Crise? Austeridade? E que tal se baixassem o IVA?!

Eu não percebo mesmo nada de Economia. Tenho a mania de olhar para tudo como um problema de Engenharia, e isso é um vício terrível. É terrível porque há coisas que se tornam tão óbvias que só me apetece gritar e bater em alguém.

Não é óbvio que o plano de austeridade está a matar a nossa economia rapidamente? Não é óbvio que as pessoas estão a cair para fora da economia, gastando cada vez menos, na vã tentativa de poupar o que não entra? Não são óbvias as enormes quantidades de lojas fechadas nas ruas, em número sempre crescente? E a quantidade de apartamentos familiares à venda, também sempre a aumentar? E de automóveis que deixam de circular nas horas de ponta para ocuparem lugares de estacionamento com um número de telefone escarrapachado num papel cada vez maior?

Não é óbvio que o dinheiro parou de circular completamente na classe económica mais baixa do país, enviando muitos milhares de pessoas de volta para uma economia de subsistência? É ver a ubiquidade das hortas clandestinas e a dedicação diária com que os desempregados regam e sacham a terra na beira das estradas… Estradas onde ainda circula a pouca classe média que ainda resiste à valente espremidela que o Estado Remotamente Controlado Português insiste desesperadamente em aplicar, mesmo já tendo chumbado o exame da Troika. Não se pode esperar que um mau aluno, daqueles que só estuda na véspera do exame, faça um brilharete numa situação em que nem sequer o professor se safava… o que só aumenta a sensação de desespero e frustração do próprio povo, que clama por Justiça e Revolução, mas que por enquanto está bem quietinho com medo de se tornar mártir e com esperança num D. Sebastião salvador da Economia.

A Economia, ah, a Economia… o meu pai ainda fez um ou outro aninho dessa licenciatura, forçado pelo seu pai, mas depois dedicou-se à realidade empresarial. Conheceu aí o sucesso e com isso alimentou uma família de 9 pessoas durante muitos anos – com a ajuda vital da gestão familiar da minha mãe, claro está. E quando eu era pequeno e falávamos desse bicho estranho chamado Economia, ele dizia sempre que os economistas eram ingénuos: continuavam sempre a pensar que a Economia era uma Ciência exata, e teimavam em tudo medir de forma concreta e esperavam que das estatísticas e das tendências saísse o modelo perfeito para a predição e para o controlo do progresso da nação inteira e do próprio mundo. O problema, dizia ele, é que lhes falhava o óbvio: a Economia é uma Ciência Humana. A teoria do “Agente Inteligente” de Adam Smith cai por terra quando se admite que as pessoas são animais emocionais, e não racionais. E com um erro tão crasso logo na base da disciplina, como se pode construir uma teoria realista, por mais pormenores complexos que se lhe ponham em cima?

Mas voltemos ao cerne da questão. Como se aquece uma economia arrefecida pelo gelo da incompetência governativa e pelas correntes de ar imperiais Germânicas?

Para mim é óbvio que é preciso fazer exatamente o contrário do plano de austeridade. É preciso tornar mais fácil a vida de quem quer vender e comprar. É pela estimulação do comércio e do consumo que se estimula o tecido empresarial. E a maneira mais simples e rápida de o fazer é baixando a carga fiscal.

Que tal reduzir o IVA para metade nas categorias não essenciais, e eliminá-lo totalmente nos produtos de primeira necessidade?

Se isto não puser as pessoas a gastar dinheiro outra vez, então é porque já não há salvação para este país e mais vale continuar com o plano de fecho e emigração que está efetivamente em ação neste momento.

Para aqueles que acham impraticável o plano, relembro alguns pontos.

Por um lado, o Estado iria perder bastante menos do que se pensa. Isto porque a subida em flecha do consumo público iria compensar em grande parte a redução da taxa. Quanto, ninguém sabe; é aqui que entra a parte da Ciência Humana, e não Exata. Por outro lado, com os restantes impostos ainda no seu devido lugar, o Estado iria arrecadar um maior volume de IRC e de todos aqueles belos impostos sacanas como o dos produtos petrolíferos ou o dos veículos novos ou os das casas… enfim, é ceder um pouco na frente mais visível para ganhar mais em todas as outras.

Por outro, mesmo que o Estado ficasse a perder no total das contas e o saldo fosse negativo para os cofres do fisco (que já não são cofres, são portagens com saída para os credores internacionais), a nação ficaria a ganhar: teríamos a tão esperada revitalização da Economia nacional que tanto se deseja para poder pagar as dívidas que a afundaram em primeiro lugar. Com mais comércio ativo todas as empresas iriam beneficiar, e mesmo apesar das pesadas “perdas” de euros para o estrangeiro (porque afinal vivemos mesmo é da importação) os poucos produtores, transformadores, e integradores nacionais seriam poupados à razia e à pobreza catastróficas que se observam agora. E quem sabe, novas empresas surgiriam dentro deste novo ambiente. As pessoas ficariam melhor, e é esta a função do Estado.

E por último, falemos então do défice e das obrigações que os nossos excelsos governantes contraíram em nosso nome e sem nos consultar. Sabem que mais? Estou-me a borrifar. Quero lá saber dos nossos credores da Troika e afins. Um país que se concentra em desenvolver o seu próprio tecido económico com afinco rapidamente se torna independente dos grandes patrões e das fontes financeiras. Não precisamos de mais fábricas tipo Autoeuropa e outros grandes empreendimentos que “resolvem” de uma só penada o problema do desemprego numa região, para depois voltar a criá-lo anos mais tarde e de forma mais intensa quando a empresa deslocaliza a produção ou quando o mercado de grandes volumes soluça.

Precisamos sim de mais empresários e PMEs corajosos, que arriscam nos nichos e na especialização, na arte de saber fazer, e na atenção dedicada ao cliente – clientes que conhecem em pessoa e que estimam e respeitam. Que se lixe a exportação! Ela aparece quando tivermos excedentes. Se queremos deixar de importar a alarvidade de comida e energia que importamos, temos de produzir localmente e distribuir eficientemente. Precisamos de mais gente a trabalhar as suas próprias ideias e a levá-las para a frente, de mais diversidade no mercado, e não de andar sempre à procura de um Emprego De Carreira cada vez mais raro e mais dependente de multinacionais – que como o próprio nome indica, não estão preocupadas com as nações nem com as pessoas. Precisamos de soluções locais para problemas locais. O dinheiro que vem de fora ajuda a fazer isto? É claro que sim, o dinheiro ajuda sempre, venha de onde vier. Mas neste caso não é necessário. Aguentamos bem sem ele, temos as pessoas e os recursos naturais aqui mesmo, é só uma questão de organização e vontade. Raios, já fomos donos de metade do mundo, porque raio andamos a pedir esmolas a povos com menos imaginação que nós??!!!

Baixem o IVA! Queremos ouvir a caixa registadora!

~ por Vasco Névoa em Julho 8, 2012.

16 Respostas to “Crise? Austeridade? E que tal se baixassem o IVA?!”

  1. A razao pela qual o Estado nao pode baixar os impostos e tem de os continuar a aumentar e simples: e uma das prendas do Estado Social.

    Por acaso, isto e daquelas topicos que me irritam profundamente…
    Muita gente, tal como tu, ja chegou a conclusao de que e preciso baixar impostos para revitalizar a economia.

    No entanto, o que muito pouca gente percebe e que isso e inconsistente com o que a maioria da populacao quer: um Estado Social, com um governo paterno e sempre presente.

    No meu pais, as pessoas queixam-se de que ha corrupcao (ou melhor, riem-se e dizem “e sempre a foder-nos”) e de que nao se pode confiar nos politicos mas, por outro lado, querem sempre mais e MAIS servicos publicos.

    A grande maioria queixa-se do pessimo servico que a maioria dos funcionarios publicos presta (por nao terem que prestar contas a ninguem, afinal, eles sao empregados de todos nos e de ninguem) mas, por outro lado, dizem que o governo tem obrigacao de “criar empregos e tomar conta da populacao”.

    O grande problema e que este discurso e completamente inconsistente.

    O realmente importante nao e dizer que a Alemanha e a Merkel (e a Franca e a Inglaterra) sao muito maus porque nao querem imprimir mais dinheiro. E ainda sao mais feios e porcos porque nao nos querem DAR esse dinheiro.

    O que e realmente importante e parar e pensar, em retrospectiva, o PORQUE de precisarmos de mais dinheiro?

    E a resposta, bem la no fundo, e apenas uma:
    – somos uma sociedade corrupta e o sistema judicial nao funciona.

    Quer isto seja a nivel politico (pelos dinheiros publicos que sao desviados), quer a nivel do cidadao comum (que nao hesita em pedir favores aos amigos e familia e fica todo contente de passar a frente nas filas e receber tratamento especial).

    Portugal e um pais onde o crime compensa. Esta reportagem (http://mygpslostitself.blogspot.com/2012/05/corrupcao-crime-sem-castigo.html) mostra como apenas 3.6% dos crimes denunciados por corrupcao sao sentenciados, como a pena maxima sao 6 meses na cadeia e como um caso flagrante onde alguem denunciou um crime de corrupcao (onde alguem tentou comprar favores de outra pessoa por 200 mil euros e condenado a pagar 5 mil de multa, nada de tempo na prisao e ainda processa o gajo que o entregou a policia por 15 mil euros).

    O problema e que nao vejo NINGUEM a pensar no verdadeiro problema que nos assombra. Vejo e muita gente a apontar o dedo aos outros (e.g. Alemanha) porque isso elimina responsabilidade pessoal e, a partir desse ponto, nao ha nada a fazer (Afinal, se o problema sao os outros que sao muito maus, que raio podemos fazer nos?)

    Por estas razoes, continuamos a dar legitimidade ao governo para continuar a crescer, criando Institutos que ninguem sabe para que servem e permitindo que obras publicas sejam feitas, derrapando e dando azo a desperdicio e corrupcao. Ou ainda permitindo uma cumplicidade enorme entre os privados e o sector publico (com as parcerias publico privadas), nao permitindo ao cidadao saber QUEM realmente manda em que ou a quem se queixar por mau servico e, PIOR QUE TUDO, confundindo capitalismo com “capitalismo de compincha / amigalhaco” (http://en.wikipedia.org/wiki/Crony_capitalism).

    O que nos esquecemos e que ao deixarmos o Estado ser a nossa Babysitter estamos a permitir que o Estado seja o adulto na relacao.
    E, por isso, nao devemos ficar muito indignados quando o adulto vai aos bolsos da crianca e decide tirar-lhe os trocos dos bolsos. Afinal, o adulto e que sabe o que e bom para a crianca porque a crianca nao e responsavel o suficiente para decidir por ela mesma.

    Esta e a razao pela qual o governo quando precisa de mais dinheiro aumenta impostos (porque nos lhe damos legitimidade para tal).
    E se ha coisa que te posso garantir e que NINGUEM gere melhor o meu dinheiro do que eu mesmo (para o bem ou para o mal).

    Confiarias em alguem que e, estereotipicamente conhecido apenas por ser corrupto e desonesto decidir o que e bom para ti e onde gastar o teu dinheiro?

    E que e exactamente isso que nos fazemos ao querer governos grandes e exigir que “tomem conta de nos”.

    E isto sem sequer referir tantas outras coisas importantissimas e de senso comum (que NINGUEM pensa) como:
    – um sistema socialista so e sustentavel se a populacao e a economia continuarem a crescer e se a populacao activa for maior do que a populacao inactiva (algo que o senso comum diz que e IMPOSSIVEL);
    – em alturas de crise economica a populacao activa decresce e mais pessoas necessitam dos servicos publicos (quer isso seja subsidios de desemprego, saude, etc) e nao ha dinheiro para os pagar;
    – como nao ha dinheiro para pagar as coisas, adivinha la onde e que o governo vai buscar receita? :o)
    – a maior parte das pessoas diz que paga impostos mas, na realidade, nao pagam quase nada porque declaram salario minimo ou perto disso;
    – a maior parte das pessoas diz “quando chegar a minha altura de me reformar nao vou ter direito a reforma” mas ninguem faz nada para corrigir isso enquanto estao em idade activa e depois ainda se queixam de que ninguem trata dos idosos (http://mygpslostitself.blogspot.com/2012/02/reformas-uma-analise-muito-simplista.html);
    – e TANTAS, TANTAS outras coisas que sao senso comum (se nos dermos ao trabalho de pensar nelas).

    Mas ninguem pensa nisto e dizem que “certas coisas, como a saude publica, nao tem de ser economicamente viaveis”.
    Pois, isso do ter dinheiro para pagar salarios, medicamentos e custos operacionais sao pormenores para os otarios…

    Essa, meu amigo, e a razao pela qual o governo te aumentou impostos e tirou o subsidio de Natal e de Ferias aos funcionarios publicos (dando carta branca aos maus gestores privados para fazerem o mesmo) e a razao pela qual nao vao baixar os impostos (embora o senso comum te diga que o devam fazer) :o).

    • Luis Silva, totalmente de acordo. Porque é que ainda não surgiu uma associação de pessoas que percebem o problema para fazermos lobby?

      • Sei la pah…
        Pelas minhas experiencias a pregar isto, estas sao ideias demasiado radicais para as pessoas entenderem…
        A maior parte das pessoas nao se interessa por politica. Adoram falar mal mas ou nao sao suficientemente inteligentes para aprofundar os assuntos ou sao preguicosos.
        Talvez tenha a ver com aquilo que falei sobre responsabilidade pessoal. E muito mais facil por defeitos no que nos rodeia do que fazer uma analise compreensiva sobre os problemas e perceber que todos temos responsabilidade em tudo o que nos rodeia.
        A nossa sociedade e excelente a fazer precisamente o contrario :o)
        Eu emigrei para os EUA a cerca de 3 anos e aprendi tanto sobre tanta coisa.
        Cheguei ca a pensar que o governo tinha obrigacoes e depois tive a sorte de perceber que as obrigacoes que tem sao muito limitadas e quanto mais esperamos deles, mais poder lhes damos.
        Se nao conheces, aconselho-te a ler sobre o objectivismo e leres o livro (ou veres o filme que saiu o ano passado) da obra de Ayn Rand chamado “Atlas Shrugged”.

      • Uma das coisas mais bonitas que aprendi nos EUA (lendo a sua historia, Constituicao e pesquisando sobre os seus fundadores) foi um conceito completamente diferente de Liberdade do que fui ensinado em Portugal.
        Em Portugal nos associamos Liberdade com Liberdade de Expressao e direitos civis com a obrigacao do Estado de tomar conta de nos.
        Eu aqui aprendi algo fantastico. Aprendi que Liberdade e tu poderes fazer o que quiseres (desde que nao limites a Liberdade dos outros). A Liberdade de ter propriedade privada (e fazeres o que bem entenderes com ela) e, o mais puro e lindo, Liberdade para FALHAR.
        Esse e um contexto extremamente dificil de entender (afinal, quem quer falhar?!) mas so quando es livre o suficiente para cair e que es livre o suficiente para te levantar.
        Nao e por um acaso que os Americanos continuam a ser o povo com mais empreendedores do Mundo.
        E que, embora estejam a perder esta capacidade, eles vem de uma cultura que premeia o tentar e permite falhar.
        Ve so a declaracao de independencia deles:
        “We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness.”
        A chave aqui e mesmo esta ultima parte: Life, Liberty and the pursuit of Happiness. O que quer que te faca feliz, deves ser livre para o procurar.
        Nao ves aqui o direito a saude? Nem o direito a subsidio de desemprego? Nem nada mais do que Vida, Liberdade e a procura da felicidade.
        Outra coisa que aprendi recentemente e que os EUA nao sao uma democracia mas sim uma Republica Constitucional e ha uma razao para isso….
        Mas vou deixar-te pesquisar a ti sobre o assunto se te interessar :o)
        http://en.wikipedia.org/wiki/Constitutional_republic

  2. Vasco, coloca-se uma questão: Quem é a pessoa cheia da ideias e bem intencionada, no seu perfeito juízo, quer governar o país? Ai daquele que tente enfrentar os interesses dos lóbis instalados, tem logo a comunicação social domesticada a difamá-lo até à exaustão, até à desistência final.
    No entanto, se quiseres arriscar, tens o meu voto e apoio garantido.

  3. O Vasco não é nada complicado até é bem simples….
    A economia é semelhante a biologia, regras muito simples que podem degenerar em sistemas muito complexos.

    Na base de tudo esta a balança de pagamentos, de um lago recebes do outro pagas… Ora o estado português (privado inclusive) é cronicamente deficitário o que implica que tenha de pedir emprestado para compeçar..
    (isto faz sentido para um engenheiro certo?)

    Mas quando é que nos param de emprestar? quando deixam de acreditar que vamos pagar…O problema disto é que como o tempo que vai entre conseguir fazer ajustes e estes terem repercussão a divida aumenta.

    Agora vem a segunda parte… Ora bem o dinheiro como tudo o resto na economia é um valor especulativo, não absoluto. (uma nota de 100 euros não custa mais que alguns cêntimos a fazer, ela vale 100 euros porque tu e eu acreditamos que ela vale isso.) O mesmo se aplica a tudo o que custe dinheiro. Ora bem um outro meio de estados deficitários pagarem a divida é simplesmente deixarem aquilo que têm passar a valer especulativamente mais..exemplo a bolha especulativa em Espanha funcionou muito bem até agora para eles, eles tinham um deficit de estado muito baixo até a pouco.

    Problema é que quando se segura o crescimento em valor especulativo o crescimento é fictício isto é um dia eu posso achar que a casa no centro de Madrid com 100 m² não vale 2 Milhões de euros e que na realidade não valerá mais que 10% mais que seu seu custo de execução que simplesmente risca da existência 1.8 milhões de euros, milhões esses que alguém pediu emprestados ao banco que por sua vez os pediu lá fora.

    Ora Portugal não sofre gravemente do problema de Espanha, mas sofre muito do primeiro e de um terceiro…

    O terceiro problema, alavancagem da economia…
    Portugal já a coisa de 20 anos que tem problemas de crescimento, crescimento esse fundamental para cobrir a divida, os sucessivos governos tentaram mitigar o problema com uma sistemática tentativa de injeção de capital na economia, mas sem o realmente fazer, pelo menos no imediato… o estado em vez de simplesmente gastar preferiu inventar modelos de negocio em que o estado entrava com algum valor inicial residual assumia uma renda para muitos anos e recebia o IVA nesse mesmo ano pelo valor quase total do investimento não efetuado… Portanto estes negócios eram lucrativos no ano de execução para o estado criavam empregos e por sua vez gerava ainda mais receita para o estado se meter em ainda mais negócios e rendas que por sua vez geravam mais receita etc etc… Ora bem de cada vez que o estado se mete num destes inventa uma renda… E agora não há negocio que se invente que cubram essas rendas.

    Ok parte final, soluções??? volta ao ponto 1 esse é o único real não especulativo, gastar menos, vender mais… se por um lado o IVA retrai o consumo que faz retrair a receita do sub sector estado. por outro esta a atacar o problema de fundo que é o nosso desiquilíbrio fundamental da balança de pagamentos. Portanto é virtuoso…

    Fomentar o consumo interno para fazer crescer a economia é sempre alimentar a alavancagem da economia, que acaba sempre por resultar nos pontos 2 e 3… o mundo ocidental tem se divertido nos últimos 20/30 anos a sustentar-se segundo este modelo. E quem nos emprestou dinheiro começa-se a perguntar se vai ver o dinheiro de volta com o lucro que lhe prometemos…..

    Para teres uma noção do tamanho disto…. o valor total de dinheiro (aquilo que acreditamos que algo vale segundo a cotação em bolsa) da economia especulativa é 2.5 vezes maior que o da economia real, exemplo bens reais, e o valor total de derivados (altamente voláteis) é nada mais nada menos que 18 vezes o valor da economia real. Estes dois foram durante os últimos 20 anos o pão das economias ocidentais já que a economia real da produção de bem reais se mudou para a asia…

    A parte realmente engraçada é que os maiores detentores dessa economia de “faz de conta” são os próprios asiáticos que entraram no jogo para multiplicar o seu novo dinheiro fresco que nos lhes demos. Criando assim uma nova alavancagem🙂

  4. pois vamos que a taxa de IVA baixa e as familias e empresas pegam nessa poupanca potencial, para a aplicarem a abater a divida privada que tem acumulada?

  5. A dívida pública, muita dela tem origem nos contractos criminosos que se eufemisam hoje em dia com o nome de rendas excessivas. A dívida privada não é por si um problema, já que é de responsabilidade individual. Se não houvesse aumento de impostos e os bancos não tivessem cheios de dívida pública (que foram obrigados a comprar pelo anterior governo em quantidades obscenas), não estaríamos hoje a falar na dívida privada. A dívida privada é legítima e tem a ver com empresas que se financiaram para trabalhar na economia real e famílias que se endividaram para comprar uma casa. Não fosse o aumente de impostos e as famílias hoje não teriam hoje a ameaça do desemprego e poderiam cumprir com as obrigações ao banco manter as suas casas. Mais importante é o direito a comprar casa, que é algo que não se fala em portugal. O IMI vai atingir valores na casa dos 150€ por mês para apartamentos normalíssimos. Isto é o mesmo que um imposto Feudal!!! É mais do que se paga em muitos casos ao banco… É dizer que depois de pagar a casa ao banco, pagar os juros, pagar os impostos, e a casa estar em teu nome, depois disso tudo, não tens direito a ela, porque se não continuares a pagar, tiram-ta.. a ti e aos teus filhos..

    Para quem acha que é preciso financiar as câmaras.. é um engano.. para isso pagamos já imposto na àgua e na electricidade.

    Eu até tolerava um IMI, na óptica de ser uma espécie de condomínio, mas então que ponham um limite máximo de 1% do salário mínimo para uma casa até 200metros quadrados. Faz sentido??

    • Yeaps, e isso mesmo!

    • Uuui, o IMI o IMI… deve ser o imposto mais OBSCENO que existe nesta sociedade supostamente livre. Devia ser considerado anti-constitucional. Afinal o que é que eu posso ter neste país? Se eu perder o emprego, a família, os amigos, etc etc mas tiver 1 metro quadrado de casa já sem água luz ou esgotos, nem aí posso esperar a morte em descanso sem vir o estado (sim, com letra minúscula) cobrar a sua quota. Afinal, o que é que me faz cidadão deste país se não tenho sequer um lugar para morrer se não tiver dinheiro?!! Inacreditável!

      • Aqui esta a resposta ao PORQUE e que nunca teras descanso:
        http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

        “A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma -> sociedade socialista <-, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno."

  6. Não é, Luís. Uma coisa não implica a outra. Até está aí tudo: “direitos fundamentais”. Direito a habitação própria permanente e vitalícia não será um direito fundamental? Por mim podes taxar os automóveis, as viagens de férias para locais paradisiacos, os ténis de marca, os telemóveis etc etc, mas habitação e “sustento” não é justo ser taxado, muito menos nos valores que o são actualmente.

  7. Estas a brincar, certo?
    Entao, segundo tu, toda a gente tem direito a ter casa propria vitalicia?!
    Desculpa la mas so estas a dizer asneiras…

    Direitos fundamentais sao direito a Liberdade e proteccao. Tudo o resto nao e direito, e propaganda.

  8. Não, não estou a brincar, simplesmente expliquei-me mal. O que quis dizer é que se trabalhaste ganhaste dinheiro e compraste uma casa, ele deve ser tua para o resto da vida sem teres que pagar taxas nenhumas, salvo obviamente serviços como água, esgotos, etc, que pagas pelo serviço.
    Mas não era nada mal pensado, que como cidadão tivesses direito a espaço, um quadradinho do país onde nasceste, sem construção. Porque não? Porque é que “os antigos” podiam chegar a um sítio onde não havia nada e aí assentar e construir a própria casa e nós não?

  9. Mas entao nao percebi mesmo o teu comentario?
    O que te fez pensar que estamos em desacordo? E claro que concordo no direito a propriedade privada (tal como disse noutro comentario). E nao so concordo com isso de que a propriedade privada nao deva ter nenhuma taxa, como acho que o que tu fazes na tua propriedade privada deveria estar acima de qualquer lei (fora aquela excepcao basica de que nao podes deixar que a tua Liberdade afecte a dos outros).
    Em relacao ao ter direito a um espaco, isso ja foi assim, e o que aconteceu e que certas pessoas com familias maiores e mais poderosas ficaram com espacos maiores :o).
    Repara que tu nao compras terreno ao Estado (geralmente), compras sim a outros privados que sao donos da terra.
    Logo, as coisas ja estao a funcionar como sao supostas funcionar ja que a propriedade ja e de alguem.

  10. Topem este video…
    http://mygpslostitself.blogspot.com/2012/07/story-of-broke-response.html
    E este tambem…
    http://mygpslostitself.blogspot.com/2012/07/how-cronyism-is-hurting-economy.html

    Reconhecem alguma coisa?

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