Contacto

Acabei de rever um dos meus filmes preferidos de todos os tempos: “Contacto“.

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Apesar da cinematografia ser um pouco forçada e as prestações de Jodie Foster e Matthew McConaughey não serem das melhores na história do cinema, há várias coisas neste filme que o tornam um clássico.

Uma delas é o facto da história ter sido escrita por Carl Sagan, esse grande divulgador científico que também escreveu e apresentou o show “Cosmos” na década de 80 (que eu devorava em frente à TV com apenas 10 anos, e me fazia sonhar e fazer perguntas que ninguém sabia responder – algo que ainda hoje marca a minha presença como incómoda em muitos meios😉 ). Todo o filme gira à volta da frase “If we are alone, it’s an awful waste of space!”, e a equação de Drake aparece várias vezes. A mensagem do filme é uma observação tão básica e fundamental que muitas vezes me confunde como é que ainda há pessoas que não compreendem isto: a Religião e a Ciência são duas faces da mesma moeda, e ambas procuram a Verdade. Os melhores resultados surgem quando ambas as disciplinas juntam esforços.

Outra coisa é a sequência de abertura do filme, que muito mais do que uma bela simulação gráfica de todo o universo conhecido, é um engenhoso documento da história da humanidade desde a invenção da Rádio no século 19. A abertura junto à superfície da Terra, com todo o ruído rádio que é normal haver (incluindo a música pop dos anos 90, contemporânea ao filme), seguida da viagem para além da nossa Lua e passando por cada um dos planetas do nosso sistema solar, sempre retrocedendo no Tempo e portanto respeitando a relação entre Espaço e Tempo que a velocidade da luz estabelece, é algo de enorme beleza. O facto de as nossas primeira emissões de rádio (em código Morse) ainda não terem chegado à orla da nossa própria galáxia dá muito que pensar na Equação de Drake…

E depois há sempre o próprio som da “mensagem de Vega”. Ainda hoje me causa arrepios. Toda aquela descoberta do sinal, desde os impulsos em números primos, aos conteúdos analógicos e digitais em harmónicas portadoras diferentes, passando pela codificação da informação de forma tridimensional e a descoberta do alfabeto para ler a mensagem (reminiscente desse outro grande clássico: “Gödel, Escher, Bach“), enfim, é um prato cheio para qualquer engenheiro ou cientista.🙂 É sempre uma bela história.

Chuif…. nostalgia.

Sou de opinião que a prova cabal de que existe mesmo inteligência extra-terrestre é que eles ainda não tentaram contactar-nos.😉

~ por Vasco Névoa em Fevereiro 15, 2009.

4 Respostas to “Contacto”

  1. boas Vasco, não sei se leste o livro do Carl Sagan, eu tb sou um fã, tenho todos os livros dele, creio que só me faltam dois…

    e o fim do livro é diferente do filme…

    não digo nada pq não sei se leste o livro.

    qto a não nos terem visitado, bom, há quem discorde já leste alguma coisa sobre a Suméria e os Anunnaki?

    cumps,

    rjnunes

  2. Fechaste com uma frase espantosamente perspicaz :)!

  3. Gosto do filme, mas tanto o livro como a opinião do Sagan são/eram bem diferente da tua (e da do filme, feito para a América fundamentalista) em relação à religião…

    Inquérito livre, respeito total pelos factos e ausência de dogma são o oposto — e portanto, IMO, incompatíveis — com autoridade “divina”, fé e conhecimento através de “revelação”.

  4. É mesmo um filme que dá para pensar.

    Ainda me lembro perfeitamente dos documentários “espaciais” de Carl Sagan que passavam na TV, e esse filme é uma boa homenagem à sua obra…🙂

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