Eu e as minhas bactérias

•Janeiro 23, 2012 • 7 Comentários

Uma das coisas que me desilude é o quase total desinteresse e até mesmo desrespeito que a classe médica aparenta ter pelas bactérias. Isto é não só um “pecado” de arrogância – como se apenas as funções e sistemas inatos do corpo humano é que interessassem para a saúde e o corpo funcionasse num vácuo ocasionalmente invadido por agentes estranhos – como também é um enorme lapso de profissionalismo e conhecimento técnico… senão vejamos.

Quando comecei aqui há uns anos atrás a sofrer de hipoglicémias reactivas a torto e a direito, tive de aprender muita coisa. Os médicos por onde passei apontavam basicamente na direcção genérica da sua especialidade, fosse ela qual fosse, sem grande interesse em fazer um diagnóstico digno do nome. Para uma endocrinologista era um problema hormonal a ser corrigido por compensação química continuada; para um neurologista era com certeza um problema psicológico a resolver em terapia ou com algum tipo de droga psico-terapêutica; para um clínico geral seria mais uma daquelas coisas misteriosas a acrescentar à lista das viroses. Apenas ficaram contentes por “resolver” o problema em menos de 15 minutos para poderem passar à próxima consulta. Depois de sofrer na pele o efeito de várias drogas perigosas receitadas sem qualquer cuidado ou ética profissional, resolvi tomar o assunto nas minhas mãos e descobrir o que raio se passava.

Os obstáculos não foram poucos – afinal que coisa mais estranha é essa de se ter pouco açúcar no sangue quando se come muito açúcar (resposta correcta: é hiperinsulinismo) – e tanto a informação propagada pelos médicos como pelas associações de diabéticos pareciam completamente dissociadas da minha situação. Pensei que era um bicho raro, ou que tinha tido o azar de contrair um bicho raro (fosse um problema genético ou um parasita). No meio da desinformação, houve uma médica que efectivamente me auxiliou; falou-me de permeabilidade intestinal e dos efeitos da dieta sobre a mesma. Note-se que foi preciso recorrer a uma profissional “pouco ortodoxa”, alguém com uma visão “holística” sobre o corpo e o ambiente circundante, fundidos num único sistema com memória e experiência.

2009 foi um ano particularmente mau. Para além das hipoglicémias constantes havia também o problema das alergias – a minha pele sofreu por várias vezes revoluções brutais e inexplicadas. Primeiro nas extremidades (pés e braços) e depois em todo o corpo. Andei vários meses sem poder usar sapatos, felizmente era verão. Foi feito um teste de contacto dermatológico com 50 reagentes alergénicos, mas nenhum deu positivo. Quanto a mim isto foi porque a reacção alérgica teve origem no intestino e não na própria pele, e portanto dificilmente se conseguiria reproduzir o problema através da pele. Quando o intestino se comporta como um passador estragado, qualquer toxina que ingerimos rapidamente chega ao sangue e a todo o corpo. E tão depressa como aparece, a alergia desaparece – ou não, dependendo dos hábitos alimentares. O maior problema destas crises atópicas é que cada uma delas imprime um novo conjunto de informação sobre o sistema imunitário… e podem bem levar ao aparecimento de doenças auto-imunes, uma vez que as células “mal-comportadas” são as nossas próprias células irritadas, e pouco ou nada as distingue das saudáveis. Isto é algo a pensar da próxima vez que se sentirem tentados a comer algo com gluten (qualquer coisa que contenha trigo ou centeio na sua composição).

Passados alguns anos e muitas aventuras pouco engraçadas, eis-me aqui com controlo total da situação. A solução foi sendo descoberta a pouco e pouco, mais através de acidentes e respectiva análise do que propriamente através de planeamento e conhecimento. Depois de muitos exames feitos ao corpo, ficou determinado que o problema não tinha nenhuma origem médicamente óbvia. Bom, apesar de ser bom saber que não tenho diabetes nem cancro no pâncreas, isso não me ajuda nada a resolver o problema. Depois aconteceu ter de extrair os “dentes do siso”, esses molares tardios tão geneticamente desadaptados à longevidade e higiene oral que agora temos; a “barragem” de antibióticos que se lhe seguiu teve um efeito-surpresa muito positivo: fiquei totalmente curado das hipoglicémias!… durante duas semanas. Nesta altura apercebi-me de que já não sentia a sensação de fome há alguns anos… foi uma revelação de choque perceber que estava sempre a comer para evitar hipoglicémias e que isso só piorava as mesmas. A nossa capacidade de negar o óbvio é espantosa.

Voltei a experimentar com antibióticos e voltei a confirmar: a “limpeza” das bactérias resolvia o meu problema supostamente metabólico/hormonal/psicológico. Bom, não posso estar sempre a tomar antibióticos, certo? esse caminho vai dar à desgraça mais cedo ou mais tarde. De qualquer forma, voltei à minha médica “holística” com esta informação, e após um exame ficou determinada a “contaminação” com Helicobater Pylori no estômago e uma ligeira gastrite. Fiz então a tentativa de erradicação do bichinho, que teve um resultado parcial. Fiquei bom durante duas semanas (onde é que já vi isto), mas depois o mal-estar regressou. No entanto, agora já era muito mais fraco e muito menos incomodativo. Ainda assim, o mal persistia, embora com mais qualidade de vida.

Note-se que a H. Pylori está presente na maior parte da população desde há muito tempo e não costumava ser grande causadora de problemas. No entanto, é possível e acontece agora haver um sobre-crescimento desta espécie que adora amidos e açúcares e habita o nosso estômago, e isto leva ao aparecimento de gastrites, úlceras, e refluxo gástrico. O refluxo gástrico é causado pelo excesso de pressão de gás proveniente da actividade destas bactérias e está directamente ligado ao consumo excessivo de amidos. Esta pressão pode mesmo causar deformação da válvula de entrada do estômago, e a situação torna-se muito difícil de inverter. Felizmente, cortar nos hidratos de carbono é fácil quando se sabe como.

A solução final é no mínimo anedótica. E deixo-a aqui em jeito de prémio para os leitores que tiveram a paciência de ler isto tudo. :) Aqui há uns tempos comecei a tomar alguns suplementos, nada de muito avançado, como medida geral de saúde. Uma pequena experiência apenas. Resolvi tomar um multivitamínico e um óleo de peixe por causa do ómega-3. Tudo bem durante uns tempos, mas às tantas começou a diarreia contínua. No capítulo das diarreias até nem era muito má, suportava-se bem. Mas continuava a ser uma diarreia, o que é uma merda. Depois de muitas voltas à cabeça e à barriga, lá resolvi parar com o óleo de peixe. Foi uma semana e meia de diarreia persistente, o que constituiu muito provavelmente um “reset” completo da flora. E quando parou, pararam também as hipoglicémias. Definitivamente.

Ora, andava eu ao fim de 5 anos de sofrimento já a ler coisas radicais como “transplantes fecais” e coisas do género, e afinal só precisava de uma bela caganeira?!… já podiam ter dito, caraças!! :)

Falando agora a sério, o que se passava era sem dúvida um caso de “flora intestinal errada” (disbiose), o que pode perfeitamente acontecer com muita frequência no ambiente urbano e altamente industrializado em que vivemos. Seja pelo excesso de ingestão de amidos refinados (açúcares e farinhas), seja pela excessiva higiene e consequente falta de exposição a uma boa variedade de bactérias ingeridas, muitos adultos acabam por deixar morrer as bactérias comensais “boas” e desenvolver as “más”. E com a “moda” de amamentar os bebés ao peito o menor tempo possível, esta tendência vai-se tornando cada vez mais precoce. Estas depois estabelecem-se de forma persistente e robusta, e não nos abandonam só com duas cantigas. O resultado final é que as bactérias do intestino acabam por controlar não só a nossa saúde como também as nossas emoções e muito provavelmente desejos alimentares.

A imagem comum das bactérias é a de agentes patogénicos a eliminar à primeira vista. O que eu quero deixar bem claro é que algumas delas (para cima de 500 espécies segundo algumas fontes) fazem parte da nossa saúde e das ferramentas digestivas e metabólicas com que enfrentamos o mundo. Elas já cá se encontravam antes de nós, e provavelmente ainda continuarão caso o mundo chegue ao fim. Nós os animais evoluímos na presença delas, mergulhados nelas, e elas fazem parte do nosso sistema natural. Por isso é absolutamente vital para a saúde a longo prazo tratar bem delas. São elas que nos permitem digerir uma dieta omnívora e basicamente caótica e oportunista (tal como nos agrada mais). Nas raras ocasiões em que tomamos antibióticos, devemos também procurar restaurar a flora intestinal através da toma de pró- e pré-bióticos logo a seguir, antes que as bactérias mais “ruins” se desenvolvam demasiado sobre o intestino “deserto”. Uma vez dada a vantagem de desenvolvimento a um conjunto de espécies benéficas, elas irão defender-se por si próprias contra o assalto das espécies parasíticas… desde que não voltemos a abusar da comida-veneno (porcarias industriais).

Pessoalmente passei a tomar kefir natural feito em casa, na esperança que fizesse alguma diferença, embora sem grandes resultados. Aquilo que aprendi tanto da minha experiência de lidar com o kefir como com este episódio foi que as bactérias comensais se fixam ao nosso intestino também dentro de estruturas polissacarídeas (tal como no kefir) que servem de protecção contra quaisquer ataques, desde os antibióticos aos assaltos de pró-bióticos concorrentes. Por isso à vezes a única maneira de nos libertarmos dessa corja é mesmo através duma forte limpeza orgânica…

Acorda, Neo

•Dezembro 21, 2011 • Deixe um Comentário

Coisas que decidi deixar de usar há uns anos atrás:

- Relógio de pulso;

- Televisão;

- Rádio;

- Jornais;

- Media Player (MP3/Ipod/etc.);

E com o tempo, outras coisas foram caindo para a invisibilidade de uma forma natural, pela simples mudança de lentes pelas quais via a vida:

- Publicidade em cartazes (excepção feita aos anúncios natalícios da Triumph; são provavelmente o meu último vício desse velho mundo)  ;)

- Publicidade na web;

E resisto activamente aos equivalentes a estas coisas que teimam em aparecer na web, como o Facebook.

Todos estes dispositivos são parte do mecanismo de controlo e homogeneização do cidadão. Qualquer pessoa que se afaste do ruído destes canais por algum tempo percebe que vivemos mesmo dentro da distopia de 1984. Até temos o nosso próprio “Ministério da Verdade“, apenas lhe chamamos “Media”.

“Eu apenas te posso mostrar a porta, Neo, és tu quem tem de a atravessar.”

O primeiro passo é calar o ruído. Só depois podemos ouvir-nos pensar por nós próprios.

 

Cereais: do puritanismo à luxúria

•Outubro 14, 2011 • Deixe um Comentário

Este artigo é absolutamente fantástico do ponto de vista educacional e histórico, e chega a ser hilariante em alguns aspectos se pensarmos no ridículo da situação.

Ele conta a história da invenção dos “cereais de pequeno almoço” por parte do movimento religioso puritano norte-americano dos anos de 1830; a razão por detrás do estabelecimento deste tipo de pequeno almoço era a crença que o consumo de carnes e produtos animais aumentavam a libido das crianças e adultos e levava-os a ter pensamentos impuros e a masturbarem-se. Absolutamente delicioso, do ponto de vista da história antropológica!! :)

Não sei o que pensam agora este puritanos, mas é óbvio que a estratégia falhou completamente; não só a malta continua a comer os ditos cereais e a fixar-se cegamente no sexo e pornografia (independentemente da idade), como ainda por cima eles tornaram as pessoas obesas e diabéticas. Se os respectivos inventores imaginassem a autêntica luxúria de oferta que o futuro iria trazer em termos de diferenciação de mercado e respectiva “engenharia alimentar” destes “cereais”… teriam tremido e benzido mil vezes!! :)

Não vejo qualquer vantagem para quem os come. Já para quem os vende…  o resultado é bem diferente. Aliás, a maior parte da história dos cereais de pequeno-almoço está claramente dominada pela paixão do lucro financeiro, e não da saúde física ou mental…  ;)

Cradle-to-cradle exemplar: reciclagem de plásticos a sério

•Outubro 12, 2011 • Deixe um Comentário

Ora finalmente vejo alguém aparecer com um processo industrial “cradle-to-cradle” completo e posto em prática comercial para fechar o ciclo do plástico!! :)

(para quem estiver atrás de uma firewall que não deixa aceder a conteúdos de vídeo, é uma palestra TED)

Poupa-se energia, petróleo, e dinheiro, reduz-se a poluição, criam-se empregos diversificados…. what’s not to like?! :D

Agora é agarrar na porcaria que flutua no Pacífico e converter aquilo tudo em bens úteis…

Alguém me sabe dizer se existe alguma coisa parecida por aqui na Europa ou mesmo em Portugal?

Não é muito, mas é um bom princípio….

•Outubro 12, 2011 • Deixe um Comentário

A Fertagus passou a autorizar o transporte de bicicletas nos comboios em qualquer dia, a qualquer hora, acabando com a anterior restrição no “horário nobre”.

Por mim acho isto um belíssimo passo na direcção certa, pois já podemos transitar livremente de bicicleta entre as margens sul e norte do rio Tejo… o que é potencialmente uma grande evolução na mobilidade sustentável, pois sei que vai haver um grande punhado de pessoas que vão passar a usar a bicla para ir até ao trabalho ou à escola/universidade todos os dias, já para não falar na maior fluidez da  “migração em massa” entre a cidade e as praias da Caparica que ocorre todos os verões.

Infelizmente, as condições não são as mais apropriadas, e isso percebe-se pelo código de regras impostas; só são permitidas 2 bicicletas por carruagem, e só nas carruagens marcadas para o efeito (não sei quantas são por comboio). Isto é obviamente por razões de segurança e circulação livre dos passageiros pedestres, mas acho que eles podiam investir um pouco mais nas bicicletas… podem sempre remover alguns bancos, não é???  :)

Bom, no final acho que está apenas dependente de nós: se a afluência de bicicletas aos comboios for notável, então eles irão com certeza fazer os ajustes necessários. Por isso, já sabem: toca a pedalar!!! :D

Open Hardware, como deve ser

•Outubro 11, 2011 • Deixe um Comentário

A Golden Delicious acabou de libertar o Manual de Sistema do GTA04, a “motherboard” de substituição do Openmoko Freerunner chamada Openmoko Phoenux que também estão agora a enviar para os primeiros hackers (do programa “Early Adopters”).

O manual em si é fantasticamente longo e detalhado, principalmente quando nos lembramos o quanto os hackers detestam escrever manuais de utilizador. ;) Tem o procedimento de desmontagem e montagem do telefone (com requintes que nunca imaginei apesar de já o ter feito várias vezes), a especificação completa e esquemas do Hardware e também os procedimentos mais críticos de preparação e arranque do Software. Um brinquinho, um exemplo a seguir pelas grandes corporações que nunca na vida mostraram tanto respeito pelos clientes.

Aqui está um vídeo de comparação de desempenho durante o arranque de sistema entre um Freerunner, um Phoenux, e um iPhone 3G:

Gosto deste projecto porque, apesar das especificações técnicas da placa não serem nada de especial num mundo dominado por HTC Desire e Apple iPhone, mostra bem o trabalho espectacular que se pode fazer com uma equipa e um orçamento pequenos, sempre completamente dentro do espírito Open Source.

O Hardware é “Open”, o Software é “Open”, e o Manual é Creative Commons. Estes tipos fizeram tudo bem, desde a belíssima comunicação que sempre tiveram com a sua comunidade de potenciais clientes e hackers dedicados, até à qualidade aparente do material e o bom-senso que têm demonstrado ao atrasar as datas de massificação para resolver os problemas encontrados nos protótipos. Vamos ver agora como se portam as placas nas mãos dos primeiros torturadores. ;)

Se a Openmoko tivesse feito exactamente isto há 5 anos atrás, o mundo móvel seria hoje muito diferente. Infelizmente esta placa chega fora de tempo para um mercado já habituado a coisas estranhíssimas como smartphones 3D e dual-core, e está destinada a um pequeno grupo de hackers hard-core… e também àqueles que não se conformam com o falhanço técnico e social da Openmoko e vêem aqui a possibilidade de “vingança” para pôr o Freerunner a funcionar como deve ser na geração mobile 3G.

A confusão nutricional é agora oficial

•Outubro 7, 2011 • Deixe um Comentário

A pseudo-guerra à obesidade chegou aos governos e ministérios das finanças, e isto não é a única parte bizarra dos factos…

A Dinamarca passou a sobre-taxar alimentos com gordura saturada. Que mais posso dizer?… são idiotas.

O Reino Unido está a pensar fazer o mesmo. Para os políticos não faz diferença qual é o tipo de comida taxada, e se realmente tem efeitos benéficos na saúde pública; para já, neste contexto de crise, é preciso uma transfusão sanguínea para os cofres do Estado; e se depois se comprovar que estavam enganados podem sempre resolver taxar outra coisa qualquer. Entretanto toca a pagar. Já parece o Estado Português, devem ter aprendido qualquer coisa connosco.

A Alemanha está a pensar num imposto directo sobre a obesidade. Típico raciocínio germânico, frio e objectivo: “não sabemos ao certo o que causa a obesidade, mas se pressionarmos as pessoas gordas elas próprias vão encontrar a solução. Afinal, elas é que são responsáveis pela sua gordura”. Não concordo a 100% com este raciocínio, uma vez que o marketing das comidas “light” e do “fitness” estão na origem do problema e as autoridades até hoje só têm tornado a desinformação ainda mais enraizada (como por exemplo com os conselhos sobre o colesterol e a “roda dos alimentos” ensinada nas escolas). Há uma grande quota parte de culpa do Estado, que anda a regular e a atribuir fundos para as coisas erradas há décadas — e o problema não é só na Alemanha.

Felizmente, nem todos os países estão completamente enganados como estes acima….

A Hungria passou a taxar as comidas processadas com muito açúcar, cafeína, sal, hidratos de carbono. Estou absolutamente espantado pela positiva, embora não concorde com a “restrição por lei ou imposto” — as pessoas respondem melhor à educação do que à Lei ou à Taxação. Não é preciso violar a liberdade de escolha para levar as pessoas a escolher o que é melhor para si; basta informá-las e a maioria assim o fará.

Na Suécia a própria população tem vindo a adoptar de forma inequívoca a preferência por gorduras em vez de hidratos; o mais espantoso é que se trata do primeiro país ocidental em que uma investigação oficial apurou que a dieta “low carb, high fat” está de acordo com a ciência e a prática clínica actuais e dá benefícios mensuráveis para além de qualquer dúvida.

Um excerto que me deixou boquiaberto mas muito feliz: “On January 16, 2008, the National Board of Health and Welfare made their decision after carefully examining all of the evidence presented to them and declared publicly that a low-carb diet is “in accordance with science and well-tried experience for reducing obesity and Type 2 diabetes.”

Os Finlandeses estão aparentemente a seguir-lhes os passos, liderados pelos seus cidadãos diabéticos (tal como em outros países do mundo – um diabético que segue as recomendações oficiais e come muitos hidratos “lentos” não vive muito tempo nem tem saúde nem forças para demonstrações públicas).

Na América do Norte a guerra ainda está no início, com o governo a promover uma “roda dos alimentos” cada vez menos saudável e mais vendida à indústria, e com a população cada vez mais contente por encontrar as alternativas saudáveis (veja-se a enorme lista de blogs ligados ao movimento “low carb” linkados neste site como “The Best Blogs” — cada um deles com uma comunidade de seguidores e praticantes à sua volta). Ao menos ainda não fizeram a asneira de querer taxar ou proibir. Ainda.

Há aqui duas questões de fundo muito importantes:

1 – Há uma tentativa desesperada de controlar a obesidade “por atacado” ou seja, por meios sócio-económicos; anacronicamente nalguns países isso resulta em dificultar o acesso às gorduras, noutros o acesso aos hidratos de carbono. Portanto, é claro que esta malta da política anda às aranhas sem saber o que realmente causa a obesidade, e neste contexto ganha a indústria que tiver o melhor lobby. Quem se lixa é o mexilhão: nós.

2 – Estas medidas, ao entrar em vigor, vão intensificar o fosso entre as classes sociais, uma vez que as pessoas com menos meios vão fugir das comidas taxadas; mas como já vimos que a decisão é meramente político-financeira e não com base científica (senão seria igual em todos os países), prevejo que os países com a mania do “low fat” vão ficar a braços com um problema ainda maior de pobres obesos — e a sobrecarga do sistema nacional de saúde vai ser ainda maior. Neste momento já existe uma desigualdade bastante aparente entre a fatia mais pobre e o resto da população: os mais obesos (especialmente na obesidade infantil) são os mais pobres, porque a comida mais barata já é aquela que é rica em hidratos de carbono refinados. Sobre-taxem a “comida a sério” (a que tem gordura) e vão ver o tiro a sair pela culatra nos países activamente desinformados pelos interesses industriais.

Se no caso Alemão a razão é claramente estarem à rasca de dinheiro e não passar de uma tentativa de recuperar algum para o sistema nacional de saúde, no caso do Reino Unido eles parecem mesmo acreditar que a gordura engorda as pessoas e os hidratos é que são a salvação. Santa ignorância!!! No caso da Dinamarca, um dos maiores produtores de lacticínios na Europa, parece-me mais uma manobra de guerra industrial. Não acredito que um país com tanta tradição no leite e derivados tenha caído na esparrela da “gordura saturada é má” sem uma grande dose de lobbying de outras indústrias.

Este mundo ocidental está cada vez mais partido. Aliás, acho que a palavra certa é “esquartejado”; é isso que acontece quando uma pessoa é puxada em todas as direcções com a força de animais de carga, como se fazia na Roma antiga: desfaz-se grotescamente em pedaços.  Com tantos interesses industriais a envenenar os governos e a academia, tenho cada vez menos esperança na vitória da Ciência sobre a escuridão mercantilista. Sinceramente vejo isto tudo muito negro.

Se por um lado não concordo nada na taxação de comidas julgadas “menos saudáveis” (isso é um problema e uma liberdade do cidadão), por outro lado fico arrepiado com a possibilidade dos nossos governos tomarem a decisão estupidamente errada e ignorante de “proibir” a comida com muita gordura. Caramba, já é tão difícil encontrar leite gordo e natas gordas nos supermercados agora!! Com um imposto novo sobre este tipo de comida, as opções iam reduzir-se ainda mais, podendo chegar ao ponto em que é preciso uma decisão radical (como emigrar!) para evitar ser envenenado legalmente com a bênção do Estado!!!

Valham-nos países sensatos como a Hungria, a Suécia, e a Finlândia; espero que tornem a realidade suficientemente gritante para acabarmos com este “bullying” desesperado dos lobbies cerealífero e farmacêutico…

O Manual da Alimentação Perfeita

•Setembro 21, 2011 • 9 Comentários

Após alguns meses de investigação intensa e extensiva em que me sentia cada vez mais como Alice a cair pela toca infinita do Coelho abaixo, eis que surge um volume que tudo resume, e nada deturpa. Passada a dose inicial de desconfiança saudável, rendi-me totalmente a esta compilação científica, bem digerida e bem apresentada, onde se desfazem os mitos da má alimentação moderna e se reconstrói  a boa prática da alimentação saudável. Saudável ao ponto de inverter (curar!) a maior parte das doenças crónicas ditas “da civilização”.

Paul Jaminet e Shou-Ching Shih eram um casal como tantos outros: “trabalhólicos” e stressados. Ele, sempre a correr de um lado para o outro e a alimentar-se de qualquer forma, muitas vezes de “junk food”. Ela, com medo de morrer de acidente vascular cerebral aos 62 anos como o próprio pai, dedicou-se ao vegetarianismo. Ao fim de alguns anos, o corpo de ambos começou a mostrar o cansaço metabólico: ambos estavam doentes de forma crónica, e os médicos não os conseguiam ajudar. A morte por cancro da mãe de Paul com apenas 32 anos também não indicava nada de positivo para ele.

Sendo ambos cientistas por formação (ele Astrofísico, ela Bióloga Molecular investigadora de cancro), pegaram no problema pela raiz e investigaram-no de uma ponta à outra. Essa investigação levou 5 anos a concluir e resultou não só na cura de todos os problemas crónicos que tinham mas também na compilação deste fabuloso “manual de instruções da alimentação humana correcta”.

Não consigo deixar de sentir empatia por este casal. Não só empatia, como uma grande admiração e uma grande dívida por já terem feito o caminho que eu comecei a trilhar apenas há meses. É uma enorme satisfação poder ler o resumo final da história sem ter de passar pelo mesmo que eles passaram, pois dadas as minhas leituras a ritmo compulsivo de blogs especializados e artigos científicos sobre nutrição e saúde, estava claro que eu ia pelo mesmo caminho que eles (mas com menos ferramentas intelectuais para lidar com o ruído).

A dívida de quem lê o livro para com eles é enorme: não só mostram o que é correcto e incorrecto, como explicam os porquês e fundamentam com referências científicas abundantes e bem escolhidas para quem quiser aprofundar mais. Por exemplo, logo na introdução explicam porque é que nós estamos fisiologicamente impedidos de ter uma alimentação 100% vegetariana ou carnívora — bom, até podemos praticá-la durante alguns anos, mas mais tarde ou mais cedo pagamos a factura inevitável. Explica também porque é que é preciso ser muito criterioso na escolha das gorduras e hidratos de carbono consumidos. Para aqueles que como eu já estão mais próximos da realidade, explica porque é que nem todos os hidratos de carbono são maus, e nem todas as gorduras são boas. E para aqueles que ainda vivem na fantasia da “sabedoria convencional”, também explica porque é que nem todas as gorduras são más, e nem todos os hidratos de carbono são bons.  ;)

De passagem explicam o perigo do consumo de açúcares, cereais, leguminosas, e óleos vegetais, todas estas comidas estando na origem das maiores causas de mortalidade e enfermidade crónica no mundo ocidental. E é claro que também desmontam o mito do colesterol assassino: os culpados são o ómega-6 e a frutose; a gordura animal está inocente.

O livro cobre tudo, desde o rácio perfeito entre gorduras / hidratos / proteína, à eliminação dos alimentos tóxicos,  à nutrição robusta, e à prevenção de doenças e formas de cura. Pelo meio ainda fala da dieta cetogénica essencial para epilépticos e com benefícios de longevidade para todos nós (jejum incluído!).

Enfim, que eu saiba, nunca um “tratado” deste calibre foi escrito com tal simplicidade e clareza. É decerto uma referência obrigatória: mesmo quem não liga nenhuma a estas coisas da alimentação e saúde (tipicamente os jovens abaixo dos 30 anos, cujo corpo vai aguentando e compensando as asneiras que irão ter de pagar depois dos 35) beneficiam muito do esclarecimento que ele traz.

A meu ver, o casal Jaminet está um passo largo à frente de Gary Taubes e dos seus livros anti-hidratos: eles sabem que nem todos os hidratos são maus, sabem que a frutose e as lectinas e o ácido fítico são os verdadeiros assassinos. E também chamam a atenção para o criminoso ómega-6 e restantes poli-insaturados, que Taubes simplesmente ignora. Quanto a mim, esta dieta ou estilo de vida é uma espécie de “Paleo 2.0″, um autêntico corolário aperfeiçoado sobre o trabalho pioneiro de Loren Cordain.

Imprescindível.

Deixo-vos agora com o resumo da dieta que eles propõem e que eu aqui traduzo para português (fiz uma fusão entre as recomendações que eles fazem no livro, as que eles fazem no site, e ainda um ou outro pormenor nascido das minhas investigações mas perfeitamente em linha com as deles).

A Dieta da Saúde Perfeita

(Paul Jaminet e Shou-Ching Jaminet, 2010)

Em calorias, é constituída por poucos carbo-hidratos (20%), muita gordura (65%), e proteína moderada (15%). Em peso, é constituída por 2/3 matéria vegetal e 1/3 matéria animal.

Deve-se comer:

Cerca de 20% das calorias provenientes de tubérculos amidosos, arroz branco, frutas, e bagas. Tantos verdes quanto se quiser. Incluir algas por causa do iodo. No total, dever-se-á comer cerca de 680g de vegetais por dia.
Cerca de 80% das calorias provenientes de carnes gordas, peixe, marisco, e ovos, até 500g por dia, e cerca de 4 colheres de sopa de gorduras e óleos saudáveis. Incluir salmão e outros peixes gordos de água fria por causa do ómega-3. Inclua algas e marisco. E órgãos nutritivos como fígado e rins!
Cozinhar apenas com gorduras saturadas: manteiga clarificada, sebo bovino, ou óleo de côco. Ainda aceitáveis são o óleo de palma, banha de porco, azeite, e óleo de abacate. Usar condimentos, sal inclusivé. Fazer molhos de salada com algo ácido (limão, vinagre), um óleo, e ervas aromáticas.
Snacks de nozes, queijos, e frutas.

Não se deve comer:

Grãos e cereais (incluindo trigo, cevada, aveia, milho, etc.) ou qualquer coisa feita com as suas farinhas (pão, bolos, bolachas, pizza, massas, etc.). O arroz branco é a única excepção por não conter fito-químicos perigosos. Produtos de arroz (bolachas, crackers, massas, noodles, etc.) são aceitáveis.
Açúcar, xarope de milho, ou comidas que os contenham (bebidas açucaradas, pastelaria e doces). As bebidas saudáveis são: água, chá, e café (todos sem açúcar).
Leguminosas (soja, feijões, grão-de-bico, etc.) Ervilhas e feijão verde são aceitáveis em moderação, mas soja e amendoins são absolutamente proibidos. Feijões são aceitáveis depois de correctamente preparados, mas recomendamos a sua eliminação total.
Óleos vegetais de sementes (soja, milho, amendoim, sésamo, colza, etc.), por serem ricos em ómega-6.
Estas comidas “proibidas” contêm proteínas naturalmente tóxicas (mesmo quando de origem “biológica” ou “orgânica”), frutose e ómega-6 em excesso tóxico, e poucos nutrientes assimiláveis que justifiquem o seu consumo. Na verdade, elas alimentam bem… as bactérias patogénicas do nosso cólon!

Deve-se evitar:

Leite pasteurizado (UHT, etc.). Mas deve-se consumir produtos lácteos fermentados ou gordos: manteiga, natas, gelado (com moderação por causa do açúcar), queijo, iogurte. A parte aquosa do leite contém hormonas bovinas activas e proteínas potencialmente alergénicas. As proteínas do leite cru são mais fáceis de digerir do que as do leite pasteurizado, por isso o leite inteiro microfiltrado é uma opção muito nutritiva.
Carnes magras e secas, que têm muita proteína mas pouca gordura — podem levar à intoxicação por excesso relativo de proteína, ou seja, falta de gordura.

É aconselhável:

Suplementos para optimizar a nutrição, com um multivitamínico diário mais vitaminas C, D3, K2, e Magnésio, Selénio, Iodo, Cobre, Crómio. Alternativamente insista em comidas “suplementares”: fígado bovino por causa do cobre, castanhas do brasil por causa do selénio, algas por causa do iodo. E apanhe sol todos os dias por causa da vitamina D.
Jejum intermitente, por exemplo restringindo a alimentação a uma janela de 8 horas por dia, ou então fazendo “jejuns cetogénicos” com água e óleo de côco mas sem qualquer proteína ou carbo-hidrato (nem toda a gente tolera isto, há que avançar com cautela).

Enjoy! :)

The big fat fiasco

•Setembro 15, 2011 • 6 Comentários

Você ainda acredita que o colesterol faz mal à saúde?

Então veja, oiça, e use a cabeça.

Quem troca a gordura animal por óleos vegetais e hidratos de carbono está a condenar-se a longo prazo, disso não há dúvida.

Se quiser explicar estas coisas a pessoas com menos paciência ou inclinação científica, pode sempre comprar o DVD do documentário cómico “Fat Head”, também da autoria de Tom Naughton.

Para mais informações sobre “o grande circo do colesterol” (em que os palhaços somos nós e os médicos), pode visitar este site que tudo explica com detalhe extenuante. Visitem os links dos menus superiores, vão ver que nada ficou de fora. Se depois disto tudo ainda tiver coragem de tomar remédios para baixar o colesterol só porque o médico lhe disse que “acima de 200 mg/dL é perigoso”, então nada mais posso fazer por si.

Mais espantosa ainda é a informação da Organização Mundial de Saúde que nos mostra que não existe qualquer relação entre colesterol sanguíneo e doença cardio-vascular:

E depois também há os livros que explicam toda a história e enredo…

Uffe Ravnskov, M.D, Ph.D.

Malcom Kendrick, M.D.

O melhor guia de alimentação que alguma vez li

•Setembro 12, 2011 • 1 Comentário

Coma como um predador, não como uma presa!“: um excelente guia prático e sucinto sobre o que comer e não comer e outras dicas de vida para garantir uma saúde vigorosa e uma longevidade invejável.

E ainda por cima, consegue ser hilariante! :) Verdadeiramente aconselhado.

E para aqueles que não se consideram predadores, lembrem-se que todos temos visão estereoscópica por alguma razão. O mesmo sistema de visão que hoje em dia nos permite pilotar automóveis e aeronaves desenvolveu-se ao longo de milhões de anos a caçar presas de grande mobilidade.

Não há dúvidas que somos predadores por definição e não presas. ;)

Goodbye, Marieta

•Agosto 29, 2011 • 4 Comentários

Como pudeste partir assim tão de repente? Sem um aviso, sem um adeus?

Trocaste-me por outro a coberto da noite escura, um ladrão encapuçado que aproveitando a sonolência da vizinhança cortou a corrente da nossa união… nem uma nota ou um bilhete, tudo o que ficou para trás foi um elo partido e uma imagem na mente.

A nossa relação foi tempestuosa, é verdade, mas sempre nos divertimos juntos como ninguém! Nunca te queixaste quando te montava, nem mesmo quando te doíam os ossos e rangiam as articulações. E sempre te levei ao Spa e à Clínica que mais gostavas, não tens razão de queixa! Saías de lá lavadinha e com metade da idade, era um gosto olhar para ti. Até te paguei um transplante total de esqueleto!!! E justo agora que estavas tão novinha e afinadinha, foste-te…

Metemo-nos tantas vezes por sítios escuros e perigosos, em busca do prazer supremo da vertigem… Aquelas incursões em Monsanto e em Sintra deixaram lembranças eternas de adrenalina da noite!…

Às vezes traías-me, deixavas-me o coração (e o corpo) coberto de espinhos, mas sempre arranjámos maneira de nos entendermos!… Ainda tínhamos tanto a fazer juntos, nunca chegámos a desafiar a gravidade em plenitude…

Mas foi bom enquanto durou. Foi uma bela história de 5 anos.

Adeus Marieta. Ninguém irá tratar os teus pneus flácidos tão bem como eu.

O sucesso do nosso fracasso

•Agosto 20, 2011 • 5 Comentários

A minha estupefação inicial com a incompetência dos médicos em identificar os meus problemas clínicos transformou-se, finalmente, em aceitação. Foi preciso eu tomar as rédeas do processo, estudar muito sobre assuntos que nunca me tinham interessado na vida, e aprender coisas que os próprios médicos não sabem, para poder recuperar a minha saúde.

Custou-me bastante passar por cima do facto de que os médicos são apenas mais uma classe profissional como qualquer outra, e como tal estão sujeitos às mesmas percentagens de incompetência, corrupção, e desencantamento que os outros. Perguntavam-me aqui há uns tempos porque é que existiam as Ordens em certas profissões (Médicos, Engenheiros, etc.) e não noutras. Para mim, a resposta é simples: porque essas profissões têm uma responsabilidade civil muito elevada. Quando um médico ou um engenheiro se engana ou é desleixado, há vidas e custos avultados em jogo. Por isso alguém tem de servir de “guarda” do código ético destas profissões e monitorizar a entrada de sangue novo e o comportamento dos outros que já lá andam há mais tempo.

Infelizmente, o mundo é bastante mais complexo que isto. Porque é feito de pessoas. E as pessoas tomam decisões com base nas emoções muito mais frequentemente do que com base nos factos.

Li agora um artigo bastante extenso sobre o falhanço total que é a ciência médica moderna: a maioria dos estudos científicos publicados são uma grande treta. Isto acontece porque a progressão de carreira e a própria sobrevivência dos investigadores académicos está directamente dependente da quantidade e novidade dos artigos que conseguem ver publicados. As revistas científicas e médicas conceituadas, por sua vez, também dependem do efeito de novidade / espanto / polémica provocados pelos artigos que publicam, tal como qualquer outro canal de “media”. Estas duas realidades, muito complexas em si próprias, conspiram juntas para criar uma fonte de ruído constante que alimenta a formação (ou devo dizer, deformação) dos profissionais de medicina.

Hoje é o sal que provoca hipertensão, depois afinal é a carne vermelha, afinal não, é a gordura, ou então se calhar é o açúcar… no meio de tantas contradições, publicadas em revistas supostamente credíveis e seguidamente amplificadas por jornalistas que percebem ainda menos sobre o assunto (e que não têm um controlo ético efectivo a olhar por eles) é inevitável sucumbir ao cansaço e dissonância cognitiva em que vive a prática da medicina. Não é de admirar que os médicos acabem por desistir de acompanhar a actualidade científica e se resumam à velha informação que “empinaram” no curso, temperada parcialmente com a experiência prática do estágio e talvez alguma da experiência subsequente. Às vezes chego a ter pena deles.

Mas não é para ter pena. São profissionais como todos os outros. Se um engenheiro também tem de se guiar por normas dispersas, confusas, contraditórias, e frequentemente manipuladas por entidades monopolistas, e ainda por cima tem de lutar por encaixar os requisitos pouco razoáveis das forças de marketing e gestão com as exigências abstrusas e redundantes dos organismos reguladores, então não vejo porque hão-de os médicos ser desculpados pelo seu constante fracasso. Sim, constante fracasso: quando um médico passa uma receita para melhorar um sintoma, falhou o diagnóstico e está potencialmente a piorar o problema. E tratar sintomas é o cerne do jogo médico hoje em dia.

Um destes dias almoçava eu com um médico sexagenário, ele próprio obeso e a convalescer da instalação de uma prótese para a cabeça do fémur que não tinha aguentado o seu excesso de peso e inflamação crónicos, e discursava eu para a audiência sobre os malefícios da frutose e dos amidos e sobre o síndroma metabólico; o médico acabou por concluir com a frase fatal “épá, se vais mesmo averiguar cada alimento e o mal que te faz, acabas por não poder comer coisa nenhuma!”…

É este o perigo que nos espreita quando entramos num consultório médico: “será que este também já fez tábua rasa do seu conhecimento? Até que ponto posso confiar na consulta, no diagnóstico, e na terapia?” Os norte-americanos costumam resolver o assunto “à melhor de três”: pedem sempre uma segunda e terceira opinião por tudo e por nada. Talvez seja um bom conselho prático a seguir por aqui.

Tudo isto me faz pensar nas restantes profissões. E no sistema de ensino em geral. E no estado da ciência. Estamos tramados. Assim não vamos a lado nenhum. O caos e a entropia podem ser bons para o negócio, mas são péssimos para os indivíduos e para a sociedade a longo prazo.

Como é que a Sociedade da Informação, com todo o seu enorme mecanismo logístico instantâneo de distribuição e catalogação de informação se tornou tão ineficaz?… por causa do ruído. Há muito mais ruído do que informação disponível. Toda a gente quer ter um pouco da luz da ribalta. As refeições de muita gente dependem disso mesmo.

Ora, como qualquer pessoa sensata e experiente sabe, à primeira vez que fazemos algo (mesmo depois de sermos instruídos no assunto) cometemos erros. É preciso prática para acertar na resposta correcta. E quase todos os dias fazemos coisas pela primeira vez (sejam grandes e importantes ou pequenas e insignificantes). Daqui vem que a probabilidade de sucesso nas coisas que fazemos é naturalmente baixa: falhamos muito, e isso é normal. É o custo de se ter um cérebro neuronal: é preciso repetir a operação até dominar a coisa; identificar todas as variáveis significativas, eliminar as variáveis redundantes, afinar o processo. Isto leva tempo, e requer dedicação.

O problema está nas expectativas: cada vez se exige mais dos resultados, sejam os nossos ou os dos outros. E estas exigências podem mesmo tomar contornos críticos, como sejam as hipotecas ou as penas criminais. Há muitas ocasiões em que o fracasso “não é opção”. Daqui se deduz que o sistema económico e legal competitivo em que vivemos promove indirectamente mas com muita força a incompetência crónica e a corrupção. As pessoas acabam por disfarçar os seus fracassos como sucessos para poderem sobreviver e progredir (vejam-se os currículos de pessoas e empresas, por exemplo), e habituam-se a fazê-lo regularmente pois não há grandes alternativas. Ninguém consegue acertar sempre. E muito poucas pessoas conseguem estar certas a maior parte do tempo.

Como nos orientarmos então? Como nos protegermos deste mundo de ruído perigoso?

Bom, para já, há que ter calma. Confirmar sempre as fontes de informação uma, duas, ou mais vezes antes de tomar decisões. E se não se chegar a consenso? Se só se encontrar ruído? Então há que usar o próprio discernimento. Identificar os pontos comuns e as diferenças. Muitas vezes há mais informação escondida nas diferenças do que nas semelhanças. Experimentar por si próprio. Averiguar os progressos. Validar o método com os resultados. E não contribuir para o ruído. Saber ficar calado é uma grande virtude.

A Natureza nunca mente. Pode induzir em erro através da sua complexidade, mas esse problema é nosso, não dela. ;) É uma questão de estar atento. E de querer aprender. E de persistência. Não é preciso fazer 100 experiências radicais sobre o próprio corpo para determinar o que é melhor para nós. Mas ajuda muito ter um pouco de paciência e dedicação quando é a nossa saúde e bem-estar que estão em jogo.

Pequeno-almoço

•Julho 14, 2011 • 6 Comentários

Então perguntam os meus amigos: “Se não comes hidratos de carbono ao pequeno-almoço, que raio comes tu?!”

Ao que eu respondo: “A primeira refeição do dia é aquela que estabelece o ritmo metabólico para o resto do dia; não queres fazer a asneira de começar com uma explosão de açúcares e insulina logo pela manhã, pois não? Vais andar na montanha-russa do açúcar o dia todo! Larga lá os cereais e o leite e vem comigo que eu mostro-te…”

Lista de compras: cogumelos Portobello / Shitake / etc., saladas verdes multi-folhas com alguma imaginação (com rúcula, agrião, e outras menos comuns), folhas de espinafre / acelga / grelo / nabiça / etc., rebentos de coentros / funcho / etc., algumas bagas silvestres (framboesas, amoras, groselhas, morangos), muitos ovos, uns belos chouriços / paios sem açúcares (dextroses e outras -oses), bacon, algum fiambre (não muito, tem sempre açúcar), queijos curados, o ocasional Mozarella, amêndoa (ralada / laminada / ao natural), nozes, avelãs e sementes de girassol para quem gosta…

De preferência, tudo de origem biológica / orgânica, ou seja, sem a profusão de produtos químicos cuja acumulação ao longo do tempo gera problemas crónicos não só em nós mas também nas partes do ecossistema que trabalham para nos dar comida, como por exemplo as abelhas.

Acima de tudo, nada de produtos “light”!!!! Estes substituem as gorduras (o nosso combustível por excelência) por hidratos de carbono que comprovadamente nos fazem mal a longo prazo e por adoçantes cujos efeitos a longo prazo ainda não são conhecidos.

Sobre os lacticínios: o leite é para bezerros e vitelos. Adultos (humanos ou de outras espécies) não devem alimentar-se de leite, ponto final. Já o leite fermentado, é outra história… um bom iogurte grego, natural e sem qualquer traço de açúcar ou adoçante, é rico em gorduras, proteínas, e cálcio. Mistura-se umas bagas silvestres para dar sabor e talvez umas sementes para textura. Nada de “Mueslis” com grãos provenientes da agricultura!!! E os queijos, quanto mais curados, melhor.

Bon apétit!!

Openmoko, revisitado

•Julho 7, 2011 • 1 Comentário

Por mim, continuo a usar o meu Neo Freerunner todos os dias como telefone normal. Mas em relação às funções avançadas, como por exemplo o acesso GPRS à Internet e MMS, é para esquecer. Entre hardware mal desenhado e mal testado, e software desenvolvido por pessoas que fizeram o seu melhor sem ter acesso verdadeiro a toda a informação necessária, o resultado é infelizmente caótico.

Não me lembraria de revisitar este assunto, não fosse o facto de andar eu a reciclar uma motherboard de Freerunner no meu projeto de veículo híbrido humano/elétrico. Já que aqueles 300€ não deram um bom smartphone, ao menos vão dar uma excelente plataforma robótica. ;)

Descobri portanto um belo blog editado por Andy Green, que trabalhou no projecto Openmoko e que recolheu online as lições aprendidas durante o desenvolvimento do Freerunner (e do Wikireader). Para qualquer “developer”  de sistemas embebidos, é uma leitura fundamental. As minhas suspeitas sobre a pouca qualidade de desenvolvimento e teste deste produto, inferidas como utilizador acéfalo e como engenheiro de software a tentar “fazer coisas” com aquilo,  confirmaram-se. Foi mesmo feito à pressa e em cima do joelho. Isto sustenta a profunda desilusão que sinto desde que comprei o bichinho, ao ver que um engenheiro de produção de uma grande e experiente empresa (a FIC) pode perfeitamente originar uma spin-off sem pés nem cabeça (a Openmoko), mesmo quando apoiado por bons “hackers”. No final, é a organização de pessoas e recursos que tem impacto nos resultados, não há volta a dar-lhe. “Não se fazem omeletes sem ovos”, e “9 mulheres não têm um filho em 1 mês” são dois ditados que me vêm à cabeça, assim de repente, da minha própria experiência profissional. Mas enfim… chega de rezinguice.

Entretanto, outras pessoas reconheceram a pobre qualidade de execução mas grande potencial da ideia. Vai daí a “Golden Delicious” decidiu (para grande espanto meu) refazer a motherboard do Freerunner GTA02 como deve ser: não só com UMTS e todas as mariquices que hoje é normal nos smartphones, mas também com outras não tão comuns (Rádio FM, Altímetro, Bússola) e acima de tudo feito com tempo e qualidade. O GTA04 traz esperança de ver este “sabonete” a funcionar como deve ser para aqueles utilizadores que não se importam de largar mais algumas centenas de €uros para fazer o upgrade, reutilizando o resto dos componentes (caixa, LCD, antenas, etc).

Farei eu o upgrade?… não sei, é muito “pastel”. Desta vez vou esperar pelos resultados dos “early adopters”, e ver se vale a pena. Se valer, fico com mais uma motherboard de GTA02 para construir uma nova Trike, não é desperdício. ;) Entre os pormenores simpáticos da “Goldelico” contam-se uma lista de mail em que a equipa de desenvolvimento revela em relatórios frequentes as suas vitórias e dificuldades com total transparência, o que é uma diferença refrescante face ao processo excessivamente (e mal) controlado da Openmoko. A meu ver, a simplicidade e a calma triunfam sempre sobre a “sofisticação” e “dinamismo empresarial”… :P

Também da Goldelico há umas plaquinhas de expansão do GTA02, para quem gosta de robótica; têm mais e melhores sensores do que o original: acelerómetros, giroscópio, altímetro, termómetro, LED drivers, enfim, tudo o que dá jeito para navegação robótica. E cabem dentro da caixa original. :)

Afinal, o projeto do Neo não morreu. Antes pelo contrário, o seu espírito está forte naquela parte da população da qual nunca devia ter saído: os hackers. Vamos ver onde nos leva desta vez.

Nutrição, sem medos

•Junho 28, 2011 • 12 Comentários

Num artigo anterior tentei fazer um enquadramento histórico sobre como chegámos ao estado lastimoso em que se encontra a nutrição ocidental, e depois mostrei em que consistem algumas das revelações científicas dos dois últimos séculos sobre as péssimas consequências da alimentação corrente. Agora vou apresentar a solução prática proposta pelas pessoas que analisaram as evidências científicas, clínicas, e históricas, e concluíram que o melhor para a saúde é erradicar os Hidratos de Carbono da nossa alimentação.

Apresento aqui uma parte do Apêndice do livro “Why we get fat – and what to do about it” escrito por Gary Taubes, um jornalista científico norte-americano revoltado com a má ciência e manipulação comercial dos estudos clínicos, que se dedicou no últimos 10 anos à causa do esclarecimento cientificamente correto das origens do chamado “Síndrome Metabólico” (a causa ou estado que leva à Obesidade, Diabetes, Cancro, e Demência). Livro este, que foi profundamente investigado com base na ciência disponível e que por isso eu considero uma autoridade credível no assunto da nutrição e seus efeitos metabólicos.

Esta informação foi compilada pelo Centro Médico da Universidade de Duke, nos EUA, para emagrecimento de obesos, mas para mim (e muitas outras pessoas) revela a “dieta sem açúcares” que aprendi como vital para uma saúde afinada e prolongada. A tradução para Português é da minha autoria e poderá conter erros nos nomes de alguns poucos alimentos (principalmente os vegetais). Obviamente, tentei ser o mais rigoroso possível na tradução, mas posso ter adulterado um ou outro pormenor, e eliminei as espécies citadas como exemplos que não existem neste lado do Atlântico.

A dieta “Zero Açúcares, Zero Amidos”

Esta dieta foca-se em dar ao seu corpo a nutrição que ele precisa enquanto elimina comidas que o seu corpo não necessita, nomeadamente os Hidratos de Carbono (HC) nutricionalmente vazios. Para uma perda de peso mais eficaz, irá ter de manter o número total de hidratos de carbono consumidos abaixo de 20 gramas por dia. A sua dieta será exclusivamente constituída por comidas e bebidas aqui listadas. Se a comida for embalada, verifique o rótulo e assegure-se que contém 1 a 2 gramas ou menos de hidratos de carbono nas carnes e lacticínios, e 5 gramas ou menos em vegetais, por dose. Toda a comida pode ser cozinhada em micro-ondas, assada, cozida, frigida, salteada, frita (sem farinhas), ou grelhada.

Quando tiver fome, coma à vontade de entre estas comidas:

Carne: de vaca (incluindo hamburguers e bifes), porco, fiambre, bacon, borrego, vitela, ou outras. No caso de carnes processadas (enchidos, etc.) verifique o rótulo – não poderá ter mais do que 1 grama de HC por dose.

Aves: Galinha, Perú, Pato, ou outras.

Peixe e Marisco: qualquer peixe, incluindo Atum, Salmão, Bagre ou Peixe-Gato, Robalo, Truta, Camarão, Vieiras, Carangueijo, Lagosta, etc.

Ovos: Ovos inteiros são permitidos sem qualquer restrição.

Não é necessário evitar a gordura que vem com estas comidas.

Não é necessário limitar as quantidades, coma até ficar satisfeito.

Comidas que devem ser ingeridas todos os dias:

Saladas verdes: 2 chávenas por dia. Inclui Rúcula, Couves (de todas as variedades), Acelga, Cebolinho, Endívias, folhas verdes (de todas as variedades, incluindo Beterraba, Couve Galega, Mostarda, e Nabo), Couve-de-folhas, Alface (todas as variedades), Salsa, Espinafre, Radicchio (Chicória Vermelha), Rabanetes, Cebolinha, e Agrião. A regra é: se é uma folha, pode comer.

Vegetais: 1 chávena (medido cru) por dia. Inclui: Alcachofra, Espargo, Bróculo, Couves de Bruxelas, Couve-Flor, Aipo, Pepino, Beringela, Feijão Verde, Alho-Porro, Cogumelo, Quiabo, Cebola, Pimento, Abóbora, Chalota, Rebentos (de feijão e Alfalfa), Abóbora-Menina, Tomate, Ruibarbo, Courgette.

Caldo: 2 chávenas por dia – necessário para reposição do Sódio. Caldo transparente (consommé) é fortemente recomendado, a não ser que seja uma dieta com restrição de sódio para hipertensão ou falha cardíaca.

Comidas permitidas em quantidades limitadas:

Queijo: até 115 gramas por dia. Inclui queijos duros e amadurecidos como o Suíço e Cheddar, bem como Brie, Camembert, Azul, Mozzarella, Gruyère, Fresco, Requeijão, e de Cabra. Evitar queijos processados (“queijos fundidos”). Verifique o rótulo: tem de ter menos do que 1 grama de HC por dose.

Natas: até 4 colheres de sopa por dia. Inclui natas gordas, magras, ou frescas.

Maionese: até 4 colheres de sopa por dia. Verifique o rótulo.

Azeitonas: até 6 por dia.

Abacate: até meio fruto por dia.

Sumo de Limão ou Lima:  até 4 colheres de chá por dia.

Molhos de Soja: até 4 colheres de sopa por dia. Kikkoman é uma marca de baixo teor de HC. Verifique o rótulo para outras.

Pickles sem açúcar: até 2 doses por dia. Verifique no rótulo o conteúdo de HC.

Snacks: Couratos de porco, fatias de salpicão, fiambre, vaca, perú, e outras carnes frias, “ovos verdes”.

A restrição absoluta: Hidratos de Carbono

Nesta dieta, nenhum açúcar (carbohidratos simples) ou amido (carbohidratos complexos) são comidos. Os únicos HC encorajados são os vegetais verdes ricos em fibra e nutrientes acima listados.

Os açúcares são os HC simples. Evite estes tipos de comida: açúcar branco, açúcar amarelo, mel, charope de ácer, melaço, xarope de milho, cerveja (contém maltose), leite (contém lactose), yogurtes aromatizados, sumos de fruta, e fruta.

Os amidos são os HC complexos. Evite estes tipos de comida: grãos (até mesmo os integrais!), arroz, cereais, farinhas, amido de milho, pão, massas, queques, pão-de-leite, bolachas, e vegetais amidosos tais como os feijões de cozedura lenta (preto, vermelho, frade, e lima), cenoura, cheróvia, milho, ervilhas, batatas, batata frita, e “chips”.

Sobre Gorduras e óleos

Todas as gorduras e óleos, mesmo a manteiga, são permitidos. Azeite e óleo de amendoim são especialmente saudáveis, mesmo para cozinhar. Evite margarinas e outros óleos hidrogenados que contêm gorduras trans-saturadas.

Como molhos de salada, o ideal é o vinagrete caseiro (azeite e vinagre), com sumo de limão e especiarias a gosto. Molhos de queijo azul, “rancho”, “césar”, e italiano também são aceitáveis se o rótulo garantir 1 grama de HC ou menos por dose. Evite molhos “light” porque contêm mais HC do que os normais. Ovos picados, bacon, e queijo ralado também podem ser incluídos em saladas.

Gorduras, em geral, são importantes de incluir, porque sabem bem e porque satisfazem. Assim é permitido tanto a pele como a gordura que acompanha a carne e aves, desde que não tenham pão ralado. Não tente seguir uma dieta de poucas gorduras!

Adoçantes e sobremesas

Se sentir a necessidade de comer ou beber coisas doces, escolha a opção mais sensata de adoçantes artificiais: sucralose, aspartame, stevia/erithrol, ou sacarina. Evite os álcoois de açúcar (como sorbitol e maltitol) por agora, pois podem causar problemas de estômago, embora sejam permitidos mais adiante. [Nota do tradutor: na minha opinião, os adoçantes são todos veneno. Evitar e pronto.]

Bebidas

Beba à vontade da lista permitida, mas não force a sua capacidade. A melhor bebida é água. Sodas aromatizadas (sem HC) ou água gaseificada também são boas escolhas.

Bebidas cafeinadas: algumas pessoas descobrem que a cafeína interfere com a perda de peso e com o controlo de açúcar no sangue. Limitar o consumo a 3 chávenas de café ou chá ou refrigerante cafeinado por dia. [Nota do tradutor: não faz muita diferença entre as chávenas de café expresso tomadas em Portugal e os copos de café aguado que os Americanos tomam, porque embora a concentração por volume seja 2 a 3 vezes maior na famosa "bica", os copos deles também são 3 ou 4 vezes maiores que a bica.]

Álcool

Ao princípio evite o álcool de todo. Mais tarde, pode introduzir o álcool gradualmente à medida que estabelece os padrões dietéticos e de perda de peso, mas em quantidades moderadas, e assegurando-se que não contem demasiados HC.

Quantidades

Coma quando tiver fome, pare quando estiver cheio. Esta dieta funciona melhor na base da necessidade, ou seja, enquanto sentir fome. Tente não comer depois de estar satisfeito. Aprenda a escutar o seu corpo. Uma dieta de HC reduzidos tem um efeito natural de redução do apetite e facilita a adoção de quantidades cada vez menores de comida em conforto total. Portanto, não coma tudo o que tem no prato apenas porque está lá. Por outro lado, também não passe fome! Você não está a contar calorias. Aprecie a perda de peso em conforto, sem fome nem apetites bruscos.

Recomenda-se que comece o dia com uma refeição nutritiva sem HC. Note que muitos medicamentos e suplementos nutricionais exigem ser tomados com comida ou três vezes ao dia, por isso não evite o pequeno-almoço.

Dicas importantes e lembretes

Os itens seguintes NÃO fazem parte da dieta: açúcar, pão, cereais, coisas com farinha, frutas, sumos, mel, leite magro ou meio-gordo ou gordo, iogurte, sopa enlatada ou de pacote, substitutos do leite, ketchup, condimentos doces, e doces.

Evite estes erros comuns: Cuidado com os alimentos dietéticos “sem gordura” ou “light” e outras comidas contendo HCs escondidos (tais como bolachas sem açúcar ou saladas com molhos doces). Verifique os rótulos dos medicamentos líquidos, xaropes de tosse, pastilhas para a tosse, e muitos outros medicamentos de venda livre que podem conter açúcar. Evite produtos que afirmam ser “Óptimos para dietas sem HCs!”

Sistema de refeições

Pequeno-almoço:

Carne ou outra fonte de proteína (normalmente ovos).

Fonte de gordura – é comum que já esteja presente na proteína, como por exemplo no bacon com ovos. Se não estiver, acompanhe com alguma na forma de manteiga, natas (no café ou chá), ou queijo.

Vegetal verde com poucos  HC (se desejado) -  pode ser tipo omelete ou quiche.

Almoço:

Carne, Peixe, ou outra fonte de proteína.

Uma fonte de gordura – se a proteína for magra, adiciona alguma gordura na forma de manteiga, molho de salada, queijo, natas, ou abacate.

1 ou 1 e 1/2 chávena de vegetais verdes crus ou cozinhados.

1/2 a 1 chávena de vegetais (não-verdes ou leguminosos).

Lanche:

Qualquer coisa com poucos HC e muita gordura e proteína (carnes frias, por exemplo).

Jantar:

As mesmas recomendações que ao almoço.

Comentários pessoais

O efeito na minha vida pessoal ao fim de 4 semanas tem sido consistente e positivo. Acabaram-se as hipoglicémias e hiperglicémias, o nível de energia é praticamente constante durante as 24 horas do dia (exceto quando abuso dos HCs), sinto uma fome natural apenas no estômago, sem sintomas no resto do corpo, e tenho perdido aquele peso extra que já andava acampado na barriguinha há uns anos (já perdi 6kg, estou perto do peso ideal). O meu exercício físico mantém a mesma regularidade de sempre mas a eficácia aumentou (para frustração dos meus colegas de jujitsu ;) ). Preciso de dormir menos (naturalmente chego à noite cansado, mas acordo mais cedo espontaneamente e bem-disposto). Já não sinto “ataques de fome” duas horas após as refeições e posso mesmo passar o dia inteiro sem “snacks” entre refeições (uma tisana saborosa SEM AÇÚCAR ajuda a acalmar e proteger o estômago). O meu cérebro “carbura” bem durante todo o dia, e por isso a minha noção interna de tempo acelerou; o dia ficou efetivamente mais comprido pois consigo manter-me ativo e concentrado uma maior percentagem do tempo e produzir mais. Tive alguns percalços digestivos violentos na segunda semana, mas já passou. Era ressaca de HCs pura e dura, as bactérias intestinais amotinaram-se. :)

Posto isto, faço a mesma recomendação a todos os que me leem que o autor: estudem bem a informação dos livros, e se possível consultem um médico para vos acompanhar a dieta. Obviamente não vai ser fácil encontrar um médico que concorde com uma dieta rica em gorduras e pobre em hidratos, mas enfim, é sempre bom pelo menos fazer análises regulares para ver quais são os efeitos metabólicos mais profundos (aqueles que a balança e o músculo não nos contam).

Boa saúde! ;)

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.