O meu primeiro híbrido :)

Finalmente comprei a bicicleta com assistência eléctrica.🙂

Depois de muitas lojas, fornecedores, e até leilões on-line correr, acabei por encontrar o meu fornecedor por mero acaso no meio do ISEL.

As bicicletas eléctricas que tenho visto padecem sempre de algum mal: ou são demasiado rascas na construção, ou são excessivamente caras sem nada que o justifique, ou têm um bom preço e qualidade mas contêm erros de engenharia básicos. Por isso quando vi esta, fiz marcação cerrada ao proprietário (que também é o vendedor) para que me arranjasse uma o mais depressa possível. Tive de a ir buscar a Cascais, mas valeu a pena.

Eis aqui a bichinha… modelo M1.

NewElectricBike

Hoje houve um encontro de colegas da minha empresa no parque ribeirinho da Barquinha. Estavam lá mais de 50 pessoas, e quase 20 delas quiseram dar uma voltinha na bike. Todos se surpreenderam, fosse pela aceleração de arranque ou pela facilidade de pedalar. Quantos irão converter-se à mobilidade eléctrica?… não sei, mas valeu a pena tentar.🙂

Delfim, da MVP (Mobilidade, Veículos não Poluentes, Lda.) que me vendeu o veículo, foi extremamente simpático e tivemos muita oportunidade de conversar sobre o estado do mercado, a nossa paixão por pedalar, e também um pouco da tecnologia das bicicletas eléctricas e da influência Chinesa. Deu para ver que a MVP está intensamente envolvida no desenvolvimento não só do mercado europeu mas também dos próprios produtos tecnológicos, tendo algumas parcerias com o ISEL e a Faculdade de Belas Artes. Por isso espero grandes coisas da MVP no futuro.

Aquilo que me convenceu a comprar esta foi o posicionamento correcto dos componentes: a bateria ao centro, em baixo; e o motor na roda traseira. Ah, e o quadro em alumínio, que ainda por cima não é feio nem mariconço.😉 Só é pena o controlador electrónico estar junto ao chão, vamos lá ver como é que ele se comporta com a chuva e as poças de água. De resto, é quase uma “hardtail” semi-rígida perfeitamente banal, e talvez passe despercebida o suficiente para não ser vandalizada nem roubada com facilidade. A bateria está trancada com chave ao quadro, e é muito simples de tirar e pôr (para levar para casa e carregar). E leve (pouco mais de 3 kg).

A caixa de carga traseira não me agrada nada (e não aparece na foto), mas como foi uma oferta não vou falar mal. Eu preferia os alforges, mas estão esgotados neste momento. Vou ter de passar na Decathlon, parece que lá há uns porreiros.

Uma coisa que surpreende ao arrancar é o forte binário disponibilizado pelo motor eléctrico. Nunca pensei que 250W pudessem esticar tanto.🙂 As ruinhas inclinadas de Cascais não foram grande oposição para esta máquina, que tira a transpiração ao acto de pedalar. É curioso observar como funciona o controlo electrónico: arrancamos do zero, e após pedalar durante 1 ou 2 segundos, o motor entra. A aceleração eléctrica é franca, e todo o esforço de arranque é feito pelo motor eléctrico; à medida que a velocidade aumenta, o motor vai diminuindo a sua contribuição gradualmente até nivelarmos na velocidade de cruzeiro (que ainda não medi, preciso de passar o velocímetro para esta bicla). Aí apenas as pernas trabalham. Mas se a velocidade cair, o motor auxilia logo. Ao travar, o motor é cortado. E se deixarmos de pedalar, também. Assim o exigem as normas europeias.

A suavidade de entrada/saída da força eléctrica é relativa; penso que pode ser melhorada, mas a actual implementação é suficientemente boa e habituamo-nos muito depressa. Torna-se bastante agradável conduzir isto, apesar de ainda só ter feito uns 3 km nela. Voltarei a falar sobre ela quando tiver mais experiência.

O meu preço foi promocional: 1200€. Ele tenciona vendê-la por 1450€, o que eu considero demasiado alto para o produto que é. Ainda não sei exactamente qual é o tipo de célula que está dentro da bateria, apenas sei que são de Lítio. A bicicleta base é bastante boa, mas os acessórios (luzes, espelho, caixa de carga) são muito baratos e não justificam o preço. Porém, dado que o modelo ainda está a ser activamente trabalhado, penso que num futuro próximo poderá justificar o preço. Entretanto, a MVP tem outros modelos disponíveis por preços mais baixos, é uma questão de falar com eles, ir lá ver, e dar uma voltinha. Eles são muito abertos, aproveitem.😉

Agora só preciso encontrar um caminho para o trabalho à volta das malvadas obras da CRIL… Acho que Monsanto é uma boa ideia.😉

~ por Vasco Névoa em Setembro 15, 2009.

10 Respostas to “O meu primeiro híbrido :)”

  1. Olá Vasco,

    Depois de teres ajustado o selim para a altura mínima🙂, lá fui eu dar uma voltinha e adorei. Realmente pensar que podemos vir para o trabalho, aproveitar a natureza, o ar livre e sem precisar de voltar a tomar o banho matinal…É uma qualidade de vida que deveríamos adoptar.
    Foi uma ideia muito boa teres levado e teres feito uma propaganda tão boa…

    Obrigada

    • É.. só é pena haver tão poucas ruas compatíveis com o ciclismo em Lisboa. É claro que a questão da segurança nem se punha, se a malta conduzisse os automóveis com mais atenção e respeito; mas como isso ainda vai levar muito tempo a conseguir, temos mesmo de inventar caminhos melhores. A grande vantagem destas bicicletas é que nem sequer temos de fazer o caminho mais curto: podemos sempre arranjar alternativas mais seguras e agradáveis, mesmo que com subidas, pois a bateria está lá para nos dar a mãozinha quando é preciso.😉

  2. Excelente mesmo. Agora só falta a mentalidade cívica de respeito por todos que andam na estrada. Desde peões, ciclistas, motociclistas e automobilistas… todos os dias assisto a cenas bem tristes oriundas de todos eles.
    Deviam todos ir fazer um estágio obrigatório, conduzindo um veículo diferente todas as semanas, para terem a real noção do que é estar “do outro” lado das coisas.

    Bastaria civismo e bom senso, mas parece que até isso é algo bem raro no nosso país…

  3. Parabens pela aquisiçao !
    ficou-me uma duvida, qual o tempo de carga e a autonomia da bateria??

    • O tempo de carga é o típico das baterias de lítio: cerca de 4 horas.
      Quanto à autonomia, isso é muito mais difícil de responder, pois depende muitíssimo da utilização. O fornecedor disse-me “em média 50km”, mas já se sabe que valores médios leva-os o vento.🙂
      Eu vou tentar compilar esses dados e quando os tiver ponho-os aqui.

  4. É bem gira, depois do que tinhas contado pensava que fosse um pouco diferênte, o motor estar no cubo? Tirando a bateria a bicicleta deve de ficar muito discreta.
    Tem muito bom aspecto.

    Parabéns pela compra.

    • Sim, o motor está no cubo da roda traseira. É tão pequeno que a maior parte das pessoas nem percebe onde ele está. As 6 mudanças de carreto entram muito bem, o sistema Shimano é leve como uma pena. É como disse, conduzi-la é uma brisa.🙂
      O travão traseiro é do tipo “V” e o dianteiro é de disco, ambos accionados por cabo de aço tradicional. Curiosamente, as alavancas de travão vieram montadas ao contrário (a esquerda trocada com a direita), o que é melhor para quem está habituado às motas, mas eu não gosto nada pois estou muito habituado ao esquema da bicicleta. Assim que tiver tempo vou destrocá-las de modo a ter o travão traseiro outra vez na mão direita. Gosto pouco de surpresas com travões…

  5. Boas!
    Encontrei este post por acaso através do google. Tava a pensar em comprar uma bicicleta eléctrica, no entanto tenho as seguintes duvidas:
    *- Os 250Watts dá para subir ladeiras com qto de inclinacao?
    *- É possível depois mais tarde, fazer a substituicao total de todos os componentes eléctricos(motor, baterias)?
    *- Qual o peso da bicicleta?
    *- Viste os KITS de conversão?O que achaste deles?
    Tou com medo de que 250w não cheguem para as subidas daqui, e tenho tb medo que a bateria fique viciada…

    • *- Os 250Watts dá para subir ladeiras com qto de inclinacao?
      Isso é discutível, pois depende do peso do condutor, da velocidade inicial, e de quanto estamos dispostos a pedalar. Se a intenção é deixar que o motor eléctrico faça o trabalho todo, então é bastante limitado: eu diria que a inclinação máxima se fica pelos 15~20 graus, talvez 30 para um condutor leve. Mas se nós pedalarmos normalmente e apreciarmos a ajuda que o motor nos dá, então podemos atacar subidas bastante mais íngremes. No meu caso, tenho uma subida de cerca de 45 graus no meu caminho diário que esgota completamente a potência do motor e também das minhas pernas em 1ª mudança. Mas isto não é nada normal, e o comum é andarem pelos 30 graus…

      *- É possível depois mais tarde, fazer a substituicao total de todos os componentes eléctricos(motor, baterias)?
      Sim, a construção das bicicletas é simples o suficiente para permitir isso. Neste caso, o controlador electrónico e a bateria estão bem integrados no quadro, mas não me parece difícil trocar por outros. Só a bateria pode ser mais problemática por causa das dimensões e peso – convém que seja muito similar à original.

      *- Qual o peso da bicicleta?
      Infelizmente não tenho essa informação. Mas é pesada, talvez uns 30kg com bateria. Hei-de pesá-la quando tiver oportunidade.

      *- Viste os KITS de conversão?O que achaste deles?
      Vi muitos por essa net fora. Ou são rascas e não dão garantia de segurança e fiabilidade da bateria, ou então são caros demais, quase tanto como uma bicicleta inteira. Para além disso, sobra o problema de “onde meter a bateria” e como fixá-la. Por isso preferi comprar uma feita em vez de converter eu.

      *- Tou com medo de que 250w não cheguem para as subidas daqui, e tenho tb medo que a bateria fique viciada…
      As baterias de hoje em dia não viciam. O efeito de “memória” que tanta gente teme apenas acontecia nas baterias NiCd (Níquel-Cádmio), que por razões de toxicidade foram proibidas há anos. Hoje em dia temos duas escolhas de bateria em bicicletas e scooters: Chumbo-Ácido e Lítio (a minha). As de Chumbo são mais baratas mas levam pouca carga e pesam imenso, mas se bem tratadas duram mais de 4 anos (talvez 5 ou 6). As de Lítio são mais caras e leves e têm uma boa carga útil, mas degradam-se com o tempo e o calor. Se bem tratadas, talvez cheguem aos 4 anos, mas o previsto é à volta de 3. Não se pode comparar a nossa experiência com baterias de Lítio em computadores e telemóveis, pois esses aparelhos aquecem as baterias demasiado, o que lhes tira vida muito rapidamente.

      Quanto às inclinações… o motor eléctrico é como um bom amigo: está lá para nos ajudar nos momentos mais difíceis.🙂 Com isso ficamos com mais energia disponível para tudo o resto. Toda a gente que experimentou ficou bem impressionada, e eu aprecio muito este tipo de veículo híbrido, mesmo com a limitação de potência (que é obrigatória por lei).

      • Fiz vários testes de autonomia com esta bicicleta, usando a bateria desde completamente carregada até o controlador cortar a corrente.
        A conclusão, pelo menos para os percursos que eu faço, é que a bateria aguenta 35 km, o que é perfeitamente suficiente para um dia.

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