Sou um homem das cavernas!!!

Alguém sabe do que é este gráfico? Aceitam-se palpites!…

Grafico de sistema realimentado real

Este gráfico é de uma medição feita em casa. Não digo ainda do quê. Deixo-vos o desafio de descobrir. Ou então podem continuar a ler.

Ao fim de 9 anos a trabalhar para empresas tecnológicas em caves mal arejadas e cubículos de “open space”, a alimentar-me quase exclusivamente de hidratos de carbono e açúcares refinados dispensados por máquinas homogéneas e cantinas acéfalas, sem nunca ter tempo para fazer exercício regular, qual é o balanço que faço?

Estou nas lonas. O meu corpo não aguenta mais estes maus tratos.

Antes de mais, uma pequena introdução sobre o metabolismo do açúcar. O sistema é simples: a gente come qualquer coisa, a digestão começa, o açúcar entra no sangue causando um pico, e o pâncreas segrega insulina para remover o açúcar do sangue e transformá-lo em reservas. Mais tarde, à medida que precisamos dele, o açúcar é recriado a partir dessas reservas e entra de novo no sangue, para ser consumido por todas as células. Simples e elegante, não é? A Natureza é sábia.

Pormenor: o cérebro é o maior consumidor de açúcar no corpo todo – é a sua única fonte energética. O que nos transforma a nós, “trabalhadores da informação”, em autênticos “queimadores de açúcar”.

Aqui a seguir estão duas curvas típicas de glicémia (nível de açúcar no sangue). A primeira é a de um diabético, e a segunda é a de uma pessoa saudável. A curva começa sempre com um ponto em jejum, e logo a seguir apresenta os níveis após uma “refeição” (que no caso de um exame de glicémia, é uma carga de 75g de açúcar puro – blaaaarrrghh…. que enjôo…)

Estes são os dois gráficos conhecidos por todos os médicos, e aparentemente é este o universo conhecido do metabolismo do açúcar, clinicamente falando. Por esta razão, quando se fazem testes de glicémia em clínicas, o normal é tirar apenas umas poucas medições de glicémia (p.ex. 4) ao longo de um período curto (p.ex. 2 horas), para ver se ela desce ou não à velocidade esperada. Se não desce, é diabético; se desce, está tudo bem.

Então e se sobe e desce e sobe e desce e sobe e desce… se a gente “não couber” em nenhum dos dois casos?!?!…. (Por esta altura já deu para perceber que o gráfico lá em cima é o meu). O meu problema é uma raridade, segundo aquilo que me dizem de Portugal. Mas lá fora até há umas páginas sobre “hipoglicémia reactiva“.

Há 10.000 anos atrás, esta condição era praticamente impossível. Nessa altura, antes da Revolução Agrícola, o Homem comia o que conseguia caçar e recolher na natureza. Os cereais ainda não tinham sido “domesticados”, e por isso a nossa dieta era bastante mais pobre em hidratos de carbono do que é hoje. Nós extraíamos a nossa energia a partir das proteínas animais e dos açúcares dos frutos e legumes. E mesmo assim, ainda tínhamos perspicácia para construir ferramentas e forças para perseguir animais grandes! Ora, se a nossa raça sobreviveu muitos milhares de anos com uma dieta pobre em hidratos de carbono, porque é que precisamos deles agora?…

Mais importante para a minha situação, é perguntar: será que o corpo humano já teve tempo de evoluir e de se ajustar a 100% a esta “nova” dieta que ainda “só” tem 10.000 anos?… é que a dieta anterior durou muito mais que isso… afinal, o Homo Erectus dominou o fogo há 500.000 anos atrás, o que quer dizer que o belo bife grelhado antecedeu o seu acompanhamento de batatas fritas em quase meio milhão de anos!!! Ou seja, os hidratos de carbono apenas fazem parte da nossa dieta como espécie hominídia à cerca de 2% do tempo!!! Se considerarmos que toda a existência hominídia desde o Homo Erectus durou apenas um dia de 24H, então os cereais, batatas, e afins só entraram na nossa dieta nos últimos 30 minutos! :S

Eu não acho que o nosso organismo esteja assim tão bem preparado para viver nos tempos modernos… comidas demasiado ricas e potentes, disponíveis em demasiada quantidade com demasiada frequência, meios mecanizados para nos deslocarmos, ferramentas com energia própria para fazer os trabalhos pesados… O nosso corpo, tão bem desenhado e afinado ao longo de um milhão de anos como uma máquina de exploração de condições difíceis, está mal adaptado a uma vida tão comodista e luxuosa. Ele foi “projectado” para sobreviver a longos períodos de fome, tal como qualquer predador, e não para uma hiperabundância…

Não acreditam? Como se explica então a “epidemia” da obesidade? E da diabetes? Com principal incidência no continente Americano… e a alastrar agora ao Europeu… alguma relação óbvia com a evolução económica destas regiões?!…

Por isso chego à conclusão: eu sou um Homem das Cavernas. Posso ter um cérebro de Homo Sapiens, mas o meu corpo ainda tem um metabolismo de Homo Erectus. Como tal, tenho de ter cuidado e adaptar a minha dieta mais de acordo aos tempos Paleolíticos, sob pena de me tornar num doente crónico antes dos 35. E considerando que a minha esperança média de vida é superior a 78 anos... não me apetece nada passar os próximos 43 anos a sofrer como um cão anafado!!!.

O problema agora é a selecção dos alimentos… é que toda a indústria da restauração e da distribuição alimentar está 100% voltada para esta alimentação errada, que procura viciar os consumidores através da estimulação dos sentidos…

Olha…parece que já alguém reparou nisto antes…😉

~ por Vasco Névoa em Julho 17, 2007.

10 Respostas to “Sou um homem das cavernas!!!”

  1. Bem, ao menos não tens diabetes mesmo🙂 isso é positivo! Nunca tinha ouvido falar desta condição (não lhe chamaria de doença porque não está nada “avariado” contigo, é mesmo feitio).
    Também é indicativo de que é perigoso falar contigo 20 minutos depois de comeres devido à abrupta quantidade de ATPs formada nesse momento! E talvez explique também porque é que um gajo com a tua estatura come tanto e não engorda muito!

    Anyway força nisso e boa sorte na fila da Macrobiótica… não é muito má na minha opinião.

  2. Nunca percebi muito bem o que é a Macrobiótica, mas acho que não é a mesma coisa que a dieta paleolítica.
    Nesta come-se muita carnucha, peixinho, e ovos, o que acho que não acontece na macrobiótica… mas posso estar enganado.
    Quanto ao pico de ATP após 20 minutos… dá-me sono!!! A maneira de evitar o sono é comer a salada no princípio da refeição, para forrar o estômago.
    Quanto a não estar avariado… até estou, por isso fui ao médico e acabei por fazer estes exames. Mas já está identificada a origem do mal: stress + má alimentação + falta de exercício regular. Nada que uma mudança na maneira de viver não resolva.😉

  3. Sim, o meu stôr de fisiologia diz que é um facto: o nosso corpo não foi feito para a quantidade de comida disponível na actualidade.
    Damos instintivamente preferência a açúcar e sal para energia e Na+ (neurónios), mas isso não é necessário nas dietas dos últimos 40 anos (mais coisa menos coisa) o que leva a excessos num sistema que devia estar em constante equilíbrio—repercussões.
    Bom de qualquer modo, ainda bem que já sabem o que tens, agora sabes as acções a tomar. As melhoras.

  4. Eu bem sabia que tu eras estranho!
    E essa historia do açucar não me conveceu… mas inda bem, tamos mesmo a precisar de “estranhos”…a malta normal é muito chata!
    Qt à cena da saúde…pa so te posso dizer, q’e a PVC (Puta da Velhice Chegando)…afecta a todos. eu tb ando um bocado nas lonas, … portanto, meia bola e siga.

    De qq das formas, concordo contigo,… a alimentação a que somos sujeitos é um bosta!

    hasta

  5. Quando a essta explicação tão detalhada a unica frase que neste momento me vem ao cerebro pequeno que possuo, eu chamo mesmo “MAU FEITIO”….:-)))) mas tudo bem, os medicos decidiram chamar-lhe outra coisa para te animar…:-)) Fátima

  6. Tens toda a razão!! Já li bastante sobre o assunto e concordo plenamente com tudo o que dizes!
    Vou começar a mudar a minha alimentação para me deixar de sentir mal como é hábito. Espero que daqui a umas semanas possa escrever aqui as novidades…

  7. É… mas descobri que a variável que mais influência tem no meu bem-estar é mesmo o exercício regular!!!
    Quando faço exercício todos os dias ou pelo menos dia sim dia não, as hipoglicémias chegam mesmo a desaparecer durante vários dias, e a tolerância aos açúcares sobe muito.
    Portanto, aquilo que eu aconselho a todas as pessoas com esta hipersensibilidade aos açúcares é mesmo o exercício MUITO regular.
    Faz maravilhas à boa-disposição!!!🙂

  8. Encontrei finalmente um conjunto de páginas com a informação que realmente descreve o meu problema!🙂
    Esta condição é crónica e vitalícia, e a única maneira de recuperar uma vida normal é a eliminação dos Hidratos de Carbono da nossa alimentação (substituindo por mais proteína, gorduras, e água), acompanhando com exercício regular. Convém também reduzir os excitantes (café, tabaco, chá preto, etc.), já que o mal-estar que sentimos é provocado por excesso de adrenalina. Quanto à causa subjacente, parece haver uma relação directa entre a Fibromialgia e a HR.
    http://www.fibromyalgiatreatment.com/hypoglycemia.htm
    http://www.fibromyalgiatreatment.com/recipe_breakfast.html
    http://www.opinions3.com/reactive_hypoglycemia.htm
    http://www.surfercouple.com/fibro_hg.htm
    A consequência inevitável, caso nada se faça para corrigir a situação, é o aparecimento da Diabetes tipo II, ou seja, o Pâncreas dá o berro e tornamo-nos insulino-dependentes.😦 E isto pode acontecer dentro de apenas dois anos.
    A desintoxicação completa, quando levada a sério, pode ser tão rápida como dois meses, e os primeiros resultados aparecem após poucos dias. Vale a pena tentar!🙂

  9. Após muita investigação na web e muitos exames médicos, consegui finalmente uma informação credível sobre este problema: é provocado ao nível do estômago/intestino.
    Fiz um teste de tolerância à glicose intravenoso seguido de outro normal por via oral. Isto revelou claramente que o meu corpo não apresenta qualquer reacção anormal ao excesso de açúcar quando este entra directamente no sangue, mas reage violentamente quando ele é absorvido pelo sistema digestivo.
    A juntar a esta informação, houve também um episódio interessante. Removi um “dente do siso” numa intervenção muito complicada, e portanto tive de tomar antibióticos após isso. Milagrosamente, durante as duas semanas que sucederam este tratamento não tive quaisquer hipoglicémias. Foram duas semana muito felizes.🙂 Ora, isto indica que o problema no tubo digestivo é provocado por bactérias. É mais uma pista em direcção à cura.

  10. Um amigo enviou-me este excelente artigo do blog “Canibais e Reis” que descreve sucintamente a Dieta Paleolítica e respectivo estilo de vida (que eu procuro seguir, com maior ou menor sucesso).
    Dêem lá uma saltada, vale a pena não só por este artigo mas por toda a atitude e restante informação.
    Enjoy!!
    (Obrigado Rui!)

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