Work less hours, live cheaper…

Quando eu falei com o Richard Stallman na conferência que ele deu em Lisboa há uns meses atrás, estava longe de imaginar que a conversa poderia ter algum efeito na minha vida.

Afinal, essa conversa até tinha algo de profético.

Como ele é um guru muito ocupado😉 ,  apenas lhe reservei uma pergunta:

VN -“How do you find the time? To contribute, I mean…”

RMS –  “That’s easy: this is all I do.”

VN – “Are you married? Do you have children?”

RMS – “No! The world is overpopulated, so not having children is already a way to contribute to society!”

(Por esta altura a imagem da minha fantástica filha dançava e pulava na minha mente, e senti um pouco de pena dele… mas há pessoas que nasceram com um destino traçado, e esse destino pode exigir sacrifícios grandes…)

VN – “Well, I’m married, and I have a small child, and I can’t seem to find the time to contribute…”

RMS – “That was your mistake!…”

VN – “Well… …ok, but my family life is not the problem; the professional life is where I spend all my energy and capacity and there is nothing left when I get home…”

RMS – “That’s easy: work less hours.”

VN – “How?? I need the money…”

RMS – “Live cheaper. I do. You don’t need all the stuff you have.”

Passado todo este tempo, e por razões conexas, acabei por renegociar o meu contrato de trabalho com os meus empregadores de modo a trabalhar apenas 4 dias por semana, em vez de 5. A esta redução de 20% do tempo dedicado à empresa corresponde uma redução de 20% do vencimento.

Loucura?… não, investimento pessoal. Este tempo extra, livre de tudo e todos, pode ser aplicado em projectos que nada têm a ver com a minha carreira actual, permitindo-me uma liberdade de pensamento e acção nunca antes esperada.

Agora já não tenho desculpa, tenho mesmo de mostrar o que valho!!!🙂

~ por Vasco Névoa em Outubro 4, 2007.

10 Respostas to “Work less hours, live cheaper…”

  1. Apoiado! O MUNDO que se cuide, que agora o Vasco tem tempo para ele😉 E nós cá estaremos para te aplaudir no fim!😀

  2. Aplaudir?… a parte do salto para o abismo, ou a parte em que me esborracho no chão?!…🙂 Ah, no fim… pois, é a parte do esborrachanço.🙂

  3. Cá ficamos à espera de ver o que vales!!
    Pensando bem… ficamos à espera de ver 20% do que vales ;)!

  4. quer te esborraches ou não isso é secundário; o facto de quereres fazer algo e de conseguires o tempo para o tentares é que é importante. demonstra à partida o quão empenhado estás, e vasco empenhado parece-me uma boa premissa para um silogismo válido sintáctica e semanticamente!

  5. Obrigado Mouro! Só tu para trazeres um constructo Aristotélico a este assunto!… É por isso que a gente te adora!🙂

  6. Acho muito bem! O sacrificio de parte da tua (unica) vida e da tua familia (eles tb tem de abracar o paradigma “”), e muito nobre. Quando olhares para traz e pensares nas ferias que nao gozaste, nas viagens que nao fizeste e no colegio xpto que a tua filha nao frequentou, senter-te-as orgulhoso pelo facto de outros o poderem ter feito, e em grande estilo. Ah, uma renegociacao de contracto de trabalho para menos horas tb e algo que fica sempre bem no cv para subir na carreira.

  7. Decididamente, Pedro, não temos a mesma bitola para medir as coisas…
    Continua a correr atrás da tua cenoura, que eu vou atrás da minha.

  8. Pá, não tenho remédio, agora é tudo em pés, milhas, jardas, e sei lá mais o q…

    Só espero que saibas o que estás a fazer. Entretanto, força no neurónio! “Finding it always beats It finding you”™ ;^)

  9. apanhei isto agora numa sequência de uma crítica ao Stallman num blog…

    that’s the wayy to go

  10. Esta ideia foi boa, mas não resultou. Acabei por regressar aos 100% há pouco tempo – ainda aguentei mais de 6 meses.
    O problema, principalmente para quem é casado e tem filhos, é que nem mesmo um dia é um dia. As minhas segundas-feiras apenas me rendiam cerca de 6 horas, em vez das 12 que eu tinha em vista.
    Há sempre qualquer coisa a lixar o esquema… ou mais concretamente, alguém. É incrível, basta as pessoas saberem que estamos livres de um compromisso para imediatamente quererem arranjar-nos outros. De certo modo, é uma espécie de inveja: não é permitido ser livre.

    Outros planos foram forjados entretanto… 😉

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