2010: Odisseia do Híbrido

Tudo leva a crer que 2010 (e o ano anterior e subsequente) trarão a tão prometida mudança paradigmática do mercado automóvel: a generalização dos híbridos e a popularização dos carros eléctricos.

Senão, vejamos:

2008, 1ºT. – A Tesla Motors pôs o seu desportivo eléctrico Roadster à venda nos EUA. Para quem tem electricidade barata e gerada por centrais nucleares ou fontes renováveis, é a solução perfeita: o desempenho de um Porsche com a consciência verde bem limpa.

2008, 4ºT. – A BYD, fabricante Chinês, põe no mercado o F6DM. A transmissão híbrida é do tipo combinado, e pelo menos ao nível conceptual parece uma cópia do HSD da Toyota usado no Prius.

2009, 4ºT. – A Tesla Motors (se não falir antes) junta-se à moda do híbrido de transmissão série e equipa o Tesla eléctrico de família Whitestar com um gerador a gasolina. Um passo de evolução natural e inteligente; Ao inserir um “grupo gerador” optimizado num carro desenhado propositadamente para tracção eléctrica, a Tesla adianta-se 2 anos à maioria da indústria.

2009, 4ºT. – A Fisker Automotive compete directamente (em todos os sentidos) com o Tesla Whitestar e lança o Karma. Transmissão híbrida série, como convém a um excelente carro eléctrico.

2009, ? – A Audi entra na dança da maneira mais fácil: espeta um motor eléctrico no eixo traseiro para fazer companhia ao turbocomprimido do eixo dianteiro, e lança o Metroproject Quattro. É a transmissão híbrida paralela no seu nível mais básico.

2010, ? – A Porsche disponibiliza o seu novo modelo Panamera com uma transmissão híbrida paralela em tudo similar à da Audi. Claro que a potência e sensação desportiva reinam supremas sobre a economia de combustível, tal como no Audi Metroproject.

2010, ? – A Ssang Yong também não quer ficar de fora, e faz o mesmo aos seus mamutes bebedores: o Kiron virá com uma transmissão híbrida paralela parecida com a da Porsche, mas a gasóleo.

2010, ? – A General Motors disponibiliza (se não falir antes) o seu Chevrolet Volt baseado numa transmissão híbrida série, aproveitando o seu “know-how” do EV1 actualizado com a nova geração de baterias de Lítio. É basicamente um “Tesla Roadster” mais pesado mas com um gerador eléctrico em três versões à escolha: motor a gasolina no continente americano (para andar a álcool), motor a gasóleo para a Europa (por causa do Biodiesel), e pilha de hidrogénio para os poucos países norte-europeus em que o H2 “limpo” abunda. Excelente conceito. 20 valores.

2010, ? – A Volvo disponibiliza o seu ReCharge, uma adaptação do C30 (e/ou outros modelos) com transmissão híbrida série e motores-roda. Salvo o pormenor dos motores-roda, a arquitectura interna é igual à do Tesla Whitestar ou do Chevrolet Volt.

2010, ? – A Hybrid Technologies disponibiliza a sua primeira “bomba” superdesportiva ainda sem nome, que será em princípio capaz de envergonhar Ferraris (mais de 600 CV)… Deve ser mais um com transmissão híbrida série, pois será vendido nas versões eléctrico puro ou híbrido, tal como o Tesla.

E mais haverá…😉

Para quem não sabe a distinção entre os 3 tipos de transmissão híbrida (paralelo, série, e combinado), fica aqui a página da wikipédia.

Note-se que todos os veículos aqui listados pertencem à categoria “full-hybrid”, com motores eléctricos com potências comparáveis (ou excedentes) à potência do motor de combustão, e baterias a condizer. Nenhum destes tem sistemas eléctricos “anões” como é o caso dos “micro-híbridos” (sistema “start-stop” da BMW e outros) ou híbridos “assistidos” (Honda IMA, etc.). Essas soluções foram apenas uma “introdução” ao assunto.

Isto é um claro sinal de compromisso da indústria automóvel em fazer a coisa certa: abandonar a relíquia do motor de combustão. O que só será possível se os carros forem primariamente eléctricos, de modo a poderem ter as suas baterias carregadas através do grande conjunto de fontes eléctricas que já estão disponíveis.

Aliás, é assim que eu vejo o futuro próximo: cada continente, cada país, cada região, cada cidade, e até mesmo cada veículo e casa deverão procurar a solução mais apropriada para o seu problema energético, sempre dentro do maior respeito pelo ecossistema local (e também por razões de sobrevivência e economia!!)…

E que melhor maneira de fazer isso, senão utilizar máquinas eléctricas, cuja energia pode ser gerada a partir de todas as outras fontes? Existem efectivamente sistema híbridos com maior eficiência (como os hidráulicos ou os de volante de inércia, por exemplo), mas não oferecem este enorme potencial de limpeza definitiva do planeta – o fim do uso do petróleo.

~ por Vasco Névoa em Junho 3, 2008.

2 Respostas to “2010: Odisseia do Híbrido”

  1. o motor electrico e muito melhor,pouca manutençao economico e dura decadas

    • Pois é, caro Sérgio, mas por razões práticas temos mesmo de passar primeiro pela fase dos híbridos eléctricos.
      Eu fico feliz por saber que os híbridos eléctricos estão a caminho com toda a força, pois isso é um passo necessário para a transformação da rede energética e da mentalidade dos consumidores e dos fabricantes para o acolhimento dos veículos eléctricos puros… que não poderá acontecer da noite para o dia.

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