“Como ficar rico”, parte 2

Aqui há uns tempos eu fiz uma crítica superficial ao livro do Tim Ferriss, “The 4-hour work week“.

Agora atrevo-me a criticar um outro livro do mesmo género: “Cashflow Quadrant: Rich Dad’s Guide to Financial Freedom“.

Foi-me oferecido pelo meu padrinho de casamento, que apesar de mo ter entregue 4 meses depois do meu aniversário, está desculpado pelo valor intrínseco e extrínseco da prenda.😉

Este livro é bombástico e bastante valioso para quem como eu foi educado e treinado para ser um bom “E“, relegando totalmente o controlo do meu próprio futuro nas mãos de outras pessoas… como convém a um “menino bem comportado”.

O que é um “E“? Ah, desculpem, tá aqui a legenda:

Basicamente, a proposta do autor é que não é possível ser financeiramente independente (i.e. “rico”) no lado esquerdo do quadrante (“E” ou “S”), e que estas posições apenas podem oferecer uma vida inteira de escravatura quando exercidas em exclusividade, acabando frequentemente num fim pobre e desiludido que não reflecte o esforço dessa mesma vida. Há que, portanto, abraçar o mais cedo possível o lado direito (“B” e “I”) para termos a hipótese de um dia vir a ser “financeiramente livres” – e aí poderemos fazer todas as coisas loucas que o Tim Ferriss faz todos os dias.🙂

Mesmo que não acreditemos nas teorias de Robert Kiyosaki ou discordemos dos seus métodos, temos que reconhecer que neste livro ele faz uma excelente análise dos vários tipos de pessoas, conforme a maneira de fazer dinheiro que escolhemos. A divisão nesses 4 quadrantes é bastante realista e completa, e ajuda-nos a determinar melhor quem somos e, mais importante, quem queremos ser.

Dou o exemplo de duas noções muito importantes que encontrei lá dentro:

  • Há muitas pessoas que pensam que são um “B” (Business Owner), quando na realidade são um “S” (Self Employed) – isto porque o seu perfeccionismo impele-as a tornarem-se peças do mecanismo, em vez de serem donas do sistema. Assim até podem gerar muito dinheiro, mas nunca serão livres para o gozar, e assim que o tentarem, o sistema desmorona-se.
  • Quando se ouve conselhos de alguém, há que ter em conta qual o “quadrante” em que essa pessoa se enquadra – há muitos “S”e “E” a dar conselhos de “B” e “I”, quando na realidade não têm a experiência necessária que valide esses conselhos. E como se identifica a origem das pessoas? Ouvindo o discurso de cada um! – um “E” privilegia a segurança e a estabilidade actuais, um “S” acha que tem de fazer tudo sozinho senão sai mal feito, um “B” procura as pessoas-chave, estimula-as e lidera-as, e um “I” aposta com tranquilidade num futuro em segurança – e estas atitudes transparecem na escolha de palavras de cada um.

Comparando os dois livros:

  • O “4HWW” é mais actual, tanto na escrita leve como na filosofia mais desapegada; o “RDGFF” é mais chato na sua repetitividade “ad nauseam” do “quadrante”, uma “trademark” que nos é enfiada pela garganta abaixo até nos sair por todos os poros do corpo. No entanto, ambos contêm informação útil, e certamente alimentam os nossos pensamentos por muito tempo.
  • Ambos tentam romper a nossa “pré-programação de fábrica”, quer na sua componente instintiva (medo, preguiça, etc.) quer na formativa (escola, universidade, treino profissional) e abrir-nos os olhos para as outras dimensões da vida – e para os mecanismos de subsistência que muitas vezes pensamos estarem reservados a alguns “sortudos” ou “espertos”.
  • Os conselhos práticos específicos do “4HWW” são completamente actuais, enquanto os do “RDGFF” datam de cerca de 10 anos. Isto implica alguma cautela na respectiva aplicação – mas também já teríamos de a ter, pois o panorama económico norte-americano é diferente do nosso.
  • O “4HWW” despoletou uma série de gatilhos éticos em mim, razão pela qual me estimulou o pensamento mas não teve um grande impacto real na minha vida; O “RDGFF” por seu lado é bastante menos agressivo e mais positivo, focando-se no valor da formação dos indivíduos (nós e os outros) e na melhoria da sua qualidade de vida, tanto durante o processo como depois.

Ainda vou a meio do livro, e já comecei a alterar os meus planos de vida – o livro é extremamente convincente na sua apresentação, mais que não seja porque é uma colecção de “verdades de La Palice” ou “Ovos de Colombo“: coisas em que não costumamos pensar, mas que uma vez explicadas se tornam de tal maneira óbvias e incontornáveis que nos fornecem uma boa base para avançar.

Bom, vou continuar a ler, e recomendo vivamente que o façam também.

Enjoy!

~ por Vasco Névoa em Abril 16, 2008.

2 Respostas to ““Como ficar rico”, parte 2”

  1. Já li tanto o Ferriss como o Kiyosaki. As teorias do segundo são mais estruturantes e, por isso, mais importantes – mas os dois são extremamente úteis para nos desapegarmos do que nos foi incutido e ficarmos com uma ‘verdadeira’ noção das possibilidades.

    É um primeiro passo, tomarmos consciência das alternativas. O segundo, tão importante com o primeito, é criarmos convicções fortes que nos permitam avançar pelo caminho que nos parece o mais correcto. Estou em crer, por aquilo que tem sido a minha experiência de vida e pelo que tenho observado e lido, que é neste segundo ponto que a maioria falha (por vezes também aqui me incluo).

    Para o interessado/curioso poucos segredos ficarão por desvendar mas, no final, a questão é sempre a mesma: ter a capacidade de vencer os nossos medos para alcançarmos aquilo que verdadeiramente (e interiormente) queremos.

    Um grande abç

  2. É… talvez por isso ambos recomendem que um dos passos principais a seguir seja arranjar um “mentor”… alguém que já tenha um histórico de sucesso e que nos queira orientar. Essa parte é mais difícil…

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