Introspecções

Acabei de ver o documentário da BBC “Did Darwin kill God?”. Muito bom, nem que seja pela perspectiva Histórica. Deve ser da idade, mas tenho andado mais concentrado no “meaning of life” nos últimos tempos, e nem os Creacionistas nem os UltraDarwinistas me ajudam muito neste caminho (apesar deste “circo” ser interessante).

Gosto muito da análise feita por Conor Cunningham e do caminho central por ele percorrido, mesmo que não esteja 100% de acordo com as suas crenças. A conclusão de que toda a discussão idiota sobre o conflito entre a Evolução e a Bíblia que ocupa os media e 30% das almas americanas nos dias de hoje é apenas uma distorção contemporânea provocada por interesses socio-políticos encaixa perfeitamente nas minhas expectativas. E a prova histórica de que a Cristandade ortodoxa sempre defendeu a boa Ciência (incluindo “A Origem das Espécies” de Darwin) deixa-me mais reconciliado com estes concidadãos.

No fundo, a discussão é postiça e provocada por extremistas que se recusam a ver o que está à sua volta.

Penso que nenhuma pessoa em plena posse das suas faculdades mentais e corporais e que é honesta consigo própria pode acreditar no deus antropomórfico descrito na bíblia, e nem nenhum cientista digno do nome poderá evitar a questão óbvia de a Física perder a sua validade fora dos limites do Espaço e do Tempo que podemos medir. As grandes e inevitáveis questões “o que havia antes? o que há para fora? porquê estas leis e não outras?” não têm resposta na Teoria das Supercordas nem na Cosmologia pós-Einsteiniana nem na Mecânica Quântica, e acho que nunca terão.

Da mesma forma, também não faz sentido exigir de uma compilação de textos escritos por pessoas que pastoreavam cabras e acreditavam em milagres que forneça uma explicação credível da origem e evolução do universo, principalmente quando essa compilação apenas se preocupa com o umbigo da Humanidade…

Cada macaco no seu galho. Precisamos tanto de metafísica como de ciência para satisfazer o ser humano. As pessoas que procuram uma resposta simples que tudo justifique são preguiçosas e/ou medrosas e arriscam-se a obtê-la: “42“.

Só é pena as religiões estarem dedicadas à política e à gestão de (e competição por) almas, em vez de propiciarem o avanço da Humanidade em direcções nobres, como por exemplo uma melhor integração com o nosso planeta e a bioesfera da qual fazemos parte…

Acredito que o verdadeiro cientista tem de contemplar Deus no final das suas contas, como força criadora e justificadora de tudo o que observamos, medimos, e modelamos. Mas também acredito que quem procura a verdade absoluta nos escritos bíblicos (ou no al-corão!) está a bater claramente na porta errada. Ambas as faces se completam, e a interpretação é pessoal e deveria ser intransmissível (apesar dos esforços titânicos de ambos os campos).

Creacionistas: vejam lá se crescem e aprendam a pensar.

Darwinistas radicais: deixem lá de ser mauzinhos e reconheçam os limites da ciência.

No meio está a virtude.

~ por Vasco Névoa em Dezembro 4, 2009.

2 Respostas to “Introspecções”

  1. Ainda não vi esse documentário, mas confesso que até á pouco tempo após ter visto um documentário sobre a teoria do criacionismo quase fiquei inclinado a passar a a ser um… Recentemente li e ainda estou a ler um livro “The Blind Watchmaker” que expõe exactamente essa problemática, recomendo …

  2. Tal como Isaac Newton o fez.

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