F.U.D., agora também em versão Open Source…

A Monta Vista Software e a Wind River Systems, os dois líderes mundiais na produção de distribuições Linux para o mercado de sistemas embebidos, optaram por cuspir no prato em que comem, alto e bom som.

Resolveram gritar bem alto para quem quiser ouvir (de preferência os próprios clientes) que o Linux é um péssimo sistema para aplicações embebidas, não por razões técnicas, mas por razões de gestão e operação de negócio: custa demasiado dinheiro e esforço (um “poço sem fundo”, segundo eles) aplicar uma tecnologia em permanente ebulição (um permanente “caos”, nas palavras deles) a um mercado que vive de soluções que se desejam absolutamente estáveis e inexoravelmente fiáveis.

Pois bem… do lado dos profissionais do sector do desenvolvimento destes sistemas (os clientes e concorrência destas duas empresas), não se fez esperar a resposta: estas declarações só podem ser interpretadas como uma manobra de marketing destinada a recuperar clientela. A lógica é: “não se metam nisso sozinhos, vão dar-se muito mal!! Comprem os nossos serviços e soluções, porque nós já resolvemos os problemas por vós!!”. Embora isso possa ser parcialmente verdade (é realmente exigente gerar uma distribuição Linux adaptada a sistemas embebidos fiáveis), é também um “esticanço” enorme da verdade, e apenas pode ser classificado como FUD.

Levando a análise ainda mais longe, atrevo-me a dizer que isto é um bom sinal. Significa que os “incumbentes” (as empresas com o monopólio) estão elas próprias com medo. Medo de perder de vez o mercado que têm vindo a perder gradualmente, por não o saberem cativar. Sim, o problema é complexo: cada vez há mais ferramentas e informação disponíveis no mundo do Linux, e tem-se visto grandes avanços na produtividade das plataformas de desenvolvimento para Embedded Linux, o que faz com que os potenciais clientes se atrevam a prescindir dos serviços destas empresas e arrisquem eles próprios gerar não só o produto como a infraestrutura produtiva.

Em suma, a decisão de usar Linux ou qualquer outro S.O. em sistemas embebidos requer a mesma presença de espírito e bom-senso que qualquer outra decisão de negócio: “o que é que faz sentido aqui? Qual é a melhor solução para o meu problema específico?”

Enfim, dores de crescimento….

Adapt or die!!!🙂

~ por Vasco Névoa em Maio 8, 2008.

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