Mecatrónica

Hoje um antigo colega enviou-me um link da Wikipedia sobre o nosso curso. É curioso que ainda hoje temos alguma dificuldade em explicar às pessoas “O que raio é a Engenharia Mecatrónica?”…

Nem a página Brasileira nem a Inglesa são capazes de traçar uma imagem simples e definida desta Engenharia; Este é um caso em que um desenho vale mil palavras:

mecatronica-wikipediaA resposta à pergunta é então inevitavelmente aquela que eu acabei por sintetizar ao cabo de algum tempo: “Máquinas. Todas as máquinas e sistemas tecnológicos modernos.” (e também os antigos… as máquinas eléctricas já têm 200 anos…)

Ora, isto não é nada prático na “vida real”; se dizemos uma barbaridade destas numa entrevista de emprego, é inevitável que o potencial empregador fique com a ideia que temos a mania que somos “super-engenheiros”… na melhor das hipóteses, ficam com a impressão que somos demasiado dispersos e que não temos nenhuma capacidade específica particularmente desenvolvida. Foi isto que me levou em 1998, acabadinho de sair da licenciatura, a ingressar na indústria do software, e mais tarde a “fazer agulha” para os Sistemas Embebidos: a informática era de longe a minha melhor “arte” naquela altura, e não era provável encontrar um trabalho “mecatrónico” em Portugal que me pagasse a casa.

Passados 11 anos, eis que me vejo ainda e sempre com o mesmo dilema: onde encontrar a Mecatrónica na indústria real, sem ter de passar fome ou emigrar para outro país com uma mentalidade mais aberta e um tecido económico mais “mexido”?

A resposta começa agora a aparecer, não por ter mais experiência profissional/industrial mas sim por continuar a observar o enorme vácuo Português no que toca a empresas inovadoras: os bons exemplos tecnológicos neste país são realmente excelentes e excepcionais, mas contam-se  pelos dedos das duas mãos. Será por sermos pequeninos (~10 milhões)? Não creio.

Juntamente com esta observação aparece outra: há muitas outras pessoas como eu e os meus colegas de curso por aí fora – inventores de garagem, engenheiros electrónicos de sótão, “hackers” da 1:00 às 3:00 da matina… são pessoas que vivem duas vidas em simultâneo: a possível (e obrigatória) e a desejada (e nunca satisfeita), tal como o Neo à procura do seu Morpheus através de uma Matriz de necessidades básicas diárias e obstáculos impostos externamente.

O que eu penso que faz falta é uma alteração fundamental da nossa maneira de pensar. Nós, Portugueses, estamos habituados a Reagir, em vez de Agir. Esperamos que aconteça, em vez de Fazer Acontecer. Será o efeito do Estado-Providência? Será um legado do Pós-25-de-Abril? Será preguiça? Será medo? Ignorância? Francamente, não sei nem me interessa. Estou-me borrifando para aquilo que existe agora; os meus olhos estão sempre postos no futuro, e naquilo que cada um de nós pode fazer para alterar esse futuro. Acredito que é mudando o pequeno cantinho à nossa volta que mudamos o mundo por inteiro – porque a determinação e a amizade são coisas muito contagiantes.🙂

Portanto, faço um desafio aos que me lêem com a mesma ressonância de alma: levantem o rabinho da cadeira e arrisquem. Estamos em crise? E depois? Não sabem que é precisamente em crise que se fazem os investimentos críticos? Que é nestas alturas más que se aproveita para fazer um profundo e honesto balanço à vida, e que se tomam aquelas decisões difíceis que andávamos a evitar à anos? O que temos a perder? Um par de anos de “cinto apertado”? Mais vale ir à batalha! Se correr mal, ao menos temos a satisfação de saber que somos os únicos responsáveis pela nossa infelicidade, e que demos tudo por tudo – e portanto temos o enorme prazer de nos sentirmos realmente vivos.  Se correr bem, temos 10 vezes mais prazer de viver.🙂 Está na altura de largar o tal pássaro que temos na mão (coitado, já deve ter sufocado, tão apertadinho que está) e de lançar as mãos aos outros que voam por cimas das nossas cabeças todos os dias!

É claro que estas mudanças não se fazem sem planeamento e cuidado. Outra coisa seria contra-producente e estupidamente perigosa. Aquilo que estou a dizer é: aproveitem as oportunidades! Usem os apoios que existem! Há MONTES de iniciativas por aí a dar dinheiro e outros apoios a quem quer arriscar. Ninguém tem de arriscar sozinho, nem deve! Acima de tudo, é necessário encontrar outras pessoas com os mesmos interesses, e com elas construir algo de novo. A “nossa coisa”, seja ela qual for.

Nem todos os produtos ou serviços têm de ser vendidos em “larga escala” ou a “preços de nicho”; um negócio pode e deve ser o reflexo do nosso gosto pela vida!!! Acredito profundamente que o dinheiro é uma consequência natural de um negócio que se faz por prazer: se temos realmente gosto numa actividade, é inevitável tornarmo-nos bons nisso, e isso reflecte-se na carteira de clientes. Há demasiada concorrência? Não há problema, escolhe-se uma forma diferente de estar no mercado – afinal, ninguém é igual a outrem. Só quando tentamos copiar  os sucessos do outros é que temos problemas de concorrência. O melhor é nem ir por aí, e pensar sempre pela própria cabeça. Aprender com os erros dos outros, sim, mas fazer sempre à nossa maneira. O gosto pelo próprio trabalho e o respeito e até amizade pelos clientes é a melhor receita para o sucesso.

Posto isto, resta-me dizer a todos os inventores de garagem por este país fora: Falem uns com os outros!! Reunam-se!! Unam-se!!! Projectem!! Partilhem!! Arrisquem!! Juntem-se!! Executem até ao fim!!

Não podemos continuar “orgulhosamente sós”, cada um na sua, a desperdiçar as oportunidades.

E que oportunidades?… Isso agora cada um escolhe a sua comunidade… Lembrem-se: a chave é a interacção!

http://novaenergia.net/forum/

http://www.tecnet.pt/portugal/23622.html

http://www.pofc.qren.pt/

http://www.gppq.mctes.pt/

http://cordis.europa.eu/themes/home_en.html

~ por Vasco Névoa em Abril 2, 2009.

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