta diferente, com base em alguns princípios de design da Permacultura. Ora cá vai o resultado.

O “terreno” que tenho é um terraço ladrilhado, com uma parede norte que apanha sol a partir do meio-dia até quase ao pôr-do-sol. Os prédios à volta roubam muita luz, principalmente durante o inverno quando a trajetória do sol é baixa, mas durante os meses quentes o sol é implacável e esturrica tudo. Por isso precisava de alguma maneira de controlar a exposição solar da horta sem no entanto tirar o acesso à luz.

Para isto recrutei algumas pequenas árvores e arbustos ornamentais que lá andavam em vasos. Juntei 4 plantas frondosas para garantir sombra à minha horta durante as horas de sol alto, mas que não tapem a luz quando o sol está baixo (no inverno o dia todo, ou no verão fora do meio-dia solar). Esta técnica é usada há milhares de anos pela humanidade, e corresponde ao design básico de uma orla de floresta natural.

tampo

Estrutura principal: uma esquadria retangular, seis pernas, e um tampo com buracos para as plantas dos vasos. O tampo está dividido em 4 partes para ser mais fácil pôr à volta das plantas crescidas, e foi envernizado para resistir à água.

bancos

“Banquinhos” de altura. Construí também umas alturas de madeira para que todos os vasos fiquem exatamente nivelados ao tampo. Envernizados para resistirem à chuva e à rega.

impermeavel

Depois de pintada e envernizada a madeira, cobri o interior com um plástico impermeável. Por cima do plástico espalhei uma brita fina para manter a capacidade de escoamento de água. O tampo é na realidade desnivelado; as pontas laterais estão 1cm mais altas que o centro, e no centro existe um rasgo no plástico para deixar sair a água em excesso. O plástico tem buracos para que a terra da horta comunique com a dos vasos.

terra

Depois foi só encher com a terra nova. Tentei criar uma altura de 10 a 15cm de terra sobre o tampo, ficando com mais de 20cm de profundidade dentro do círculo de cada vaso.

cultura

E pronto, a seguir transplantei os espinafres, alfaces, couves, aromáticas, e um morangueiro que já tinha a crescer. E semeei mais uma quantidade de coisas, como melões, pepinos, tomates, e alfaces. Com uma rega automática nada disto vai ser problema. E coentros, muitos coentros a toda a volta, para afastar as pragas. Vamos ver se resulta ou se preciso de plantas mais tóxicas.

Uma vantagem deste sistema é que forma uma cama bastante elevada e poupa-nos as costas de andar sempre curvados. Ou quase. 🙂

Já tive oportunidade de comprovar o funcionamento solar do conjunto, e apraz-me dizer que parece funcionar bastante bem! 🙂 Resta agora ver como corre a drenagem de água, uma vez que tenho tido problemas de apodrecimento de raízes por causa da chuva constante.

Um sub-projeto para concluir mais tarde será a recolha da água que escorre desta horta, carregada de nutrientes, e reutilização para rega da mesma. à partida irá envolver uma bomba elétrica alimentada por um painel solar, e talvez um pequeno microcontrolador que esteja consciente das estações do ano ou das condições da terra…

Outro projeto é uma vermicompostagem para fechar o ciclo de nutrientes da horta pelo menos de uma forma parcial. Outro ainda é uma cultura de cogumelos na parede oposta, que está à sombra a maior parte do tempo.

Tantas ideias, tão poucos anos de vida… 🙂

Que informação precisas para uma saúde robusta e uma vida melhor?

•Março 9, 2013 • Comentários Desativados em Que informação precisas para uma saúde robusta e uma vida melhor?

Olá caros amigos!

Venho por este meio fazer-vos uma pergunta muito importante para a qual vos peço a maior atenção antes de responderem à minha sondagem: Se existisse um sítio Português na Web  dedicado às questões da saúde (Nutrição, Exercício, Regeneração, etc.) e com uma perspetiva claramente baseada no princípio Evolutivo/Ancestral/Primal/Paleolítico mas sempre com objetividade científica, que tipo de conteúdos acham vitais encontrar lá?

Por favor respondam à sondagem e partilhem e enviem a tantas pessoas quanto vos for possível, para que se possa fazer uma avaliação realista. Dos resultados da mesma irão depender os próximos passos. 😉

Nota: só é possível votar uma vez (proteção através de cookies do navegador). Para votar mais do que uma pessoa no mesmo computador, usar uma área de utilizador (login) ou um navegador (browser) diferente.

Nutrição curativa

•Fevereiro 26, 2013 • Deixe um Comentário

Uma vez que a malta me pergunta sempre “que raio comes tu”, “explica lá essa coisa da Paleo”, e outras do género, resolvi traduzir a melhor página que encontrei para fazer a introdução prática ao assunto.

Basicamente, trata-se de eliminar os pseudo-alimentos industrializados que tanto mal nos fazem a longo prazo, e regressar um pouco àquilo que durante 2.000.000 anos nos definiu como espécie robusta e adaptável.

Bom proveito!

Sopa de rabo de boi à “paleo”

•Novembro 21, 2012 • 5 comentários

E cá estou eu de novo a tentar usar a maior variedade de partes da vaca numa alimentação simultaneamente nutritiva, segura, e económica. O rabo de vitela não é uma peça muito requisitada, mas a sua carne é muito boa e as articulações fornecem colagénio e minerais que podem ajudar na recuperação do sistema digestivo e das nossas articulações.

As receitas de sopa de rabo de boi que tenho visto pela net envolvem todas algum tipo de fito-toxina, seja o glúten da farinha de trigo, ou as lectinas do feijão, ou qualquer outra coisa porreira do género para criar permeabilidade intestinal e doenças auto-imunes. Vai daí resolvi reinventar esta sopa tradicional numa versão segura. Não é espectacular, mas ficou muito bem.

Um rabo de vitela congelado, vindo do Solar da Giesteira.

Depois de descongelado, eu prefiro cortar para cozinhar. Mas penso que se pode cozinhar inteiro…

Rabo fatiado. Cortar o rabo requer força e destreza, porque é preciso cortar pelo meio das articulações e nem sempre é fácil perceber onde estão. Se tiverem a opção, comprem já cortado.

Faz-se uma cozedura lenta do rabo em água com um ácido, como o sumo de um limão, ou vinagre, ou cidra, à escolha. Eu costumo deixar tapado durante umas horas em “lume brando”, até a carne se soltar dos ossos. Alternativamente, pode-se só estufar a carne com os temperos. Eu prefiro a cozedura lenta porque assim retiramos a máxima quantidade de nutrientes e minerais.

Depois de umas 4 horas a cozer, os ossos separam-se bem da carne. Retiram-se da panela para continuar a fazer a sopa.

Descasquei e piquei batata doce, alho francês, abóbora, e nabo para cozer na água com o rabo de boi…

… e juntei também couve e pak-choi cortadinhos…

… e deixei cozer durante mais 40 minutos ou uma hora, em fogo médio/baixo. Ajustar o sal antes do fim.

E pronto, cá está a sopa. Com a bela da gordura a flutuar, claro. Não entendo como é que há receitas que pedem para levar a sopa ao frio para poder remover a capa de gordura saturada… é mesmo de quem não percebe nada de nutrição e saúde! 🙂

É claro que isto é uma sopa pesada e pode perfeitamente substituir uma refeição. Saboreiem!

Bochechas com batata doce

•Novembro 20, 2012 • 10 comentários

Peço desculpa pela qualidade descendente das fotos das minhas receitas ultimamente, mas a pressa e a máquina fotográfica não têm ajudado. Prometo que me vou esforçar mais para as próximas vezes, mas desta vez vão ter de se contentar com uma foto tirada de fugida ao último  pedaço antes de ser devorado…

Bochechas de vitela estufadas em óleo de coco e batata doce assada com manteiga e ervas.

Por pouco nem mesmo este pedacinho desfocado de carne viam… 🙂 A bochecha é mais uma das partes baratas da vaca que ninguém quer, mas com um bocadinho de jeito ficam bem boas. Já tentei fritar na frigideira mas ficam um pouco rijas. É melhor um tratamento mais completo. A batata doce é um “amido seguro”, é quase tão completa como a batata branca e ao contrário desta tem a vantagem de não ter glicoalcalóides para nos lixar as articulações e a tripa.

A carne: cortei uma bochecha de vitela em fatias e levei-as ao forno em cima de uma dose generosa de óleo de coco. Foram polvilhadas com ervas, pimentas, e sal. Quando estiverem com bom aspecto, é virá-las.

As batatas: foram  descascadas e semi-cortadas às fatias, só até 2/3 da altura, para não se desfazerem.  Assim que as fatias começarem a separar, barra-se generosamente com manteiga e tempera-se com ervas e especiarias.

E pronto. A carne estava absolutamente divinal, e as batatas bem boas. Bochechas: aprovadas.

Língua de vaca deliciosa

•Novembro 20, 2012 • 3 comentários

Aqui há uns dias fiz um prato pela primeira vez na vida, e não saiu nada mal. Aliás, diria que saiu perfeito e que provavelmente nunca mais irá sair tão bem.

Língua de vaca estufada é uma recordação de infância que me faz sentir bem… e quando vi língua de vitela na lista do Solar, mandei logo vir. A língua (secção “miudezas e outras peças”) é uma carne barata e nutritiva. Na mesma secção encontram-se joias nutritivas como Coração, Fígado, Rins, Bochechas, Ossos do Tutano, Rabo, e outros. Outra secção preferida é a “peças de corte económico”, onde se encontram mais preciosidades nutritivas como Aba e Ossobuco a um bom preço, fruto da esquisitice da maioria da população que só gosta de bifes do lombo e da vazia. Obrigado esquisitinhos, mais fica para nós os paleolíticos. 😉 Nós ficamos com a nutrição e vocês com a conta.

A seguir, quando me deparei com a peça em cima do balcão, pensei: “e agora, o que faço com isto? Só a minha mãe é que deve saber cozinhar esta cena.” Um telefonema depois já estava armado desse conhecimento ancestral. 😉

Língua de vitela a cozer. Mínimo 30 minutos, para ficar tenra.

A língua já cozida. Note-se que a pele ficou bem branca. Esta pele sai muito facilmente quando a língua está bem cozida, é só puxar e quase sai inteira.

Depois de cozida e pelada, a língua é fatiada. A seguir faz-se um refogado das fatias em tomate e todas as especiarias que nos ocorrer. Quando perguntei à minha mãe o que havia de usar ela respondeu “vai pondo”. Mesmo como eu gosto. 😉 Louro, pimenta, alho, coentros, cominhos, e sei lá mais o quê.

E pronto, cá está a iguaria. Estava tão boa que toda a língua desapareceu num instante num almoço de 5 pessoas. Bom, 3 adultos e 2 crianças. E os putos adoraram a carninha tenrinha e saborosa. Só não lhes podemos dar a parte que tem as artérias porque eles estranham muito. De resto, está definitivamente aprovado!

Foi acompanhada com uma mega salada de verdes variados e algumas nozes e amêndoas. E pronto, assim se passou a minha primeira língua de vaca. Gozem em boa saúde! 🙂

Névoamobile

•Novembro 5, 2012 • 3 comentários

Estou a perceber que a capacidade de carga da bicicleta é directamente proporcional à quantidade de elásticos e arame disponível….  😉

Fomos bem até à escola. E agora, depois da miúda entrar para as aulas?… Duas em uma.