Moko-update. 1a semana.

Nada de grandioso se tem passado por aqui. Consegui dominar a configuração do bootloader “u-boot” o suficiente para estabelecer 4 opções de arranque:

  1. boot from NAND flash (o sistema original OM2008.4 gravado em fábrica);
  2. boot from SD card partition 2 (onde meti o OM2008.8 “ASU”);
  3. boot from SD card partition 3 (onde está o “FSO”);
  4. boot from SD card partition 4 (onde estava o “Qtopia”).

A primeira partição do “SD card” tem apenas 10MB e contém todos os núcleos (“kernels”) necessários para arrancar os sistemas instalados no cartão. As outras dividem os restantes 502MB do cartão original igualmente.

O hardware

O GSM parece perfeitamente normal. Fiz um par de chamadas com ele, só para ver se tinha algum dos problemas de ruído ou interferência que passaram na lista da Comunidade, mas correu na perfeição. Ainda não tentei sequer activar o GPRS – entretanto o acesso à internet pode ser feito por USB, WIFI ou Bluetooth e portanto vou deixar esse problema para mais tarde…😉

O (A)GPS funciona bem, mas cada vez que se arranca o bicho é preciso esperar muitos minutos até ele obter o primeiro “fix”. Isto é uma “característica” presente em todas as versões de SW, pois por enquanto ainda não existe nenhuma maneira simples de guardar a informação de almanaque de GPS (ephemeris e etc.) entre arranques, e portanto o HW tem de fazer um “deep cold boot” de todas as vezes que é usado. Esperemos que alguma alma caridosa se disponha a implementar isto para termos um arranque em 20 segundos conforme anunciado. O TangoGPS é essencial para tirar partido do HW, e tem a característica simpática de poder publicar a nossa posição na internet (e mostrar as posições de outras pessoas no nosso écran). Por isso malta, não se acanhem, registem-se no TangoGPS e mostrem onde andam! Se não publicamente, ao menos aos amigos!🙂

O Wifi também funciona, apesar de não existir uma GUI simpática para seleccionar e activar redes. Bom, por acaso até há (o “Mofi” e o “Lint-wifi”), mas são “beta releases” e até agora não consegui grandes resultados com elas… restam os bons ficheiros /etc/wpa_supplicant/wpa_supplicant.conf e /etc/network/interfaces para dar o lamiré aos “daemons” do sistema. Com isso configurado, é simples fazer “ifup eth0” e ter acesso às redes wifi.

Quanto ao bluetooth, ainda não experimentei. Poderá ser uma solução temporária para quem tem pressa em usar o Neo como interface de GPS e tem um receptor GPS bluetooth que arranca rápido (como eu)… pode-se sempre ignorar o GPS embutido no Neo e ligar um GPS externo. Mas isso era ir pelo caminho fácil!!!…😉

Os acelerómetros ainda estão em quarentena… não sei até que ponto são bons ou maus, pois nunca tive nada assim. Sei que funcionam, pois o pacote “Gestures” cumpre os seus requisitos (pelo menos reorienta o écran quando eu rodo o telefone). Infelizmente os “daemons” do Gestures ainda precisam de trabalho (perdem contacto com o HW após um “suspend/resume”), mas isso era esperado já que este software é novinho em folha e ainda está em pleno desenvolvimento – tal como o kernel do openmoko. Acho que há algumas boas sugestões de utilização quotidiana dos acelerómetros, mas a maior parte delas são para ignorar, sob pena de parecermos um macaco maneta a tentar dançar o flamenco…😀

Qtopia

Experimentei o “Qtopia” durante uma meia-hora, não mais que isso, e pareceu-me bastante sólido e utilizável. Para quem precisa de um telemóvel a funcionar “out-of-the-box”, este é o sistema a escolher. No entanto, não me parece que seja essa a intenção do dono de um Neo… e nem que a Trolltech vá dar grande suporte ao Neo. Por isso não é uma distribuição interessante para mim. Não tem qualquer suporte das funções avançadas, como GPS e acelerómetros, nem prevejo que venha a ter, pois não há grande envolvimento com esta plataforma por parte da comunidade. Assim que precisei de espaço no cartão, esta partição saltou fora😉 .

OM Framework (“FSO”)

Este sistema não tem nada a oferecer ao utilizador comum para além de chamadas telefónicas e sms. No entanto, é o melhor para desenvolver aplicações móveis. Foi criado como uma “tela de pintura” em branco para os artistas do software poderem expressar os seus sonhos de mobilidade inovadora. Para quem está preocupado com pormenores como o suporte de toolkit gráfico (GTK, Qt, ou E17?), não há problema, este sistema suporta tudo para que o pessoal não tenha de fazer compromissos. Toca a “pintar” essas ideias no moko, malta!!

FSO quer dizer “FreeSmartphone.Org” e baptiza este sistema porque ele contém uma implementação das APIs “DBUS” deles. Para quem anda à procura de uma plataforma de desenvolvimento móvel (tipo Google Android ou aquele outro sistema que já não me lembro o nome, mas sem “Java”rdice nem “pontoNET”ice), esta é a aposta certa!!!🙂 A integração de todos os serviços presentes em dispositivos móveis num só “bus” virtual é uma revolução da área que promete revolucionar também o mercado… assim espero! 8)

Ainda por cima pode-se desenvolver em Python com acesso total aos serviços gráficos e de periféricos… que mais querem???

O repositório contém as imagens de sistema e os pacotes ainda em desenvolvimento e como tal sujeitos a auto-destruírem-se e a pegar fogo ao pêlo do gato. No entanto, pode-se carregar uma das imagens “seguras” das “milestones” do projecto se se quiser uma base perfeitamente estável.

Na imagem de teste mais recente (20-agosto) está presente o excelente jogo “Numpty Physics“, que é um belíssimo quebra-cabeças.

OM2008.4 (“GTK”)

O sistema que veio de fábrica tem-me espantado. Não só me parece bastante estável e utilizável, como tem sido actualizado pela OpenMoko. Tem certamente havido actualizações de pacotes no repositório (principalmente o kernel, bootloader, e drivers). Contrariamente ao que se tem dito, penso que este é um sistema viável para utilizar o Neo FreeRunner quotidianamente. Aconselho vivamente que se siga o guia para tirar o maior partido deste sistema de software.

As coisas que gosto neste sistema:

  1. Os botões de hardware estão muito bem utilizados. Um toque curto no “power” mata a aplicação em “foreground”; um toque curto no “aux” manda-a para “background” ou trá-la de volta a “foreground” (é o equivalente ao “Alt+Tab” do windows); um toque longo no “power” chama o menu de gestão de energia, onde se permite ligar e desligar todos os emissores/receptores (GSM, GPS, bluetooth, Wifi) e também alterar a gestão de energia ou desligar completamente o sistema (shutdown); um toque longo no “aux” chama um menu de conveniência com as opções de rodar o écran, aumentar o espaço do écran (fullscreen), e capturar uma imagem do écran.
  2. O estado dos emissores/receptores aparece no topo do écran.
  3. O design é muito simples e intuitivo q.b., sem ser impeditivo de trabalhar😉 .
  4. Parece funcionar perfeitamente como telefone (voz + sms) e GPS.

Tenho usado este sistema como a minha “base segura”, evitando fazer muitas alterações. É o sistema que me permite entrar no telefone por SSH e trabalhar o cartão SD à vontade. No entanto, parece-me bastante completo e funcional em autonomia. Só é pena não ter um instalador de aplicações. Temos de instalar e actualizar o SW sempre através da linha de comandos, que neste caso só é praticável através de SSH (o teclado deste sistema é apenas utilizável dentro do contexto de um telefone; nem pensar em dar comandos de terminal com algo tão limitado…). Pode-se instalar outro teclado “querty” completo, mas ainda não experimentei.

OM2008.8 (“ASU”)

O design é muito diferente (tem um estilo mais espartano, é assim a atirar para o iPhone), mas acho que a usabilidade está parcialmente comprometida, embora ainda assim prometa. Este sistema já permite aplicações de todos os toolkits gráficos (tal como o FSO), mas ainda tem os “daemons” genéricos presentes na primeira versão. Quando o projecto FSO estiver terminado, a “framework” será integrada neste sistema.

Coisas boas:

  1. Tem um instalador de aplicações, que está vocacionado para os pacotes “macro” de aplicações. A instalação directa de pequenos pacotes ou componentes que não estão presentes no repositório continua a ser possível através da linha de comando.
  2. Tem um teclado virtual fenomenal (o mesmo que o FSO), com 3 modos diferentes incluindo um apropriado para o trabalho em linha de comandos.🙂 Com um estilete (“stylus”) até se consegue fazer trabalho sério. No entanto, mais do que 10 minutos nesta consola microscópica é um martírio para os braços e para os olhos, por isso só uso em caso de necessidade absoluta (o que acontece frequentemente quando se mexe nas configurações de rede e lá vai ao ar a conexão SSH com o PC).
  3. O pacote “Gestures” funciona bem logo à partida. Não sei porque não funciona no 2008.4, mas também não vou perder tempo com isso.

Faltou…

Falta agora experimentar o Debian Linux, que também já pode ser instalado no Freerunner. Mas para isso é aconselhável um cartão de 1GB, que ainda não tenho. Ter um sistema de PC completo no telefone é um bocado “overkill”, mas o facto é que oferece novas possibilidades…

Conclusões

O Openmoko ainda não é o “iPhone killer” como muitos fanboys disseram. Mas para lá caminha, e por dois caminhos diferentes: por um lado, as versões de software disponível estão a evoluir a uma velocidade estonteante e prometem dentro em breve concorrer directamente com a usabilidade ao nível da Apple (mas com muito mais flexibilidade de escolha); por outro lado, estão a estender-se as fundações para um novo ecossistema móvel com base numa framework universal (não só para os telefones da FIC, mas para qualquer sistema móvel que corra Linux) que tem um enorme potencial. Potencial esse, do qual os developers e empresários mais astutos saberão tirar partido…😉

Happy Hacking!

~ por Vasco Névoa em Agosto 21, 2008.

4 Respostas to “Moko-update. 1a semana.”

  1. hehehehe excelente post Vasco😀 Também ando perdido nas teias do meu PDA, mas de um ponto de vista de utilizador e não de developer como tu.

    No entanto há 2 oportunidades que apesar de pouco eficientes prometem:
    – já fiz uma aplicaçãozinha de teste em .NET para ele, e verifiquei que desenvolver para ele é na boa🙂
    – já testei umas aplicações que correm em cima do Flash Lite. Ainda está lento, mas para aplicações gráficas, parece muito interessante!

    Sim já sei, para um open-source freak como tu, não parece interessante. Fica atento a um post que tenciono fazer brevemente no meu blog sobre algum free software disponível para um Pocket PC😉 encontrei umas coisas giras!

  2. […] actualizou o seu blog com um artigo sobre a sua primeira semana com o telemóvel de Software Livre. Ele já esteve a fazer montes de experiências, e relata a sua opinião sobre várias imagens de […]

  3. Oh Ricardo: tás enganado, eu não ando a mexer no Neo como developer; é definitivamente como “power user”!!!
    Não tenciono nos próximos tempos contribuir com uma única linha de código; tenho outros projectos mais importantes para mim, como sabes.
    No entanto, quero pertencer à comunidade activa de utilizadores, ajudar no debugging, contribuir socialmente… e fazer deste gadget o melhor PDA-telefone-GPS à face da Terra!!!😀

  4. Tenho uma proposta muito interessante: queres trocar o teu Freerunner pelo meu Nokia 6630? Eu fico a perder, mas não me importo.😛

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