Fuji

Lá fomos visitar o famoso monte. É bonito, mas para quem já viu uma montanha vulcânica, não guarda muitas surpresas. Aquilo que mais nos chamou a atenção foi a vegetação; aquelas árvores são tão belas e diferentes das nossas que dá a sensação de estarmos num filme tipo “Lenda do Tigre e do Dragão” a cada vez que nos viramos. As fotos não fazem justiça, é preciso vir aqui respirar o ar e ver e ouvir os pássaros. Os corvos são enormes e de um negro imponente. O monte em si está escondido do olhar público por uma camada de nevoeiro baixo; é preciso subir 2000m para chegar ao sol que ilumina a textura castanho/preta do cone vulcânico.

Na estrada que sobe a montanha até à porta de entrada turística (completa com voltinhas a cavalo em pilecas velhas e tudo) fomos tomados de surpresa por uma música fantasmagórica de origem súbita e incerta… a sequência de notas fez lembrar a do filme “Encontros imediatos do 3º grau”, o que numa estrada florestal deserta e enevoada dá alguns arrepios. Acabámos por perceber que era “apenas” uma sequência padrões de relevo construídos no alcatrão, e que era a estrutura do carro que “cantava” para nós. Estes Japoneses são loucos!… Mas têm boas intenções.😉

Desde o início que andamos a comer sopas “ramen”, e francamente aqui no monte não prestam. Aliás, as melhores que comi continuam a ser as do Assuka em Lisboa… estarei avariado?🙂 Não, é porque aqui isto é apenas a fast-food comum, enquanto em Lisboa se trata de uma experiência “gourmet”. Quanto a sushi… parece que temos de caçar um tipo de restaurante especial para o encontrarmos. O que nos tem safado é o Starbucks ocasional… a malta não funciona sem pelo menos um cafézinho por dia, né? Embora eu prefira de longe um chá. Já agora, verde. E torrado. E aqui há muito “Matcha Latte”.🙂

O “Youth Hostel” em que ficámos (“K’s House Mt. Fuji”) é espectacular, pelo menos do ponto de vista de quem já viu algumas pensões de juventude… bom ambiente jovem, net à borla, quartos decentes, uma sala comum simpática, tudo o que é necessário para uma estadia relaxada.

Ir às compras no supermercado é outra experiência singular. Estes orientais não gostam de coisas simples… é quase impossível encontrar uma manteiga ou um yogurte natural!! Tudo está carregado de aromas e sabores estranhos, de preferência mais do que um à vez! Mas um pacote de jaquinzinhos secos à laia de snack, isso já é bastante mais comum…😎

Também algures perto de Fuji fomos ao museu de kimonos de “Itchiku Kubota”. O meu desinteresse inicial começou a desaparecer à medida que via o vídeo introdutório a explicar o processo agonizantemente lento e trabalhoso a partir do qual um kimono é produzido, milímetro a milímetro, ao longo de um ano inteiro de trabalho minucioso, e foi completamente obliterado ao ver a magnífica estrutura arquitectónica quase piramidal em madeira que constitui o próprio museu… o Sr. Kubota aplicou mais de metade da sua vida na criação de um conjunto de fantásticos kimonos individuais que na realidade eram peças de um puzzle, uma obra de arte astronómica na sua beleza e ambição. As fotos que tirámos às escondidas não podem revelar nada do que sentimos…

~ por Vasco Névoa em Outubro 6, 2010.

Uma resposta to “Fuji”

  1. Que inveja!!!
    Mas olha uma coisa, essas árvores parecem-me criptomérias … isso por cá é comum (http://ruipires.blogspot.com/2009/04/misterios-negros.html).
    Quando cá quiseres vir não precisas de ficar na pousada da juventude😉

    Aproveita-me isso e vê se encontras sushi do bom!

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