Nutrições

Tal como em muitas outras coisas da vida, só agora depois dos 30 é que percebo que a alimentação “normal”, tal como nós a conhecemos, está tão errada que só nos pode fazer mal.

Quem ler o número deste mês da “Scientific American” (inteiramente dedicado à alimentação em vários aspectos) ficará surpreso com algumas das “descobertas” feitas em estudos lá apresentados.


Por exemplo, consumir muito leite e derivados NÃO fortifica os ossos na nossa dieta ocidental comum; antes pelo contrário, cria osteoporose! Este facto, inegavelmente observado em muitas regiões do globo, é apresentado pela revista (fracturas de anca versus consumo de lacticínios, por região), mas não é avançada nenhuma explicação consensual.

Afirma só que as populações menos “sofisticadas”, com uma alimentação mais “antiquada” (menos derivados de cereais e leite, mais insistente na carne, peixe, vegetais e frutas frescos) é que têm uma saúde óssea superior à nossa (industrializada/moderna).

Isto parece um contra-senso, pois os lacticínios que tomamos estão carregados de cálcio, mas a explicação avançada pelos investigadores da nutrição paleolítica é que o conjunto da nossa alimentação moderna (“normal”,”saudável”), incluindo os próprios lacticínios, promove um desequilíbrio ácido crónico no organismo, e acaba por desmineralizar os ossos e os dentes, desperdiçando todo o cálcio extra que tomamos. A única maneira de contrabalançar este desequilíbrio, é comer muito mais frutas e vegetais frescos, para nivelar o PH do corpo.

Outra revelação da revista é que a “roda dos alimentos” e a “pirâmide alimentar” que aprendemos na escola estão bastante erradas, dando mais ênfase aos alimentos que a indústria produz mais facilmente, em vez de dar ênfase aos alimentos que realmente nos fazem bem.

Ainda outra revelação importante, é a comparação de eficácia a longo prazo entre diferentes regimes de dieta para quem quer perder peso (e manter-se magro). A grande vencedora da comparação é a dieta “Atkins“, baseada largamente em proteínas e quase nula em hidratos de carbono. No entanto, o estudo conclui que nenhuma das dietas populares é sustentável por si própria, e que mais cedo ou mais tarde (3 anos) as pessoas têm de regressar ao regime “normal”. Da minha parte, acrescento que a alimentação “Paleo” está um grau acima da “Atkins“, pois é eternamente praticável sem prejuízo. A diferença para a anterior parece ser apenas uma maior incidência em frutos e vegetais frescos.

A conclusão que tiro das minhas leituras e experiência pessoal, é que a obesidade e as doenças ósseas e cardiovasculares são inevitáveis, se continuarmos a comer sem espírito crítico aquilo que nos oferecem nos restaurantes e mesmo nos supermercados.

Contra isto, há que procurar informar-se bem sobre os verdadeiros benefícios e malefícios de cada tipo de comida.

Bom proveito!! :D “Nós somos o que comemos”!!

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~ por Vasco Névoa em Setembro 11, 2007.

3 Respostas to “Nutrições”

  1. Caro Vasco, sensata a opção de adoptar uma Paleodieta. Tendo em conta a questão da “hipoglicémia reactiva”, que eu desconhecia existir, permita-me recomendar-lhe que pesquise tudo o que tem a haver com “glycemic load” e “metabolic syndrome”, e que na área da nutrição pesquise sobre “paleo diet” e “raw food”. E também, pois claro, esteja atento a todas as publicações do Dr. Loren Cordain. Posso sugerir-lhe alguns títulos de livros sobre estes assuntos, caso esteja interessado. Para os seus já excelentes pratos, muito óleo de linhaça e muita “erva”!;)

  2. Nos somos o que comemos, muito interessante! Pois ve entao este TED talk , que nos somos o que cozinhamos:

    COQUO ERGO SUM

    • Muito boa referência! :) Obrigado.
      Isso para mim é uma inferência muito importante, principalmente para acabar com a discussão parva que algumas pessoas um pouco mais idealistas criam com a mania do vegetarianismo / veganismo / macrobiótica / crudivorismo e outros “ismos” sem âncora na realidade (por mais cor-de-rosa que seja a sensação de “feelgood” provocada por estas opções).
      O ponto de vista da cozinha omnívora explica grande parte da nossa fisiologia e metabolismo.

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