Liberdade, a quanto obrigas

O Irão continua debaixo da opressão de um ditador, e a Internet por lá continua censurada e vigiada “em nome da lei”.

Há quem se insurja contra este estado de coisas, mas quando todos os meios de comunicação estão vigiados é extremamente arriscado falar contra um Estado ditatorial, e as consequências são graves para os apanhados.

É por estas razões que tanto admiro os projectos de anonimidade e anti-censura na Internet.

Por um lado, temos o velho TOR (The Onion Router), um autêntico labirinto encriptado que esconde o nosso tráfego e fá-lo aparecer magicamente noutra região do globo. O sistema tem as suas fragilidades, como por exemplo alguns servidores proxy falsos (tomados pelo “inimigo”) e alguma facilidade em ser bloqueado, mas mesmo assim é uma boa escolha. O funcionamento da rede TOR é descrito no romance “Little Brother” que já aqui comentei, mas também está na Wikipedia.

Por outro lado, temos novas opções a emergir, como é o caso do “Haystack” que promete complementar o TOR de forma a impedir o bloqueio e a detecção e a manter uma privacidade à prova de bala. Os pormenores técnicos não estão disponíveis, nem estarão enquanto que a situação socio-política estiver “quente”, mas dada a descrição que aparece no site deles eu aposto que é uma implementação de mais uma criação fantástica que aparece no romance “Little Brother”: a rede ParanoidXbox. De cada vez que vejo a ficção científica dar origem à realidade, sinto orgulho em ser geek.🙂 Quem quiser auxiliar esta causa, pode doar as “USB Flashdisk” (126MB ou maior) que tenha na gaveta, para que eles possam distribuir este software pelos Iranianos. Este movimento de resistência também está no Twitter, para quem quiser acompanhar.

Outra rede de proxies para túneis secretos foi fundada por Eric S. Raymond após o homicídio mediático da cidadã iraniana Neda, dando origem à NedaNet.

E para o uso anónimo dos canais IRC, há também o projecto “Anonymous Iran“.

O povo Persa é de grande valor social e cultural, apenas a cúpula está podre. Espero que melhores dias venham aí, para o bem de todo o mundo…

~ por Vasco Névoa em Outubro 2, 2009.

Uma resposta to “Liberdade, a quanto obrigas”

  1. Infelizmente, o Haystack acabou mal. Muito mal. Aparentemente, por causa da sede de fama do seu promotor. Que grande asneira, e que grande tristeza. O mundo ficou mais pobre por isto. Espero que alguém com as capacidades necessárias tenha a inspiração de acabar o trabalho.
    http://blogs.computerworlduk.com/simon-says/2010/09/burning-haystack/index.htm

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: