Ardeu!… e agora?

A “motherboard” do meu computador pessoal e intransmissível queimou, pelo menos parcialmente. Continua a funcionar, mas tem pormenores surreais, como pistas de cobre levantadas por acção do calor originado pelo excesso de corrente, e o facto de não arrancar logo quando ligo o computador mas só depois levar um “reset” ou dois… enfim, ‘tá doentinha e pronta para encomendar a alma ao criador. Também, o que é que eu esperava de uma mobo “Asrock” comprada em segunda mão no ebay?!? Já tive muita sorte em ela não ter pegado fogo debaixo do meu traseiro…😉

Está portanto na altura de comprar outra. Então ‘bora lá!

Primeiro, os meus requisitos:

  1. Desempenho acima de qualquer suspeita (edição de vídeo/áudio em real-time);
  2. Consumo energético sensato (preocupações ecológicas!!! além disso, detesto os “aquecedores electrónicos” no verão);
  3. Operação silenciosa (sem caixa é imperativo!);
  4. Aspecto esteticamente apelativo (já que vai mesmo ficar tudo à mostra…)

Eis a minha escolha:

  • Placa de sistema (Motherboard): ASUS Crosshair (linda!)
  • Processador (CPU): AMD Athlon 64 X2 Dual-Core 5200+ (2x1MB L2, 65W)
  • Dissipador do CPU (Heatsink): Zalman CNPS8700 LED (silencioso; o fluxo de ar também incide sobre os dissipadores da board e da gráfica)
  • Memória (RAM): Corsair DDR2 Dominator 4x1GB (com dissipadores revolucionários)
  • Gráfica (GPU): não sei… não sou jogador 3D, mas queria uma coisita silenciosa e fixe em processamento de vídeo… OpenGL tem de ser, por causa dos efeitos especiais, mas isso todas fazem…
  • Fonte de alimentação (PSU): Corsair HX-520W (520W é um pouco brutal, mas até convém pois assim funciona em regime baixo e desperdiça menos energia).

E agora…. é natal!!!😀 (sorriso infantil enquanto esfrego as mãos de contente com lágrimas de felicidade consumista no canto do olho)

v2_packets.jpg

Da lista acima, só não deu para comprar os Corsair Dominator, estavam difíceis de obter.😦 Trocaram-me por uns G-skill 2x2GB. Não faço ideia se são bons, vamos ver… A gráfica acabou por ficar uma ASUS EN8600GT/2DHT-256MB com dissipador passivo (sem ventoinha). Juntei também um leitor de cartões universal e uma massa térmica topo de gama, e ‘tá pronto a montar.
A conta?… 880€!!! Mas isto é de longe a melhor máquina que já tive.

10 minutos depois…

v2_first.jpg

Todas as máquinas perigosas têm de estar assinaladas devidamente!…😉

v2_assembled.jpg

Acabei por usar a ventoinha AMD que vinha no CPU para a placa gráfica, assim que percebi que esta tinha uma temperatura de funcionamento de cerca de 55ºC (!!) em condições de repouso… nem quero pensar na temperatura atingida se me pusesse a jogar “Quake 4” ou qualquer outro do género. Deve dar para cozer ovos!!! É o único componente pouco eficiente em termos de energia que esta máquina tem, mas o mercado não tem nenhumas alternativas neste aspecto. Pelo menos eu nunca vi os fabricantes de placas gráficas a anunciar os consumos eléctricos dos seus produtos… a escolha incidiu sobre um modelo moderno mas não demasiado potente (não só não tem ventoinha, como não tem tomada de energia independente – algo que é comum nos “monstros” topo-de-gama).

Ligando à corrente…

v2_night.jpg

Esta máquina é ultra potente e perfeitamente silenciosa. As suas 3 ventoinhas de grandes dimensões rodam a velocidades muito baixas, não produzindo ruído algum.🙂 A ventoinha da fonte de alimentação é controlada pela temperatura da própria fonte (e quase não roda), e as do processador e da placa gráfica são controladas por meio dos sensores de temperatura fornecidos pela placa de sistema. Para além disso, ainda tenho 2 sensores de temperatura enfiados nos módulos de memória, só para ver se eles estão bem.

E pronto, toca a fazer o transplante do “motor” para a cadeira…

v2_underchair.jpg

Este esquema de montagem, “de cabeça para baixo” e sem caixa, tem uma vantagem enorme: todo o sistema arrefece muito bem, pois o ar circula naturalmente por convecção. Começa por subir de encontro à motherboard, e depois sai pelos lados da cadeira. Em condições de repouso, o CPU, chipset, e as memórias ficam-se pelos 30 ~ 33ºC, enquanto a gráfica anda pelos 40ºC. Sem ruído. Num dia quente.Agora só falta instalar um sistema operativo de 64bits para tirar 100% partido dos processadores e da memória. GNU/Linux, claro! 😀

Achei piada a um pormenor, enquanto andava à procura de componentes na lojas. Agora que se começam a vender os primeiros sistemas com mais de 2GB de RAM, muitas páginas têm grandes avisos a dizer que os sistemas operativos de 32bits não suportam mais de 3GB… claro que eles estão a falar do Windows, pois é o que “toda a gente” tem. O Linux já suporta até 64GB há muito tempo – basta seleccionar o núcleo correcto para 1GB, 4GB, ou 64GB. Estas opções vão activar técnicas diferentes de gestão de memória, sendo que para mais de 3GB é necessário utilizar PAE (Physical Address Extension). Mas o mais ridículo desta situação é que o Windows também suporta PAE… só que é necessário alterar a configuração do sistema para o activar, e por isso “ninguém” sabe disso.

Esta é uma das vantagens do Software Livre: as nossas escolhas estão à vista, e quando não nos agradam, podemos sempre vê-las alteradas; enquanto que se teimarmos em correr Windows ou Mac, somos obrigados a “comer” aquilo que a Microsoft e a Apple acham que é sensato para o “utilizador médio”, pois não há outras opções visíveis (e muitas vezes nem sequer possíveis).

O que é engraçado, é que um utilizador de GNU/Linux acaba por se tornar num melhor utilizador de Windows/Mac e tirar mais benefícios, pois entende melhor o seu sistema… Pensem nisso!😉

~ por Vasco Névoa em Agosto 7, 2007.

5 Respostas to “Ardeu!… e agora?”

  1. Respect… parece quase uma nave espacial com esses LEDs todos! Corre-lhe uns testes de Benchmark para ver que tal é a bomba😉

  2. Nada Biased… NADA!

    Antes de, mais uma pequena correccao sobre um dos erros mais comuns na materia. PAE refere-se a memoria fisica! O aviso dos 3GB refere-se a memoria virtual. Lamento mas nem o Linux consegue passar dos 4GB de memoria virtual p/ process. It’s a CPU thing… O aviso dos 3GB nao faz muito sentido e, ele mesmo, reflecte alguma ignorancia do dealer – ao fim ao cabo o OS (qq que seja) pode ter varios “conjuntos” de 4GB, bastando para isso lancar varios processos (o Oracle usa esta tecnica ha c’anos). Um OS 32bit (a usar PAE fully equiped de RAM fisica) pode mesmo lancar varios processos ate ter que fazer page-out de private working set (mandar memoria alocada para o swap).

    Em termos de memoria virtual houve varias aproximacoes ate agora: OSs com suporte para varios fabricantes de CPU dividiam o enderecamento virtual (user/kernel) a meio (2GB para cada macaco), Ha uma razao historica para isto: o xaruto do MIPS so conseguia dividir enderecamento previligiado de nao previligiado desta forma – duuuhhh. Quando o MIPS passou a historia (uffff) os sistemas comecaram a ter esta divisao user/kernel dinamica – o admin escolhe o valor a ser adoptado na altura do boot. E’ claro que nao convem “esganar” muito o kernel, pois e’ la que vivem “coisas” como as PTEs e se o espaco acabar, nao se pode criar mais processos (ha coisas piores que podem acontecer mas eu nao sou o noticiario da TVI nem a revista Visao). A IBM lancou aqui ha uns tempos uma valente martelada no kernel do linux que permitia chegar o userspace mesmo ao limite dos 4GB. A martelada consistia em colocar o kernel dentro de outro espaco de enderecamento (como se fosse outro processo). Engracado em termos academicos… uma desgraca em termos de desempenho…

    Claro que o Vista bem como o XPSP2 e o Win2003 vem com o PAE activo por omissao. Tal como nos linuxes, as versoes muito mais velhas nao tem sequer PAE (tb tal nao estava disponivel antes de P4). O Windows tem faz muito tempo mas, de facto, antes do XPSP2 era necessario activar (quem tinha mais de 4GB de memoria fisica nessa altura?). Mesmo para os casos mais antigos, nao sei o que estara mais a vista trocar de kernel vs editar um ficheiro de texto na raiz do disco. Pode ser um problema de oculos… “ninguem sabe” e’ algo muito relativo. Eu poderia dizer que “ninguem sabe” mudar o kernel do linux e nenhum de nos estaria nem certo, nem longe da verdade😉

    Note-se que, com AMD64/Alpha/IA64/UltraSparcIII… nao e necessario qq tipo de PAE… 64bit out-of-the-box🙂

  3. Seja benvindo, doutor dos ares!!!🙂
    Fónix, até que enfim que aparece alguém que percebe alguma coisa de computadores a comentar no meu blog!!!🙂
    Biased, eu??!! Claro que sim!! Quem usa GNU/linux é mesmo por favoritismo, pá!…😉 E trocar o kernel hoje em dia é tão simples como abrir uma ferramenta gráfica e dar dois ou três cliques…
    Agora a sério, obrigado pelos esclarecimentos. É bom chamar os bois pelos nomes.

  4. Uma pergunta: com AMD64 (que nunca teve a fama de ser f’squinho) a 5.2… como anda a temperatura do rabioske?😛

  5. O meu rabiosque anda muito bem, muito obrigado!🙂
    Por um lado, este package dual-core só dá uma potência máxima de 65W (segundo dizem eles lá na AMD); por outro tenho um dissipador gigantesco (como podes ver na foto) que por acaso está sempre muito próximo de desligar a ventoínha (que é controlada pela temperatura)…
    Em suma, andam entre os 22 e os 25 graus centígrados quando em repouso.

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