2008 – Ano do Linux

Agora ao almoço estive a impingir as minhas ideias liberais aos meus colegas, dizendo que este ano vai ser um marco na história do Open Source e principalmente do Linux, porque o Linux vai aparecer em larga percentagem em produtos electrónicos, roubando a ribalta aos sistemas windows e não só.

Para mim, as plataformas móveis (telemóveis, PDAs, e web tablets) já “estão no papo” (FIC/OpenMoko, OpenHandsetAlliance/Android), a quota de mercado de portáteis está em franco crescimento (Dell/Ubuntu, Asus/Xandros), e até já nos Desktops “para as massas” há muito movimento (Everex/gOS, Via/Zonbu), que ainda por cima servem de base para lançar a ofensiva do “cloud computing” com os “web services” da web 2.0…

O Linux está a cilindrar a concorrência no que toca à popularização acelerada junto do utilizador comum, e dentro em breve irá sofrer dos mesmos problemas que o windows: a má utilização e ignorância geram má imagem, independentemente da qualidade do produto. Mas enfim, são dores de crescimento… e talvez não venha a concretizar-se este mau cenário, por duas razões: as (re)implementações Linux são melhores que as antigas (nem que seja porque já sabemos mais do que antes), e porque o Linux/Free SW não impinge a sua “marca” às pessoas – as marcas dos produtos irão manter o Free SW como vantagem, mas sem demasiada publicidade ao mesmo para não espantar a caça. Por mim, tudo bem – desde que usem e contribuam, tá bom. Portanto, a “culpa” pública das falhas do produto será sempre do produto final, e não apenas do Free SW, o que é justo.

Depois li este belo artigo do Doc Searls, com a sua tradicional grande visão do futuro. Futurologia é mesmo com ele, costuma enganar-se menos que a média.😉 Segundo ele, estamos em “GhandiCon 4“: já ganhámos. Mas o aspecto mais interessante dos escritos deste homem é que ele reconhece uma tendência generalizada de “abertura”, uma migração da lógica imediata do “monopólio fechado como ferramenta de lucro” para a lógica de maior impacto e duração do “valor partilhado como ferramenta de lucro”.

Os paradigmas do PC, telefone, rádio e televisão estão a ser silenciosamente reescritos através das forças comerciais firmemente alicerçadas no Open Source, bem como a maneira de fazer negócio e até a maneira de pensar em Propriedade. Esta é uma época muito interessante de se viver.

~ por Vasco Névoa em Fevereiro 26, 2008.

5 Respostas to “2008 – Ano do Linux”

  1. Excelente artigo, parabéns.

  2. Todos os anos são o ano do linux no desktop! Keep dreaming!

  3. Se achas que estou a sonhar, acho que quem vai ter de acordar és tu…😉

    De qualquer maneira, caso não me tenha feito explícito, clarifico:

    – Para mim, este ano vai ser o do Linux na plataforma “móvel”, ou seja, em telemóveis, PDAs, e web tablets – é aqui que o estrondo se vai fazer sentir;

    – Acredito que a plataforma dos portáteis se seguirá brevemente (talvez só para o próximo ano?..), pois vejo cada vez mais “leigos” a adoptar o Ubuntu e outras distribuições simpáticas em substituição de um Vista que só quer quem não conhece;

    – Finalmente, o mercado “fixo” (Desktop)… aqui a coisa é mais complicada, pois hoje em dia “Desktop” significa na prática “Enterprise”, que é ainda um monopólio da Microsoft. No entanto, há um efeito de bola-de-neve causado pela ubiquidade do Linux nas empresas (enorme presença nas salas de servidores, e brevemente também no bolso do casaco dos administradores), que irá levar à aceitação natural do Linux também no PC “estacionado”.

    Não acredites nas minhas verborreias, procura antes saber porque é que a MS está tão nervosamente a impingir o seu SW nas escolas e universidades, fazendo parcerias de mass-marketing com as entidades mais ignorantes em termos tecnológicos (os governos)…
    Eu avanço uma explicação: eles já perceberam que a batalha está perdida, e então precisam de re-formatar o mercado, começando pelo princípio: os novos utilizadores (= estudantes e países em desenvolvimento).

  4. “nervosamente a impingir o seu SW” parece-me ser uma frase 100% da autoria de Vasco Névoa (estou a tentar re-aprender a teclar acentos usando um teclado americano – dêm-me algum espaço de manobra). O problema: não é apresentado qualquer fundamento para a afirmação. O mesmo se poderia dizer do Ministério da Justiça, “O João Valente anda a tentar impingir o Linux ao estado”. Enfim, a razão por detrás de um crescimento não é necessáriamente o “impinginço”. Mas, quando não cai bem no gouto, rotulá-lo desta forma parece-me ser o mais lógito – it’s human nature.
    Um pouco por todo o lado e em todos os sectores as empresas optam por dar benefícios às camadas mais jovens, estudantes e mais séniores. Desde o cartão jovem aos bilhetes para espectáculos, aviões, transportes…
    A Microsoft raramente o fazia e, quando o fazia, era de uma forma francamente modesta. Isso mudou nos últimos tempos. A Microsoft começou seriamente a implementar prácticas já comuns do mercado.
    Se isto e “impingir”, bom, toda a gente tem direito à sua opinião… mas eu acho que simplesmente já o queriam e, dadas as possibiliades financeiras, acabavam simplesmente por não ter (será? ou já tinham mas pirata?).
    É… “mais um ano do Linux”… os indicadores se server use não dizem o mesmo, mas quem sou eu para desapontar o autor?

  5. Concordaria contigo, senão fosse a pouca-vergonha da oferta da MS a 3$ na China…

    Já agora, partilha connosco esses indicadores, parecem ser interessantes.

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