Ora aí está!
Palmas para o Sr. Trent Reznor, por ter conseguido imaginar um modelo híbrido de oferta (aberto + comercial) para o seu novo álbum “Ghosts I-IV“. Já encaixou 750.000 USD em 3 dias de vendas online, sem no entanto tratar os fãs dos “NiN” como carneiros alinhados para a tosquia (assim… tipo a Apple, por exemplo).
Eu tenho tentado (sem grande sucesso) explicar isto de vez em quando: os modelos comerciais actuais estão desactualizados, e há que inventar novos (ou neste caso, repescar velhos modelos em desuso, mas de forma inteligente). O caso-exemplo dos artistas musicais que andam a dizer “não” às grandes produtoras de CD e optam por custear a produção por si próprios e lançar os álbuns “on-line” é uma das pontas-de-lança desta revolução do paradigma comercial. O intermediário ganancioso tem os dias contados.
Já outros tinham feito o mesmo (Radiohead, Prince), mas Reznor é o primeiro a consegui-lo em grande estilo, juntando a atitude correcta (a abertura aos seus fãs e a segmentação do produto por valor acrescentado) aos resultados correctos (fama e proveito financeiro). É um exemplo do “because effect“: fez (e fará!) dinheiro “por causa” do álbum, para além de “com” o álbum.
Go Reznor!!!… a Catedral está definitivamente envenenada pelo Bazar…

Não podia concordar mais.
As mentalidades estão finalmente a mudar (nem que seja devagarinho).
Vejam também o exemplo do last.fm, que com alguma ajuda (foram comprados pela CBS Interactive), conseguiram “convencer” a a Warner Music e a Sony BMG a deixarem-nos ter as músicas dos seus catálogos completas e disponíveis para preview. Só é pena a descriminarem os utilizadores geograficamente, mas parece que isso também está prestes a acabar.
Mais interessante do que isso são as faixas totalmente grátis oferecidas pelos grupos aos fãs que assim chegam facilmente a quem possa gostar delas, mesmo que nem conheça o grupo ainda.
Não esquecer porém o “fracasso” do lançamento do álbum do Saul Williams, que foi produzido pelo mentor dos NIN e que infelizmente não teve o sucesso esperado. O álbum foi disponibilizado online, em duas versões digitais: uma de baixa qualidade, mas gratuita (192kbits acho) e outra de alta qualidade a um preço módico de 5$.
Agora os factos:
“And then Reznor ended the hoopla last week when he reported on his blog that 154,449 people had downloaded NiggyTardust and 28,322 of them paid the $5 as of January 2. In the blog, Reznor suggested that he was “disheartened” by the results.”
o “fracasso” mencionado não é um fracasso comercial mas social, como explica Trent Reznor em http://www.news.com/8301-10784_3-9847788-7.html
Passa por acreditar num preço justo e creditar o artista pela obra final.
E já vai em 1,6 milhões de USD numa semana…. e porquê?
«By controlling both the creative process and distribution method for “Ghosts,” then offering a wide variety of formats and even a “try before you buy” free sample, Nine Inch Nails produced a quality experience that sets the bar pretty high for those who follow.»
http://arstechnica.com/news.ars/post/20080313-reznor-says-radiohead-offering-insincere-industry-inept.html
Ah… quality… you can’t beat the real thing.