JapanRoadTrip::init()

Viajar em busca do sol nascente é bizarro e violento para o corpo… pensava eu que as noites curtas da Finlândia eram más, até ter esta experiência de ver o pôr-do-sol, assistir a dois filmezitos relaxadamente, e ver o nascer-do-sol a seguir.

Com 8 horas de jet-lag e quase 15 horas de aviões em cima, conduzir nas auto-estradas Japonesas é uma experiência perigosa… anda-se muito devagar por aqui (120km/h é ilegal e reservado aos loucos) e nesse ritmo hipnótico é fácil adormecer ao volante se se estiver cansado. Ah, e está a chover, obviamente.

A senhora do rent-a-car do aeroporto de Narita desfez-se em amabilidades e mostrou um nível de organização totalmente inesperado na nossa experiência de balcões públicos. Isto é, até chegarmos ao parque e vermos que não parecia fisicamente possível enfiar 7 pessoas e respectivas bagagens no veículo seleccionado. Que era o único disponível em todo o parque, claro. Depois de todos sofrermos uma horita em conjunto, lá conseguimos desenrascar uma combinação cubista com inspiração em algoritmos pkzip que permitia meter tudo e todos dentro da lata com rodas. Prova superada. Fotografámos as malas, pois ninguém se vai lembrar desta organização outra vez.

Agora é só guiar 200km até ao monte Fuji, onde fica o nosso hotel. Se conseguirmos perceber onde raio fica o travão de mão desta cena… ah, claro, não é de mão mas sim de pé e está bem escondido. Tsch!, que ignorantes. E a caixa automática só adiciona côr e vida a esta experiência de guiar pela esquerda num país em que não se consegue ler as placas de trânsito. Ah, já vos disse que o GPS do carro só fala Japonês? até os botões de OK e Cancel são um desafio pictográfico para nós os “gaijin” iletrados. Felizmente a senhora do rent-a-car foi super prestável e introduziu os nossos destinos na memória do bicho. Acompanhados de uma mão-cheia de tentativas goradas, claro, só para tornar a nossa viagem mais interessante. Adivinhar a morada correcta no meio da lista é mais divertido.

Conseguimos vencer a auto-estrada do inferno sem grandes peripécias, e nas cidades evitámos entrar em sentido contrário a maior parte das vezes. Tokyo vista da estrada (havemos de lá entrar daqui a uns dias) faz lembrar o Bloco de Leste com os seus prédios velhos e sombrios, e as cidades satélite lembram o interior dos EUA… será por causa das técnicas e materiais de construção introduzidos no pós-guerra 1945? Pois, deve ser, até as tomadas são 120V/60Hz. Valham-nos as fontes comutadas universais e os adaptadores de fichas. E vivam as fichas USB!!!

À noite comemos que nem uns lordes, barato e bom, e com serviço extra-simpático. Há sítios muito engraçados por aqui. A caminha japonesa, um colchão fino espalhado no chão de palhinha entre paredes de papel e madeira, soube que nem ginjas para estes corpos moídos da viagem heróica.

E pronto, o cenário está feito para uma aventura bacana. Amanhã passeamos até à floresta densa do sopé de Fuji. Não se pode subir o monte nesta altura do ano, para não chatear os ursos. Que pena, sempre quis chatear um urso (um a sério, e não daqueles que a gente encontra no escritório todos os dias).

~ por Vasco Névoa em Setembro 30, 2010.

4 Respostas to “JapanRoadTrip::init()”

  1. GPS?!! Tsss tsss tssssss…. mas vá, boa viagem :)!

  2. O quê? nunca conseguiste chatear um urso?😀
    granda pinta de viagem!! diverte-te e grande abraço

  3. Bom artigo….
    Continua aqui a postar esta jornada nipónica que eu – e muita gente – irá seguir de muito bom grado.

  4. enjoy! abç

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