Finalmente comprei a bicicleta com assistência eléctrica.
Depois de muitas lojas, fornecedores, e até leilões on-line correr, acabei por encontrar o meu fornecedor por mero acaso no meio do ISEL.
As bicicletas eléctricas que tenho visto padecem sempre de algum mal: ou são demasiado rascas na construção, ou são excessivamente caras sem nada que o justifique, ou têm um bom preço e qualidade mas contêm erros de engenharia básicos. Por isso quando vi esta, fiz marcação cerrada ao proprietário (que também é o vendedor) para que me arranjasse uma o mais depressa possível. Tive de a ir buscar a Cascais, mas valeu a pena.
Eis aqui a bichinha… modelo M1.

Hoje houve um encontro de colegas da minha empresa no parque ribeirinho da Barquinha. Estavam lá mais de 50 pessoas, e quase 20 delas quiseram dar uma voltinha na bike. Todos se surpreenderam, fosse pela aceleração de arranque ou pela facilidade de pedalar. Quantos irão converter-se à mobilidade eléctrica?… não sei, mas valeu a pena tentar.
Delfim, da MVP (Mobilidade, Veículos não Poluentes, Lda.) que me vendeu o veículo, foi extremamente simpático e tivemos muita oportunidade de conversar sobre o estado do mercado, a nossa paixão por pedalar, e também um pouco da tecnologia das bicicletas eléctricas e da influência Chinesa. Deu para ver que a MVP está intensamente envolvida no desenvolvimento não só do mercado europeu mas também dos próprios produtos tecnológicos, tendo algumas parcerias com o ISEL e a Faculdade de Belas Artes. Por isso espero grandes coisas da MVP no futuro.
Aquilo que me convenceu a comprar esta foi o posicionamento correcto dos componentes: a bateria ao centro, em baixo; e o motor na roda traseira. Ah, e o quadro em alumínio, que ainda por cima não é feio nem mariconço.
Só é pena o controlador electrónico estar junto ao chão, vamos lá ver como é que ele se comporta com a chuva e as poças de água. De resto, é quase uma “hardtail” semi-rígida perfeitamente banal, e talvez passe despercebida o suficiente para não ser vandalizada nem roubada com facilidade. A bateria está trancada com chave ao quadro, e é muito simples de tirar e pôr (para levar para casa e carregar). E leve (pouco mais de 3 kg).
A caixa de carga traseira não me agrada nada (e não aparece na foto), mas como foi uma oferta não vou falar mal. Eu preferia os alforges, mas estão esgotados neste momento. Vou ter de passar na Decathlon, parece que lá há uns porreiros.
Uma coisa que surpreende ao arrancar é o forte binário disponibilizado pelo motor eléctrico. Nunca pensei que 250W pudessem esticar tanto.
As ruinhas inclinadas de Cascais não foram grande oposição para esta máquina, que tira a transpiração ao acto de pedalar. É curioso observar como funciona o controlo electrónico: arrancamos do zero, e após pedalar durante 1 ou 2 segundos, o motor entra. A aceleração eléctrica é franca, e todo o esforço de arranque é feito pelo motor eléctrico; à medida que a velocidade aumenta, o motor vai diminuindo a sua contribuição gradualmente até nivelarmos na velocidade de cruzeiro (que ainda não medi, preciso de passar o velocímetro para esta bicla). Aí apenas as pernas trabalham. Mas se a velocidade cair, o motor auxilia logo. Ao travar, o motor é cortado. E se deixarmos de pedalar, também. Assim o exigem as normas europeias.
A suavidade de entrada/saída da força eléctrica é relativa; penso que pode ser melhorada, mas a actual implementação é suficientemente boa e habituamo-nos muito depressa. Torna-se bastante agradável conduzir isto, apesar de ainda só ter feito uns 3 km nela. Voltarei a falar sobre ela quando tiver mais experiência.
O meu preço foi promocional: 1200€. Ele tenciona vendê-la por 1450€, o que eu considero demasiado alto para o produto que é. Ainda não sei exactamente qual é o tipo de célula que está dentro da bateria, apenas sei que são de Lítio. A bicicleta base é bastante boa, mas os acessórios (luzes, espelho, caixa de carga) são muito baratos e não justificam o preço. Porém, dado que o modelo ainda está a ser activamente trabalhado, penso que num futuro próximo poderá justificar o preço. Entretanto, a MVP tem outros modelos disponíveis por preços mais baixos, é uma questão de falar com eles, ir lá ver, e dar uma voltinha. Eles são muito abertos, aproveitem.
Agora só preciso encontrar um caminho para o trabalho à volta das malvadas obras da CRIL… Acho que Monsanto é uma boa ideia.