Open Hardware, como deve ser
A Golden Delicious acabou de libertar o Manual de Sistema do GTA04, a “motherboard” de substituição do Openmoko Freerunner chamada Openmoko Phoenux que também estão agora a enviar para os primeiros hackers (do programa “Early Adopters”).
O manual em si é fantasticamente longo e detalhado, principalmente quando nos lembramos o quanto os hackers detestam escrever manuais de utilizador.
Tem o procedimento de desmontagem e montagem do telefone (com requintes que nunca imaginei apesar de já o ter feito várias vezes), a especificação completa e esquemas do Hardware e também os procedimentos mais críticos de preparação e arranque do Software. Um brinquinho, um exemplo a seguir pelas grandes corporações que nunca na vida mostraram tanto respeito pelos clientes.
Aqui está um vídeo de comparação de desempenho durante o arranque de sistema entre um Freerunner, um Phoenux, e um iPhone 3G:
Gosto deste projecto porque, apesar das especificações técnicas da placa não serem nada de especial num mundo dominado por HTC Desire e Apple iPhone, mostra bem o trabalho espectacular que se pode fazer com uma equipa e um orçamento pequenos, sempre completamente dentro do espírito Open Source.
O Hardware é “Open”, o Software é “Open”, e o Manual é Creative Commons. Estes tipos fizeram tudo bem, desde a belíssima comunicação que sempre tiveram com a sua comunidade de potenciais clientes e hackers dedicados, até à qualidade aparente do material e o bom-senso que têm demonstrado ao atrasar as datas de massificação para resolver os problemas encontrados nos protótipos. Vamos ver agora como se portam as placas nas mãos dos primeiros torturadores.
Se a Openmoko tivesse feito exactamente isto há 5 anos atrás, o mundo móvel seria hoje muito diferente. Infelizmente esta placa chega fora de tempo para um mercado já habituado a coisas estranhíssimas como smartphones 3D e dual-core, e está destinada a um pequeno grupo de hackers hard-core… e também àqueles que não se conformam com o falhanço técnico e social da Openmoko e vêem aqui a possibilidade de “vingança” para pôr o Freerunner a funcionar como deve ser na geração mobile 3G.
