Bochechas com batata doce

Peço desculpa pela qualidade descendente das fotos das minhas receitas ultimamente, mas a pressa e a máquina fotográfica não têm ajudado. Prometo que me vou esforçar mais para as próximas vezes, mas desta vez vão ter de se contentar com uma foto tirada de fugida ao último  pedaço antes de ser devorado…

Bochechas de vitela estufadas em óleo de coco e batata doce assada com manteiga e ervas.

Por pouco nem mesmo este pedacinho desfocado de carne viam…🙂 A bochecha é mais uma das partes baratas da vaca que ninguém quer, mas com um bocadinho de jeito ficam bem boas. Já tentei fritar na frigideira mas ficam um pouco rijas. É melhor um tratamento mais completo. A batata doce é um “amido seguro”, é quase tão completa como a batata branca e ao contrário desta tem a vantagem de não ter glicoalcalóides para nos lixar as articulações e a tripa.

A carne: cortei uma bochecha de vitela em fatias e levei-as ao forno em cima de uma dose generosa de óleo de coco. Foram polvilhadas com ervas, pimentas, e sal. Quando estiverem com bom aspecto, é virá-las.

As batatas: foram  descascadas e semi-cortadas às fatias, só até 2/3 da altura, para não se desfazerem.  Assim que as fatias começarem a separar, barra-se generosamente com manteiga e tempera-se com ervas e especiarias.

E pronto. A carne estava absolutamente divinal, e as batatas bem boas. Bochechas: aprovadas.

~ por Vasco Névoa em Novembro 20, 2012.

10 Respostas to “Bochechas com batata doce”

  1. Bochechas de vaca, também do solar? Eu costumo comprar de porco, quando as encontro. Precisam de ser estufadas (com um pouco de tomate ficam deliciosas!) durante um tempo para ficarem boas, mas este fim-de-semana também as fiz no forno com azeite e alecrim e ficaram deliciosas.
    E já experimentaste cortar a batata doce às rodelas finas e temperar com azeite, sal e tomilho ou semelhante e levar ao forno num tabuleiro sem as sobrepor? Ficam divinais.

    • Sim, também do Solar da Giesteira. Eles chamam-lhes “masseteres”.
      É verdade, estufadas ou no forno ficam espectaculares!🙂
      Sim, já tinha experimentado as batatas às rodelas no forno, mas com óleo de coco. Eu adoro, mas a minha família não aprecia o coco… por isso hei-de experimentar com o azeite. Embora eu tenha alguma reserva em “estragar” azeite com o calor… mas também, é só uma vez por outra!!🙂

  2. O azeite deve ser consumido frio, senão oxida.
    O óleo de coco tem de facto um gosto forte e pode ficar enjoativo, uma boa tática é misturar metade coco e metade manteiga. Ou usar banha.
    Eu uso manteiga dos Açores, às vezes os hipermercados têm da marca branca dos Açores, fica muito mais barato, neste momento o Jumbo tem marca Auchan dos Açores.
    Ontem experimentei fazer manteiga clarificada com esta marca e apesar de ter sal ficou boa, tem um gosto forte alguns podem enjoar, o que tem de bom é que queima menos e fica sem vestígios de leite.

    A Herdade Freixo do Meio vende carne de vaca e porco biológica e têm uma loja no Mercado da Ribeira, vendem banha bio, já lá comprei e não é cara, agora faço a minha com toucinho.
    Para quem prefere consumir carne bio aqui é mais barata que nos supermercados.
    http://www.herdadedofreixodomeio.com/index.php?option=com_content&view=article&id=53&Itemid=78&lang=pt

    • Épá, oh Carmen, tu és um autêntico poço de informação Paleo!!!🙂
      Hei-de experimentar “cortar” o coco com manteiga, parece-me promissor por causa do sal. A minha experiência com Ghee não tem sido fantástica, ninguém por aqui aprecia o sabor. E como não temos problemas com caseína nem lactose, não vou por aí.
      Obrigado pela dica do Mercado da Ribeira, já ando há que tempos à procura de uma fonte bio e local de banha…. (sendo que “local”, por aqui na nossa zona alimentar pouco esclarecida, é qq coisa inferior a 100km…)
      Bem-haja!

  3. Boas. há +/- 3 meses dei de caras com este mundo estranho de low-carb e cheio de coeirencias cientificas, que me deixou completamente vidrado e meio louco por mais e melhor informação. Nestes três meses, passei de séptico a “envagilizador”, e os resultados são surpreendentes, barriga gone (não tinha grandes problemas com peso, apenas o ocasional pneu), e bem estar fantastico, afinal a vida de consultor informático não é das mais saudáveis.

    Ando a um ritmo diário pela internet à procura de mais, e por acaso hoje decidi pesquisar por “Gary taubes + portugal” e encontrei o blog. Parabéns pelo blog e pela qualidade na abordagem dos mais variados temas.

    Não podia deixar de perguntar, onde é que compram óleo de coco?

    • Olá Pedro, bem vindo.🙂
      Cuidado com isto, é viciante… eu bati à porta da filosofia de vida “ancestral” há uns 3 anos, e até agora ainda não encontrei o fim a esta toca de coelho mágico…😉

      O óleo de côco pode-se comprar nas lojas de “comida saudável” (arrgh!!) tipo Celeiro, Natura, e outras que tais. Eu por exemplo compro no Brio (supermercado biológico) ou na Miosótis (idem). Aviso já que é caro… é para usar judiciosamente, não dá para fazer grandes fritadas.🙂

      • O óleo de côco tem propriedades quase mágicas… a sua composição inclui algumas gorduras cuja estrutura química não é comum na alimentação (medium chain triglycerides – MCT) que despoletam fenómenos curiosos no nosso corpo.
        Tomar uma pequena quantidade de óleo de côco em jejum pela manhã tem o efeito de estimular o corpo a manter-se dentro do metabolismo da noite (continuar a queimar gordura), o que é uma óptima estratégia para quem quer perder peso rapidamente e de forma segura mas ainda está “programado” e dependente de comer pequenos almoços “intensos”. Uma chávena de café ou chá com óleo de côco e talvez um farrapinho de natas já chega para enganar o estômago e poder continuar a queimar gordura pela manhã fora. Desde que não se quebre o jejum, claro.
        Outro efeito que tem é a inversão da doença cardio-vascular…. melhora logo o perfil lipídico do sangue e contribui para a regressão da placa arterial. E nem é preciso muito… basta uma colher por dia, e deixar actuar.

      • Boas dicas…

        vou começar por experimentar com óleo de palma. Normalmente uso manteiga com os ovos e começo sempre por fritar bacon na manteiga, antes de cozinhar os ovos, aproveitando a gordura do bacon e todo o sabor associado. E claro sempre com um toque de natas.
        Já tinha percebido que a manteiga ficava rapidamente queimada, principalmento nos dias de maior presa, vou ter atenção a isso. Confesso que já tinha lido e visto palestras sobre o assunto, mas às vezes a parte técnica é dificil de entrar.

  4. Outra questão… não cozinham com azeite??

    “(…) Embora eu tenha alguma reserva em “estragar” azeite com o calor…(…)”

    • Os ácidos gordos podem-se classificar grosseiramente em 4 categorias químicas:
      – saturados (sólidos à temperatura ambiente)
      – mono-insaturados (viscosos ou líquidos)
      – poli-insaturados (os famosos “ómegas”) (líquidos)
      – trans-saturados ou hidrogenados
      Os primeiros 3 encontram-se sempre misturados em qualquer fonte de gordura natural, seja azeite ou banha ou óleo ou qq outra. O que varia é a proporção. O último é uma criação industrial do Homem, está claramente ligado a problemas de saúde muito graves, e simplesmente não tem lugar na nossa alimentação. Fugir dele como o diabo da cruz.

      Falando agora daquilo que podemos comprar… As gorduras mais saturadas (óleo de côco, de palma, banha de porco) são as mais estáveis quimicamente falando quando aquecidas; a saturação protege-as da oxidação e protege-nos a nós do assalto oxidante. Quanto mais gorduras oxidadas consumirmos, mais obrigamos o nosso sistema a filtrar e neutralizar essas substâncias. Por isso criou-se esta “regra”: aquecer apenas gorduras resistentes ao calor, ou seja, maioritariamente saturadas. O azeite tem uma parte saturada, mas tem uma grande parte mono-insaturada; por isso é frágil e não deve ser usado para cozinhar – quando cozinhamos com ele estamos a transformar uma óptima gordura numa gordura relativamente má. Mas é claro que isto é uma questão debatível, é uma optimização. O impacto real na saúde depende grandemente do estado actual do corpo de cada um. Mas como por aqui todos procuramos optimizar a saúde… todas as estratégias são preciosas.😉 Convém-nos ingerir as fontes de ómega-3 tão cruas quanto possível, porque há muita falta dele e facilmente se destrói.
      Já agora, um comentário sobre ómega-3: eu não procuro fontes de ómega-3 suplementar (i.e. ovos e leite e outras coisas industrialmente “fortificadas” em ómega-3); existem sérias dúvidas sobre a eficácia e a segurança desta suplementação. Prefiro o peixinho fresco e o marisco e o azeite virgem…😉

      Lá em casa uso as seguintes gorduras para cozinhar (fritar), por ordem de preferência:
      – óleo de palma (boa e barata, latas no pingo doce etc.)
      – manteiga normal (como tem sal, é óptima para fazer ovos)
      – azeite (muito raramente e em pequenas quantidades)
      – côco (só como acepipe especial, porque o sabor é forte e o preço alto)
      Não uso banha de porco porque não encontro de origem biológica… e isto faz diferença porque a biológica é rica em ómega-3 (saudável) e a industrial é rica em ómega-6 (tóxica quando em excesso). Juntar o excesso de ómega-6 ao acto de estar a oxidá-lo… não é inteligente. 😉 Um dia destes hei-de comparar mais atentamente as composições destas gorduras para ver melhor estas prioridades. Não sei o que dizer da manteiga vs. banha…

      Outra regra geral é não deixar queimar as gorduras menos resistentes, como a manteiga… uso sempre o lume baixo quando faço ovos em manteiga e não deixo ficar castanho. Se precisar cozer mais o ovo quando a manteiga está a começar a torrar, desligo e tapo.

      Bom apetite!🙂

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